Poucos professores marcaram tantas gerações de pastores quanto Charles Hodge. Por mais de meio século, ele ensinou as mesmas cadeiras na mesma sala de aula em Princeton, formando milhares de ministros presbiterianos que levariam sua teologia a igrejas em todo o mundo.
Nascido em Filadélfia em 1797, Hodge perdeu o pai ainda bebê, vítima da febre amarela que assolara a cidade. Criado pela mãe e por parentes na fé presbiteriana, formou-se na Universidade e no Seminário de Princeton, onde encontraria seu lugar de vida.
Casou-se com Sarah Bache, bisneta de Benjamin Franklin, em 1822, ano em que também assumiu a cátedra de literatura bíblica em Princeton. Tiveram oito filhos; dois deles, Archibald Alexander e Caspar Wistar, seguiriam o pai como professores no mesmo seminário.
Entre 1826 e 1828, estudou na Alemanha com eruditos como Tholuck e Gesenius, trazendo rigor exegético à teologia americana sem abandonar a ortodoxia reformada. De volta a Princeton, fundou o periódico Biblical Repertory, depois rebatizado Princeton Review, que editou por 46 anos e no qual publicou quase 150 artigos.
Sua obra maior, a Teologia Sistemática em três volumes, publicada entre 1871 e 1873, tornou-se referência do presbiterianismo conservador, sistematizando a doutrina reformada com clareza didática. Também escreveu comentários bíblicos e obras de divulgação popular, como O Caminho da Vida, distribuído aos milhares.
Sua trajetória, porém, tem uma mancha grave: Hodge defendeu, com base em leituras bíblicas, que a escravidão não era pecado em si, embora condenasse os abusos das leis escravistas do Sul dos Estados Unidos. Essa posição, mantida até depois da Guerra Civil, o distanciou de evangélicos de sua época que já reconheciam o mal da escravidão.
Hodge também enfrentou o darwinismo emergente em O Que É o Darwinismo?, de 1874, argumentando que a teoria, ao negar propósito na criação, equivalia ao ateísmo. Até o fim da vida, lecionou as epístolas de Paulo a milhares de estudantes ao longo de 56 anos de magistério em Princeton.
Morreu em Princeton em 1878, deixando uma tradição teológica conhecida como Teologia de Princeton. Seu compromisso com a fidelidade às Escrituras e a clareza doutrinária ainda orienta seminários reformados e o preparo de pastores para missões ao redor do mundo.