Povo
Povo não alcançado Fronteira
Os bhulias são uma casta de tecelões do interior de Odisha, no leste da Índia, também conhecidos como bholia, bhoriya, mehar ou mihir conforme a região. Concentram-se em torno de Sambalpur, Baragarh e Sonepur, onde são reconhecidos como os principais artesãos do tecido sambalpuri, uma técnica de tingir os fios antes da tecelagem que rendeu à região reconhecimento oficial pela originalidade do seu artesanato.
Mais do que um ofício, a tecelagem é a espinha dorsal da identidade bhulia: o conhecimento passa de pais para filhos dentro da própria casta, e o padrão colorido de suas peças carrega motivos que remetem à natureza ao redor deles, flores, aves, rios. É um povo definido tanto pelas mãos que tecem quanto pela história que conta sobre suas próprias origens.
A tradição bhulia conta que seus antepassados migraram para Odisha acompanhando o primeiro raja chauhan de Patna, vindos de outra região do norte ou centro da Índia, embora a própria origem exata do grupo se tenha perdido com o tempo. Essa migração teria trazido consigo o conhecimento da tecelagem por tingimento, uma arte que os bhulias adaptaram e aperfeiçoaram ao longo de gerações até torná-la sinônimo do próprio nome de Sambalpur.
Estabelecidos há séculos como casta de artesãos, os bhulias construíram em Odisha uma posição própria: nem os mais altos na hierarquia das castas hindus, nem isolados dela, mas reconhecidos por um saber que ninguém mais domina do mesmo jeito.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Índia Não alcançado
|
100%
|
153.000 |
A vida gira em torno do tear. Os bhulias formam a principal comunidade de tecelões de Odisha, responsável pelo tecido sambalpuri, feito por uma técnica de tingir os fios antes de tecer, conhecida localmente como bandha kala, que produz padrões inspirados em flores, aves, animais e rios. O ofício passa de geração em geração dentro da própria casta, e muitas famílias inteiras, de pais a filhos, dividem o trabalho entre fiar, tingir e tecer.
Nas cerimônias de casamento, o noivo deve carregar a noiva sete vezes ao redor do fogo sagrado dentro de um cesto, e caso não consiga, é o avô da noiva quem os carrega. Depois da cerimônia, o casal retorna à aldeia para iniciar a vida em comum. A comunidade permite divórcio e o novo casamento de viúvas, e no cardápio entram carne e bebida alcoólica, hábitos que muitas castas hindus de status elevado evitam.
Os bhulias são hindus e cultuam divindades como Shiva, Vishnu e Rama, ao lado de deuses de família e de aldeia que respondem por proteção e fartura no dia a dia. Celebram as grandes festas hindus do calendário, como Holi, Diwali e Dussera, que marcam o ritmo do ano e reforçam os laços entre as famílias da casta.
Ao lado dos grandes deuses do hinduísmo, cultuam também divindades locais e familiares, num arranjo de fé que mistura tradição religiosa ampla com devoções específicas de cada aldeia e linhagem, moldadas por gerações de costume.
A língua do coração dos bhulias é o oriá, para a qual já existe Bíblia completa há mais de um século, incluindo edições revisadas mais recentes. Isso significa que a Escritura está tecnicamente ao alcance, em livrarias e por meio de sociedades bíblicas, mas o desafio real é outro: fazer essa Palavra chegar às mãos e ao coração de uma comunidade que raramente teve contato direto com alguém que a leia ou explique em sua própria língua.
Ser bhulia é, na prática, ser hindu: a fé e o ofício de tecer estão entrelaçados com a identidade da casta desde o nascimento, e abandonar os deuses da família e da aldeia é visto como romper com a própria comunidade. Vivem numa região da Índia onde cristãos são poucos, o que limita o contato natural com o evangelho e reforça a desconfiança diante de qualquer crença estranha ao que sempre conheceram.
Como em muitas comunidades de artesãos tradicionais, a renda depende do mercado para o tecido que produzem, e as famílias que vivem exclusivamente do tear enfrentam a incerteza de preços e encomendas. Mais do que isso, os bhulias precisam do que ainda lhes falta quase por completo: alguém que more perto, fale sua língua e viva o evangelho diante deles com paciência, sem pressa de fazer discípulos, apenas presente o suficiente para que a mensagem de Cristo deixe de ser estranha.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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