Povo
Os dhor são um povo de curtidores de couro do estado indiano de Maharashtra, cujo próprio nome vem da palavra usada para gado, matéria-prima do ofício que os define há gerações. Tradicionalmente, compram peles cruas de matadouros, curtem o couro segundo métodos passados de pai para filho e o vendem a sapateiros e artesãos, um trabalho que os coloca entre as castas de baixo status dentro da rígida hierarquia social indiana.
Falam marate, a língua de Maharashtra, e se enxergam como equivalentes aos chamar, a mais conhecida das castas curtidoras do país, embora numericamente muito menores. Apesar do peso histórico atribuído ao seu ofício, muitas famílias dhor buscam hoje novos caminhos de ascensão social e reconhecimento, sem abrir mão da identidade que herdaram.
A identidade dhor nasceu do próprio trabalho com o couro dentro do sistema de castas indiano, uma organização social milenar que atribuiu a grupos como este o manejo de material considerado impuro por lidar com a morte do animal. Com o tempo, os dhor se consolidaram como um ramo distinto dentro do amplo universo dos curtidores de Maharashtra, ao lado dos chamar, de quem se aproximam em origem e ofício, desenvolvendo práticas, devoções e redes de parentesco próprias que atravessaram gerações até o presente.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Índia Não alcançado
|
100%
|
157.000 |
O ofício que dá nome ao povo, curtir couro, ainda organiza boa parte da vida cotidiana: compram peles cruas de matadouros, tratam o couro com métodos passados de pai para filho e vendem o resultado a quem fabrica calçados e outros artigos. Quando falta matéria-prima, viram diaristas em outras frentes de trabalho, alternando entre os dois mundos conforme a necessidade.
Dentro da hierarquia social indiana, os dhor se veem como equivalentes aos chamar, a mais numerosa das castas de curtidores do país, e reivindicam o mesmo lugar de dignidade no ofício. O sistema de cotas do governo indiano abriu, para os mais afortunados, caminhos como o funcionalismo público, a medicina, a engenharia e o magistério, uma mobilidade que muitas famílias ainda buscam alcançar.
Os dhor são hindus, e sua fé se expressa também por devoções próprias das castas de curtidores da região: muitas famílias veneram Sant Rohidas, santo bhakti associado ao ofício do couro, e o asceta Kakkayya, discípulo de Shiva, figuras que dão dignidade religiosa a um trabalho historicamente visto como impuro. Essas devoções são compartilhadas com os chamar e outras castas curtidoras de Maharashtra, formando um universo religioso comum a esses grupos.
Essa combinação entre hinduísmo e devoção a santos ligados à própria casta funciona como um cimento de identidade: honrar essas figuras é, ao mesmo tempo, um ato de fé e uma afirmação de pertencimento ao povo.
A língua do coração dos dhor é o marate, um dos grandes idiomas da Índia, e ela conta com Bíblia completa há quase dois séculos, além de fartura de hinários, materiais devocionais e recursos em áudio produzidos ao longo de gerações. O desafio não é a falta de Escritura, mas o caminho até as casas dhor: a distância social entre castas faz com que esse material raramente circule dentro da comunidade, e poucos dhor já seguraram um exemplar ou ouviram um trecho lido em voz alta.
Ser dhor é carregar, dentro do sistema de castas, o peso histórico de um ofício ligado à morte do animal e à impureza ritual, o que por séculos fechou portas sociais e ainda hoje pesa na forma como o povo é visto por outras castas hindus. Some-se a isso a força do hinduísmo como identidade coletiva: abraçar Jesus soa, para muitas famílias, como romper com a comunidade que sustenta o nome e a honra do grupo. Há também pouquíssimos cristãos de dentro do próprio povo capazes de testemunhar em termos que um dhor reconheça como seus, o que faz do primeiro contato com o evangelho algo raro.
Romper com séculos de estigma social ligado ao ofício de curtidor é uma necessidade que atravessa gerações de famílias dhor, ao lado do desejo concreto de mais acesso à educação e às profissões que o sistema de cotas do governo indiano promete, mas que ainda alcançam poucos. No campo espiritual, falta quase inteiramente uma presença cristã que fale a língua e entenda a realidade desse povo: sem crentes de dentro da própria comunidade, o caminho até o evangelho continua praticamente fechado.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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