Povo
Povo não alcançado Fronteira
Os kasar, também chamados tambat, são um povo indiano tradicionalmente ligado ao trabalho com metais: cobre e latão moldados em vasilhas, ídolos, utensílios, braceletes e instrumentos musicais como sinos e címbalos. Vivem espalhados por diferentes estados da Índia, com pequenos grupos também em Bangladesh, no Nepal e no Sri Lanka, e falam principalmente o marathi, além do hindi.
O nome do povo vem justamente desse ofício: em marathi, tambat remete ao cobre trabalhado à mão. A posição social dos kasar varia bastante conforme a região: em alguns lugares reivindicam status de casta guerreira, em outros são vistos como comerciantes ou artesãos, e em Maharashtra recebem classificação que lhes garante certas preferências em cargos públicos e universidades.
Essa diversidade de posição social convive com uma identidade compartilhada em torno do ofício herdado de geração em geração. Alguns kasar hoje são donos de pequenas fábricas que usam maquinário moderno para os mesmos produtos que antes eram feitos à mão, mostrando um povo que atualiza sua tradição sem abandoná-la.
A identidade dos kasar está historicamente ligada ao trabalho artesanal com metais na Índia, um ofício transmitido de pai para filho ao longo de gerações e que deu nome ao próprio povo. Ao longo do tempo, essa especialização técnica moldou também sua posição na complexa hierarquia social indiana, que varia de região para região.
Em Maharashtra, terra do idioma marathi que falam, os kasar acabaram enquadrados como casta social e economicamente desfavorecida, o que hoje lhes garante certas políticas de inclusão em empregos e universidades. Em outras regiões da Índia, e nos pequenos grupos que se espalharam para Bangladesh, Nepal e Sri Lanka, o mesmo povo ocupa posições sociais distintas, refletindo como migrações internas foram reacomodando sua identidade coletiva.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Índia Não alcançado
|
98,2%
|
696.000 |
Bangladesh Não alcançado
|
1,2%
|
8.800 |
Sri Lanka Pouco alcançado
|
0,5%
|
3.700 |
O ofício do metal ainda marca o cotidiano de muitos kasar: produzir e vender peças de cobre e latão, do utensílio doméstico ao sino ritual. A situação econômica da comunidade é bastante desigual, indo de artesãos simples a donos de pequenas indústrias que hoje usam máquinas modernas para fabricar vasilhas, ídolos, braceletes e instrumentos musicais.
O casamento é arranjado dentro da própria casta, mas nunca dentro do clã, e uniões entre primos são proibidas. Sacerdotes brâmanes conduzem as cerimônias mais importantes da vida familiar, e os mortos costumam ser cremados, com exceção das crianças. São valores que reforçam a coesão do grupo através das gerações.
Os kasar são hindus, com uma fé marcada por elementos de religiosidade popular ao lado do panteão clássico. Kali, associada à morte e à força vital, é tida como divindade padroeira do povo, ao lado de Vishnu e de seus avatares Rama e Krishna, cultuados em rituais domésticos e comunitários. É comum visitar templos para oferecer orações, comida, flores e incenso, uma devoção que se mistura ao cotidiano da família.
O calendário religioso da comunidade segue as grandes festas hindus da Índia, como Holi, Diwali, Navratri e Rama Navami, momentos que reafirmam tanto a devoção religiosa quanto a identidade coletiva do povo. Fé e pertencimento social caminham juntos nessas celebrações.
O marathi, língua principal dos kasar, já conta com a Bíblia completa e outros recursos bíblicos disponíveis, incluindo material audiovisual sobre a vida de Jesus. Ainda assim, o acesso a esse conteúdo esbarra em outra realidade: quase um quinto dos homens e mais de um terço das mulheres da comunidade não sabem ler, o que limita bastante o alcance da Escritura impressa e reforça a importância de formatos orais e audiovisuais para que a mensagem chegue às famílias.
Entre os kasar, ser hindu está profundamente entrelaçado com pertencer à casta e à família, de modo que considerar outra fé é visto como romper com a própria identidade social e com a rede de proteção que a casta oferece. Some-se a isso o baixo índice de alfabetização em parte da comunidade e a quase total ausência de qualquer história cristã entre eles, o que torna raro até mesmo um primeiro contato com o evangelho apresentado de forma compreensível.
Muitos kasar enfrentam instabilidade econômica ligada às mudanças no próprio ofício tradicional, à medida que a industrialização transforma um trabalho antes artesanal. Há necessidade real de melhores oportunidades de educação e de requalificação profissional para quem ainda depende do trabalho manual com metais.
No campo espiritual, a maior carência é a de alguém que anuncie o evangelho de um jeito que faça sentido dentro da cultura e da língua do povo, já que praticamente não há comunidade cristã local, discipulado ou igreja próxima entre os kasar.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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