Povo
Povo não alcançado Fronteira
Os lampung pubian vivem no extremo sul da ilha de Sumatra, em Indonésia, espalhados por vilas do interior nas províncias de Lampung, Sumatra do Sul e Bengkulu, em torno das margens ocidentais, centrais e do litoral próximo ao estreito de Sunda. São um dos ramos do povo lampung, distintos por seguirem a tradição pepadun, ligada ao interior da região, em contraste com os lampung do litoral que seguem os costumes saibatin.
Falam a língua lampung api, uma das duas grandes variantes do idioma lampung, cujo nome vem justamente da palavra local para “o quê”. A identidade pubian se expressa em símbolos como o siger, a coroa cerimonial das mulheres, e em uma organização social baseada em linhagens e assembleias de anciãos que ainda hoje regulam casamentos e disputas.
Nas últimas décadas, grandes levas de colonos javaneses foram assentadas nas terras historicamente ocupadas pelos pubian e por outros povos indígenas de Lampung, mudando profundamente a paisagem humana da região e trazendo tensões sobre terra e identidade que ainda marcam o cotidiano local.
Os pubian fazem parte do tronco lampung, povo austronésio que se estabeleceu no sul de Sumatra muito antes da chegada do islã à região. Com o tempo, o povo lampung se dividiu em duas grandes tradições sociais: o pepadun, adotado pelos grupos do interior como os pubian, e o saibatin, seguido pelos grupos costeiros de origem mais antiga e aristocrática.
No século passado, a chegada maciça de colonos de outras ilhas da Indonésia, reassentados pelo governo em terras de Lampung, alterou o equilíbrio populacional da região e empurrou comunidades pubian a conviver, muitas vezes com tensão, com vizinhos de língua e costumes diferentes dos seus.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Indonésia Não alcançado
|
100%
|
470.000 |
Diferente de outros povos lampung que vivem da pesca no litoral, os pubian se concentram no interior e sustentam a vida principalmente da agricultura, cultivando a terra em comunidades organizadas pelos costumes do pepadun, sistema social e jurídico que rege casamentos, heranças e a resolução de conflitos entre famílias.
O pepadun, palavra que designa o assento cerimonial usado pelos chefes de linhagem, dá nome a toda uma tradição de valores como honra, coragem e lealdade ao grupo. Símbolos como o siger, a coroa cerimonial usada pelas mulheres em casamentos e rituais, marcam a identidade pubian diante de vizinhos javaneses e sundaneses que hoje dividem o mesmo território.
Os lampung pubian são quase inteiramente muçulmanos sunitas, e a fé islâmica está profundamente entrelaçada com a identidade de linhagem e com os próprios ritos do pepadun, que acompanham nascimentos, casamentos e funerais. O islã alcançou o sul de Sumatra no século XVI, vindo do litoral pela influência dos sultanatos de Banten e Palembang, e só depois avançou para o interior, onde cada vila costuma ter sua mesquita.
Ao lado da prática islâmica, mantêm-se vivos elementos da cosmologia tradicional lampung, expressos em símbolos como o siger e em cerimônias transmitidas pelas assembleias de anciãos, de modo que ser pubian e ser muçulmano caminham juntos na vida cotidiana. O piil pesenggiri, filosofia feita de honra pessoal, hospitalidade e ajuda mútua, é lido como afinado com o Alcorão. Na cerimônia do cakak pepadun, búfalos são partilhados em refeição de gratidão a Deus e reverência aos antepassados, cujos túmulos seguem tidos como sagrados.
A língua falada pelos lampung pubian, conhecida como lampung api, já recebeu porções das Escrituras e um Novo Testamento publicado no início dos anos 2000, além de gravações em áudio, vídeos sobre a vida de Jesus e materiais para celular. Falta ainda a Bíblia completa. Como muitos pubian também falam indonésio no dia a dia, esses recursos convivem com traduções em outras línguas, mas o texto na língua do coração continua sendo o caminho mais direto até as famílias.
Entre os lampung pubian, ser muçulmano e seguir os costumes do pepadun faz parte da própria definição de pertencer ao povo: abandonar o islã é visto como romper com a família e com a linhagem. A vida em comunidades voltadas para dentro, distantes do litoral e organizadas por essas tradições, reduz o contato com qualquer mensagem cristã. Some-se a isso a ausência quase completa de igrejas locais e de crentes de background lampung capazes de testemunhar de dentro da própria cultura.
A chegada de milhões de colonos a terras historicamente pubian trouxe disputas por espaço e recursos que ainda pesam sobre as comunidades locais. Escolas, postos de saúde e outras estruturas básicas seguem escassos em muitas vilas do interior, e melhorar essas condições é hoje uma das necessidades mais sentidas pelo povo.
No campo espiritual, a carência é ainda maior: praticamente não há cristãos de origem pubian, nenhuma comunidade de fé estabelecida dentro da própria cultura e poucos meios de a Palavra chegar de forma compreensível às famílias.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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