Charlotte “Lottie” Moon tinha um mestrado incomum para uma mulher do século dezenove e um pedido de casamento promissor à sua frente. Ainda assim, escolheu trocar tudo isso por décadas de trabalho em vilarejos da China, onde poucos ocidentais haviam pisado.
Nasceu em 12 de dezembro de 1840 numa fazenda perto de Charlottesville, na Virgínia, em família batista. Aos dezoito anos, converteu-se num avivamento liderado pelo pastor John Broadus; em 1861, tornou-se uma das primeiras mulheres do sul dos Estados Unidos a receber um título de mestre, antes de lecionar em escolas femininas na Geórgia e no Kentucky.
Em 1873, aos trinta e dois anos, foi enviada pela Junta de Missões Estrangeiras da Convenção Batista do Sul e juntou-se à irmã Edmônia na estação missionária de Dengzhou, na província de Shandong. Ali, começou seu trabalho lecionando numa escola para meninos.
Em 1885, deixou a sala de aula para se dedicar à evangelização direta nas vilas ao redor de Pingdu. Aprendeu o dialeto local, adotou trajes chineses e passou a visitar as mulheres em suas próprias casas, um método então incomum entre os missionários da região.
Anos antes, em 1881, recusara um pedido de casamento do professor Crawford H. Toy, com quem estudara hebraico, por divergências teológicas que os separaram. Escolheu permanecer dedicada à China, uma decisão que também lhe trouxe isolamento e solidão pessoal.
Em 1887, escreveu à Junta de Missões pedindo que as mulheres batistas dedicassem a semana do Natal a uma oferta especial para sustentar o trabalho na China. A proposta resultou, em 1888, na primeira Oferta de Natal, hoje conhecida pelo seu nome.
Durante a fome que atingiu Shandong em 1911 e 1912, dividiu seu salário e provisões com os chineses famintos. Adoeceu gravemente e morreu a caminho dos Estados Unidos, em dezembro de 1912, no porto japonês de Kobe. Historiadores hoje questionam a versão popular de que ela teria se deixado morrer de fome deliberadamente; registros médicos apontam antes um quadro de doença física e mental agravado pelo esgotamento.
A oferta que sua carta inspirou já arrecadou mais de cinco bilhões de dólares para missões batistas ao redor do mundo. Seu nome permanece ligado à convicção de que ninguém deveria ficar sem ouvir o evangelho por falta de quem o leve até ele.