Povo
Os umutinas, que se autodenominam balatiponé, são um povo indígena do Brasil que vive na região médio-norte do Mato Grosso, no município de Barra do Bugres, numa faixa de transição entre a Amazônia e o Pantanal. Foram conhecidos por viajantes e vizinhos como “barbados”, por costumarem usar barbas naturais ou postiças feitas de pelo de bugio ou cabelo de mulher, um sinal de identidade que os distinguia de outros povos vizinhos da mesma região do Mato Grosso.
Sua história é marcada pela travessia entre quase desaparecer, no início do século vinte, e reconstruir a própria identidade nas décadas seguintes. Hoje vivem em terra demarcada, divididos entre duas aldeias, cultivam a memória dos antigos e buscam recuperar costumes e língua que quase se perderam no contato com a sociedade envolvente.
As primeiras notícias sobre os umutinas remontam ao fim do século XVIII, quando suas aldeias ficavam nas margens do rio Sepotuba. O contato mais intenso com não indígenas, a partir das primeiras décadas do século XX, trouxe seringueiros e a disputa por terra, seguidos de epidemias que dizimaram quase todo o povo: em poucas décadas restaram apenas alguns indivíduos.
A partir de 1990, os umutinas retomaram com força o processo de afirmar sua identidade e sua autodenominação, balatiponé, "povo novo", em contraste com boloriê, termo usado para os antepassados. Essa retomada cultural segue viva hoje, sustentada por lideranças, professores e universitários indígenas.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Brasil Pouco alcançado
|
100%
|
400 |
A vida social umutina tradicionalmente se organiza em torno de famílias nucleares dentro de casas comunais, com residência matrilocal: ao se casar, o homem passa a viver na casa da esposa, e são as mulheres as donas da casa e da roça. A liderança costuma recair sobre anciãos e anciãs respeitados, mais do que sobre chefes formais, exceto em tempos de conflito.
O sustento vem da roça de coivara com milho, mandioca, feijão e frutas, da caça e sobretudo da pesca, atividade central para a maioria das famílias, tradicionalmente feita com arco e com o método do cipó-timbó. Hoje esse trabalho se combina com alimentos industrializados comprados de fora da aldeia.
A religiosidade tradicional umutina gira em torno da crença em múltiplas almas com destinos diferentes após a morte: uma sobe ao céu, outra reencarna em animais, especialmente aves que passam a viver junto às famílias, e uma terceira segue um caminho que a própria tradição não define com clareza. A memória dos antepassados permanece presente na vida da comunidade, e essa cosmovisão sustentava longas festas mortuárias, com semanas de danças rituais feitas com material de buriti, celebrando os espíritos dos que partiram.
Ainda hoje a maior parte do povo segue essa religiosidade de raiz ancestral, entrelaçada à identidade balatiponé recuperada desde 1990. Uma pequena parcela se identifica como cristã, convivendo lado a lado com quem mantém os costumes tradicionais.
A língua original dos umutinas, do tronco macro-jê, família bororo, deixou de ser falada no dia a dia após o contato violento do início do século XX e é hoje considerada extinta como língua materna, restando apenas na memória de poucos anciãos que a comunidade tenta resgatar. O português passou a ser a língua de uso corrente, e é nela que os umutinas têm acesso à Bíblia completa, já disponível há séculos no Brasil, embora não exista tradução alguma no idioma ancestral do povo.
Um povo só entende o evangelho de verdade quando o ouve na língua do seu coração. Veja em que estágio está a tradução.
- Tradução iniciada Concluída
- Porções Concluída
- Novo Testamento Concluída
- Bíblia completa Etapa atual
Dados de tradução: Joshua Project.
Ser umutina hoje está ligado à retomada recente e ainda frágil de uma identidade que quase desapareceu, e a religiosidade tradicional, com suas festas e crenças sobre os antepassados, é parte central dessa reconstrução, o que torna qualquer mudança de fé um assunto delicado dentro da comunidade. Some-se a isso o pequeno número de pessoas, a distância das aldeias em relação aos centros urbanos e a ausência de qualquer comunidade cristã local, o que deixa os umutinas isolados de um convívio próximo com o evangelho.
Depois de décadas de quase extinção, os umutinas seguem em processo de recuperar língua, memória e costumes, um trabalho que depende de anciãos, professores e jovens indígenas dispostos a manter viva essa herança. A pequena população também enfrenta desafios de saúde e de sustento na terra demarcada, e precisa de apoio para que essa reconstrução cultural continue.
Falta ainda ao povo umutina uma comunidade cristã própria e discipulado na língua e nos costumes locais, algo hoje praticamente inexistente entre eles.
Ore por Umutina
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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