Muita gente já sentiu a dúvida silenciosa sobre se a própria fé é real ou passageira. John Wilbur Chapman viveu essa mesma pergunta antes de se tornar um dos evangelistas mais conhecidos dos Estados Unidos, e foi respondendo a ela que encontrou o rumo do seu ministério.
Nascido em 17 de junho de 1859, em Richmond, Indiana, Chapman cresceu entre a escola quaker e a escola dominical metodista antes de se filiar à Igreja Presbiteriana ainda adolescente. Formou-se pelo Lake Forest College e estudou teologia no Lane Theological Seminary, em Cincinnati.
Em 1878, numa reunião de D. L. Moody em Chicago, Chapman confessou que às vezes se sentia salvo e às vezes duvidava. Moody o levou a João 5:24 e perguntou de quem, afinal, ele duvidava: da própria palavra de Cristo. Chapman disse depois que, a partir daquele dia, nunca mais questionou sua aceitação diante de Deus.
Ordenado em 1881, pastoreou igrejas em Ohio, Indiana e no estado de Nova York antes de assumir a Bethany Presbyterian Church, na Filadélfia, onde a escola dominical chegou a reunir mais de seis mil alunos. Em 1893 já pregava ao lado de Moody na Feira Mundial de Chicago, e foi ali que contratou o jovem Billy Sunday, então funcionário da YMCA de Chicago, como auxiliar de campanha.
A partir de 1895, à frente do Comitê de Evangelismo da Assembleia Presbiteriana, Chapman passou a coordenar dezenas de evangelistas em centenas de cidades. Em 1904 testou em Pittsburgh uma ideia nova: dividir a cidade em nove distritos, cada um com seu próprio pregador, todos atuando na mesma semana.
Em 1907 uniu-se ao cantor e regente Charles M. Alexander, formando a Campanha Simultânea Chapman-Alexander. O método passou a incluir salas de aconselhamento com trabalhadores treinados para conversar e orar, um a um, com quem respondia ao chamado, trocando o impacto do momento por acompanhamento pessoal.
A campanha da Filadélfia, em 1908, reuniu 21 duplas de pregador e cantor em 42 distritos da cidade. No ano seguinte, Chapman e Alexander levaram o modelo à Austrália, às Filipinas, à China, à Coreia e ao Japão, numa cruzada que durou de março a novembro.
Em 1909, já como líder reconhecido, Chapman defendeu que evangelistas que duvidassem da inerrância das Escrituras fossem afastados do ministério, posição rígida que expôs tensões teológicas do presbiterianismo da época. Eleito moderador da Assembleia Geral em 1918, morreu meses depois, em 25 de dezembro, após cirurgia de emergência, deixando um modelo de evangelismo organizado que atravessaria o século seguinte.