1516–1587

Historiador · Martirólogo

John Foxe

Resumo
Historiador inglês do século 16, exilado durante a perseguição movida pela rainha católica Maria I. Autor de Atos e Monumentos, conhecido como O Livro dos Mártires, reuniu documentos e testemunhos das perseguições contra os evangélicos ingleses, obra que se tornou um dos livros mais lidos em língua inglesa depois da Bíblia.
Quem foi
Biografia

John Foxe nasceu em 1516, em Boston, na Inglaterra, numa época em que ler a Bíblia em inglês podia custar a vida. Menino estudioso, preferia os livros às brincadeiras e cedo revelou o temperamento de quem levaria a fé a sério pelo resto da vida.

Aos dezesseis anos entrou na Universidade de Oxford, onde se tornou fellow do Magdalen College. Em 1545 renunciou ao cargo depois de abraçar convicções protestantes incompatíveis com as exigências da instituição, entre elas o celibato clerical.

Casou-se com Agnes Randall em 1547 e passou a viver em Londres como preceptor e tradutor. Quando a rainha católica Maria I subiu ao trono em 1553, Foxe precisou fugir da Inglaterra com a esposa grávida, temendo a prisão.

No exílio, entre Estrasburgo, Frankfurt e Basileia, viveu anos de pobreza extrema enquanto reunia relatos de perseguições contra os evangélicos. Ali publicou, em latim, o primeiro esboço da obra que se tornaria seu legado.

De volta à Inglaterra depois da morte de Maria I, publicou em 1563 a primeira edição inglesa de Atos e Monumentos, conhecida como O Livro dos Mártires. A obra, de quase 1800 páginas, narrava com detalhes documentais as perseguições sofridas por evangélicos ingleses.

Foxe escreveu como defensor de uma causa, não como historiador neutro, e selecionou os documentos para reforçar a narrativa protestante. Estudiosos posteriores apontaram erros, exageros e omissões no relato, embora pesquisas modernas confirmem que grande parte da documentação é genuína.

Ordenado sacerdote em 1560, recusou cargos e ofertas de promoção na igreja por escrúpulos de consciência ligados às suas convicções puritanas, vivendo com modéstia mesmo depois do sucesso da obra.

Apesar do tom duro contra a perseguição religiosa, Foxe também se compadeceu de quem discordava dele. Em 1572 intercedeu junto à rainha e visitou pessoalmente anabatistas condenados à fogueira, pedindo clemência, mas não conseguiu evitar a execução de dois deles.

Morreu em 1587, mas Atos e Monumentos seguiu sendo lido por séculos, moldando a memória protestante sobre sofrimento e fidelidade. Ainda hoje inspira quem documenta e sustenta cristãos perseguidos ao redor do mundo.

Linha do tempo
1516

Nascimento em Boston, Lincolnshire

Vem ao mundo numa Inglaterra ainda católica, décadas antes de a Bíblia em inglês circular livremente.

1534

Ingresso em Oxford

Entra no Brasenose College aos 16 anos e depois se torna fellow do Magdalen College.

1545

Renúncia à cátedra em Magdalen

Deixa o posto após adotar convicções protestantes incompatíveis com as exigências do colégio.

1547

Casamento com Agnes Randall

Casa-se em fevereiro e passa a viver em Londres como preceptor e tradutor de sermões protestantes.

1553-1559

Exílio no continente europeu

Foge da perseguição de Maria I e vive em Estrasburgo, Frankfurt e Basileia, onde publica a primeira martirologia em latim.

1563

Primeira edição inglesa de Atos e Monumentos

A obra o torna uma celebridade literária, embora continue vivendo com poucos recursos.

1570-1571

Segunda edição, ampliada

A Convocação de Canterbury determina, no ano seguinte, que a obra seja posta nas catedrais inglesas.

1572

Intercede por anabatistas condenados

Escreve à rainha e visita os prisioneiros pedindo clemência, sem conseguir evitar a execução de dois deles.

1587

Morte em Londres

Falece em 18 de abril e é sepultado em St. Giles, Cripplegate.

Obras e marcos

Commentarii rerum in ecclesia gestarum

1554

Primeira martirologia de Foxe, publicada em latim durante o exílio, esboço inicial do que se tornaria Atos e Monumentos.

Christus Triumphans

1556

Drama religioso em versos latinos, escrito durante os anos de exílio em Basileia.

Edição latina de Basileia

1559

Versão latina ampliada da martirologia, publicada pouco antes do retorno de Foxe à Inglaterra.

Atos e Monumentos, 1ª edição inglesa

1563

Publicada pela gráfica de John Day, com quase 1800 páginas sobre as perseguições aos evangélicos ingleses, ficou conhecida como O Livro dos Mártires.

Atos e Monumentos, 2ª edição

1570

Edição revista e quase dobrada de tamanho, resposta às críticas católicas. No ano seguinte, a Convocação de Canterbury determinou que a obra fosse posta nas catedrais inglesas.

Tradução dos evangelhos em anglo-saxão

1571

Edição paralela dos evangelhos em inglês antigo e na Bíblia dos Bispos, sob patrocínio do arcebispo Matthew Parker.

Terceira e quarta edições de Atos e Monumentos

1576-1583

Últimas edições revisadas em vida do autor, que consolidaram a obra como um dos livros mais lidos em língua inglesa.

Contribuições
1

Registro histórico da Reforma inglesa

Reuniu registros episcopais, atas de julgamento e testemunhos oculares que preservaram detalhes da perseguição religiosa na Inglaterra do século 16, hoje fonte incontornável para historiadores.

2

Difusão popular da história da igreja

Atos e Monumentos tornou-se o segundo livro mais lido em língua inglesa depois da Bíblia, moldando por gerações a memória protestante sobre sofrimento e fidelidade.

3

Historiografia parcial e não isenta

Escreveu como defensor de uma causa, não como historiador neutro: selecionou e organizou os documentos a favor da narrativa protestante, e estudiosos posteriores apontaram erros e omissões em seu relato.

4

Estudo do inglês antigo

Editou uma versão dos evangelhos em anglo-saxão, contribuindo para o argumento de que a Bíblia em língua vernácula tinha raízes antigas na Inglaterra.

Legado missionário

Inspirou gerações de cristãos perseguidos ao redor do mundo a lerem sua própria história de sofrimento à luz da fidelidade dos mártires ingleses.

Atos e Monumentos ajudou a moldar a identidade missionária protestante, que via a expansão do evangelho como continuidade do testemunho dos mártires.

Popularizou o modelo do relato de perseguição como ferramenta devocional, hoje replicado por organizações que documentam a perseguição a cristãos em dezenas de países.

Seu compromisso com fontes primárias e testemunhos verificáveis segue como padrão para quem hoje registra a história da igreja perseguida.

Outras pessoas