Martinho Lutero
1483–1546

Reformador · Teólogo · Tradutor da Bíblia

Martinho Lutero

Domínio público, via Wikimedia Commons · fonte

Resumo
Monge agostiniano e teólogo alemão que, ao redescobrir a doutrina da justificação pela fé, deu início à Reforma Protestante. Sua tradução da Bíblia para o alemão tornou as Escrituras acessíveis ao povo e moldou a língua alemã por séculos.
Quem foi
Biografia

Muita gente vive com medo de nunca ser bom o suficiente diante de Deus. Foi essa angústia, levada ao extremo, que atormentou um jovem monge alemão até ele encontrar, lendo a carta aos Romanos, uma resposta que mudaria a história da igreja.

Martinho Lutero nasceu em 10 de novembro de 1483, na pequena cidade de Eisleben, no Sacro Império Romano-Germânico, filho de um minerador. Estudava direito em Erfurt quando, em 1505, apavorado por uma tempestade, fez um voto de se tornar monge e entrou para o mosteiro agostiniano da cidade.

Como monge, Lutero era tão rigoroso que adoecia com jejuns e confissões intermináveis, sem nunca sentir paz com Deus. Anos depois, já professor em Wittenberg, ao estudar Romanos 1:17 compreendeu que a justiça de Deus não pune o pecador, mas é dada de graça a quem crê.

Em 1517, ao questionar publicamente a venda de indulgências, teria afixado as famosas 95 teses na porta da igreja do castelo de Wittenberg, um gesto que a tradição consagrou, embora historiadores hoje debatam se ele de fato as pregou ali ou apenas as enviou por carta ao arcebispo. De um jeito ou de outro, o texto se multiplicou pela imprensa recém-inventada, espalhou o debate por toda a Alemanha e levou à sua excomunhão pelo papa Leão X, em 1521.

Convocado à Dieta de Worms naquele mesmo ano, recusou-se a retratar seus escritos sem ser convencido pelas Escrituras. Escondido depois no castelo de Wartburg sob outro nome, traduziu o Novo Testamento para o alemão, obra que completaria pouco mais de uma década depois com a tradução da Bíblia inteira, em 1534.

Em 1525, casou-se com Katharina von Bora, ex-freira, com quem teve seis filhos e uma vida doméstica que ele próprio ajudou a tornar modelo para pastores casados. No mesmo ano, porém, escreveu um panfleto pedindo aos príncipes que reprimissem com violência a revolta dos camponeses, episódio que marcou sua biografia de forma sombria.

Já idoso e doente, publicou ainda “Sobre os judeus e suas mentiras” (1543), texto de ataques virulentos que séculos depois seria usado para justificar o antissemitismo. É uma mancha grave, reconhecida e lamentada hoje por biógrafos e pelas próprias igrejas luteranas.

Lutero morreu em 18 de fevereiro de 1546, em Eisleben, a cidade onde nasceu, para onde tinha viajado a fim de mediar uma disputa entre nobres da região. Sua redescoberta da graça recebida pela fé, e não pelo mérito, segue sustentando até hoje a fé de milhões de cristãos ao redor do mundo.

“Minha consciência está presa à Palavra de Deus. Não posso e não quero retratar coisa alguma, pois agir contra a consciência não é certo, nem seguro.”
Martinho Lutero · Discurso perante a Dieta de Worms, 18 de abril de 1521
Linha do tempo
1483

Nascimento em Eisleben

Filho de um minerador, foi batizado no dia seguinte, dia de São Martinho de Tours, origem de seu nome.

1505

Voto e entrada no mosteiro

Apavorado por uma tempestade perto de Erfurt, promete se tornar monge e ingressa na ordem agostiniana.

1512

Doutor em teologia

Torna-se professor bíblico na Universidade de Wittenberg.

1517

As 95 teses

Torna público o documento que questiona a venda de indulgências; a tradição diz que o pregou na porta da igreja do castelo de Wittenberg, mas isso é hoje debatido por historiadores.

1521

Excomunhão e Dieta de Worms

Excomungado pelo papa Leão X, comparece à Dieta de Worms e recusa-se a retratar seus escritos.

1521-1522

Exílio em Wartburg

Escondido sob o nome Junker Jörg, traduz o Novo Testamento para o alemão.

1525

Casamento com Katharina von Bora

A ex-freira se torna sua esposa; o casal teria seis filhos.

1534

Bíblia completa em alemão

Publica a tradução integral das Escrituras.

1546

Morte em Eisleben

Falece na cidade natal, onde tinha ido mediar uma disputa entre nobres locais.

Obras e marcos

As 95 teses

1517

Documento que questionava a venda de indulgências e deu início ao debate público que se tornaria a Reforma Protestante. A tradição diz que foi pregado na porta da igreja do castelo de Wittenberg, mas historiadores hoje debatem se isso de fato ocorreu.

Novo Testamento em alemão

1522

Traduzido durante o exílio no castelo de Wartburg, tornou o texto sagrado acessível ao povo comum pela primeira vez.

Catecismo Menor e Catecismo Maior

1529

Manuais de instrução na fé cristã, escritos para famílias e pastores, ainda usados em igrejas luteranas hoje.

Bíblia completa em alemão

1534

Tradução integral das Escrituras que ajudou a unificar e modernizar a língua alemã escrita.

Hino Castelo Forte é o Nosso Deus

cerca de 1529

Composição que se tornou um dos hinos mais conhecidos da Reforma e ainda é cantada em igrejas protestantes.

Contra as hordas assassinas e ladras de camponeses

1525

Panfleto em que pediu a repressão violenta da revolta camponesa, episódio hoje reconhecido como um grave erro de julgamento.

Sobre os judeus e suas mentiras

1543

Tratado tardio de ataques virulentos aos judeus, reconhecido hoje como uma mancha grave em sua obra.

Contribuições
1

Bíblia na língua do povo

Sua tradução das Escrituras para o alemão tornou a leitura direta da Bíblia possível para leigos e ajudou a padronizar a língua alemã escrita.

2

Justificação pela fé

Recolocou no centro da fé cristã a convicção de que a salvação vem pela graça mediante a fé, não pelo mérito das obras humanas.

3

Culto e música em língua vernácula

Reformou a liturgia e compôs hinos em alemão, dando à congregação um papel ativo no canto e na oração públicos.

4

Educação para todos

Defendeu escolas para meninos e meninas, ligando a alfabetização à possibilidade de cada pessoa ler a Bíblia por si mesma.

Legado missionário

A convicção de que a Bíblia deve estar na língua do povo inspira, até hoje, o trabalho de tradutores bíblicos e organizações missionárias em centenas de línguas ao redor do mundo.

O princípio de que a Escritura é a autoridade final para a fé segue como base da pregação e do discipulado em igrejas evangélicas de todos os continentes.

Sua defesa da leitura pessoal da Bíblia ajudou a moldar a cultura de alfabetização bíblica que hoje sustenta escolas dominicais e cursos de leitura no campo missionário.

O movimento que iniciou deu origem, com o tempo, a denominações protestantes que hoje mantêm agências de missão transcultural em dezenas de países.

Outras pessoas