Quem já orou por anos sem ver resposta entende bem a espera de Duncan Campbell. Ele serviu fielmente por décadas em pequenas igrejas do interior da Escócia antes de, aos 51 anos, tornar-se instrumento do maior avivamento que o país testemunhou no século 20.
Campbell nasceu em 13 de fevereiro de 1898, em Benderloch, na Escócia, o quinto de dez filhos de um pedreiro. Seus pais se converteram em reuniões da Faith Mission em 1901, e o próprio Duncan entregou a vida a Cristo ainda adolescente, em 1913.
Serviu na Primeira Guerra Mundial e voltou ferido, em 1918. No ano seguinte, formou-se pela Faith Mission e passou a percorrer as Terras Altas e as ilhas escocesas como pregador itinerante, incluindo a ilha de Skye, onde pastoreou uma congregação da Igreja Livre Unida.
Casou-se com Shona Gray em meados dos anos 1920 e serviu por uma década em Balintore, no leste da Escócia, antes de assumir uma igreja em Falkirk, onde foi ordenado ministro em 1942. Eram anos de trabalho fiel, mas sem o clamor de multidões.
Em 1949, já com a família em Edimburgo, recebeu o convite do reverendo James Murray MacKay para pregar por dez dias na paróquia de Barvas, na ilha de Lewis. Duas irmãs idosas da congregação, Peggy e Christine Smith, oravam havia semanas com base em Isaías 44:3, pedindo que Deus derramasse água sobre a terra seca.
O que começou como uma missão comum se tornou o Avivamento das Hébridas: por três anos, vilarejos inteiros foram tomados por arrependimento, salões de baile esvaziaram e moradores buscavam igrejas lotadas de madrugada. Campbell registrou parte desses relatos em “Revival in the Hebrides”.
Sua ênfase na santidade e num batismo no Espírito posterior à conversão o colocou em atrito com pastores reformados da região, que consideravam sua teologia próxima do arminianismo e do ensino de Keswick. Historiadores também notam que alguns episódios mais extraordinários do avivamento chegaram por relatos de segunda mão, anos depois, sem testemunhas independentes.
De 1958 a 1966, dirigiu o Colégio Bíblico da Faith Mission em Edimburgo, formando novos obreiros. Morreu em 28 de março de 1972, em Lausanne, na Suíça, logo após voltar de sua missão anual em Stornoway. Seu nome ficou ligado à convicção de que avivamento nasce da oração perseverante.