1803–1845

Missionária · Tradutora

Sarah Boardman Judson

Resumo
Missionária batista na Birmânia por cerca de vinte anos, ficou viúva ainda jovem e escolheu permanecer sozinha no campo. Traduziu o Novo Testamento e outras obras cristãs para o peguan e o birmanês, além de manter escolas entre o povo caren.
Quem foi
Biografia

Sarah Hall nasceu em 1803 em Alstead, no interior de Nova Hampshire, filha de uma família simples que não tinha como custear sua educação. Autodidata, aprendeu a ler e escrever em casa enquanto ajudava a criar os irmãos mais novos.

Ainda jovem, comoveu-se com a morte do missionário James Colman na Birmânia e escreveu um poema em sua homenagem. Os versos chamaram a atenção do seminarista George Dana Boardman, que também se preparava para servir naquele país; casaram-se em julho de 1825.

Duas semanas depois do casamento, embarcaram para a Índia. Retidos por mais de um ano em Calcutá por causa da guerra anglo-birmanesa, só chegaram a Maulmain, na Birmânia, em 1827. Em 1828 mudaram-se para Tavoy, entre o povo caren.

Sarah abriu e manteve escolas para meninos e meninas carens, com professores nativos, e passou a acompanhar o marido nas viagens de pregação pela selva. Dos três filhos que teve com Boardman, dois morreram ainda pequenos. Em 1831, George morreu de tuberculose, deixando-a viúva aos 27 anos, longe de sua terra natal.

Contrariando o costume da época, segundo o qual a viúva missionária deveria voltar para casa, Sarah permaneceu sozinha em Tavoy por três anos, reerguendo as escolas e sustentando a pequena igreja caren.

Em 1834 casou-se com Adoniram Judson e mudou-se para Moulmein. Nessa época, seu filho mais velho, George Dana Boardman Jr., ainda criança, foi enviado aos Estados Unidos para estudar; mãe e filho não voltariam a se ver. A pedido do novo marido, Sarah dedicou-se a estudar o peguan, língua do povo mon, e para essa língua traduziu o Novo Testamento, tratados evangélicos e a obra do marido sobre a vida de Cristo.

Também verteu para o birmanês a primeira parte de O Peregrino, de John Bunyan, e organizou um hinário. Dos oito filhos que teve com Judson, três morreram ainda pequenos. Depois do nascimento do último, em dezembro de 1844, sua saúde, já debilitada por episódios recorrentes de disenteria, não resistiu.

Embarcou com o marido e os três filhos mais velhos rumo aos Estados Unidos, mas morreu no trajeto, em 1º de setembro de 1845, e foi sepultada na ilha de Santa Helena. Sua permanência voluntária no campo, mesmo viúva e enlutada, e as perdas que atravessou em meio ao trabalho seguem como testemunho de perseverança para missionários até hoje.

“Nós nos separamos neste ilhéu verdejante, amor: tu para o oriente, eu para o poente. Ó, quando nos encontraremos de novo?”
Sarah Boardman Judson · Poema "We Part on This Green Islet", escrito em dezembro de 1844 durante escala em Maurício, quando Sarah cogitava seguir sozinha para os Estados Unidos com os filhos enquanto o marido retornaria a Moulmein (plano que não se concretizou). Registrado no Memoir of Sarah B. Judson, de Emily C. Judson (1848).
Linha do tempo
1803

Nascimento em Alstead, Nova Hampshire

Nasce em família modesta e torna-se autodidata.

1825

Casamento com George Dana Boardman

Casam-se em julho e partem para a Índia duas semanas depois.

1827

Chegada à Birmânia

Após mais de um ano retida em Calcutá pela guerra anglo-birmanesa, o casal se instala em Maulmain.

1828

Início do trabalho entre os carens

Mudam-se para Tavoy, onde Sarah abre escolas para meninos e meninas carens.

1831

Morte de George Boardman

Fica viúva aos 27 anos e decide permanecer sozinha no campo missionário.

1834

Casamento com Adoniram Judson

Muda-se para Moulmein, onde passa a estudar a língua peguan; o filho mais velho é enviado aos Estados Unidos.

década de 1830

Tradução do Novo Testamento em peguan

Traduz o Novo Testamento e outras obras cristãs para a língua do povo mon.

1845

Morte a bordo do navio

Morre no porto de Santa Helena, durante a viagem de volta aos Estados Unidos.

Obras e marcos

Escolas para o povo caren, em Tavoy

1828

Abriu e supervisionou escolas diurnas com professores nativos, além de classes bíblicas femininas; as escolas chamaram a atenção de agentes do governo britânico, que passaram a subsidiá-las.

Continuidade da obra após a viuvez

1831-1834

Sozinha por três anos após a morte do primeiro marido, reabriu as escolas e manteve a pregação entre os carens.

Novo Testamento em peguan (mon)

década de 1830

Traduziu o Novo Testamento para o peguan, língua falada pelo povo mon, no sudoeste da Birmânia.

Vida de Cristo, de Adoniram Judson, em peguan

década de 1830

Verteu para o peguan a obra do marido sobre a vida de Jesus, além de diversos tratados evangélicos.

O Peregrino, de Bunyan, em birmanês

Pilgrim's Progress

Traduziu a primeira parte de O Peregrino (Pilgrim's Progress) para o birmanês, tradução ainda usada décadas depois.

Hinário para as igrejas de língua birmanesa

Birmânia

Reuniu e traduziu hinos cristãos, usados no culto das congregações nascentes.

Contribuições
1

Modelo de escola missionária

Suas escolas em Tavoy, mantidas com professores nativos, chamaram a atenção de agentes do governo britânico, que passaram a subsidiá-las.

2

Literatura cristã em línguas locais

Ao lado do marido, ajudou a firmar a prática de traduzir Escrituras e obras devocionais para as línguas locais da Birmânia, não apenas para o birmanês oficial.

3

Perseverança da viúva missionária

Viúva aos 27 anos, recusou o costume da época de retornar à pátria e permaneceu sozinha no campo por três anos.

4

Voz poética da causa missionária

Seus poemas circularam em publicações batistas americanas e são citados por biógrafos como parte do que despertou o interesse de outros pela causa missionária.

Legado missionário

Seu exemplo de permanecer no campo mesmo viúva inspirou mulheres solteiras e viúvas a se engajarem como missionárias plenas, não apenas como esposas de missionários.

Suas traduções para o peguan e o birmanês seguem, em parte, servindo de base histórica para edições posteriores das Escrituras nessas línguas.

O modelo de escolas com professores locais que desenvolveu em Tavoy antecipou o princípio de formar líderes nativos, hoje central nas estratégias de alcance de povos não alcançados no Sudeste Asiático.

Sua história, ao lado da de Ann Hasseltine Judson e Emily Chubbuck Judson, ajudou a consolidar o registro biográfico de mulheres missionárias como fonte de inspiração até hoje.

Outras pessoas