Poucos livros da Bíblia abrem o coração de Deus com a simplicidade de João. Logo no primeiro versículo o leitor é levado antes da criação do mundo, para descobrir que Jesus, chamado de “a Palavra”, sempre existiu e sempre foi Deus.
Esse começo solene prepara o terreno para tudo o que vem depois: este não é apenas o relato de um bom mestre, mas o testemunho de que o próprio Criador se fez carne e viveu entre nós.
Diferente de Mateus, Marcos e Lucas, que contam muitos episódios da vida de Jesus, João escolhe menos cenas e mergulha fundo em cada uma.
O evangelho está organizado ao redor de sete sinais, milagres com significado, como transformar água em vinho e ressuscitar Lázaro, e de sete declarações em que Jesus diz “Eu sou”: o pão da vida, a luz do mundo, a porta, o bom pastor, a ressurreição e a vida, o caminho, a verdade e a vida, e a videira verdadeira.
Cada uma dessas imagens responde a uma pergunta profunda do coração humano: de onde vem o alimento que realmente sacia, quem ilumina a escuridão, quem guarda a vida para sempre.
O evangelho também reserva um espaço generoso para os últimos momentos de Jesus com seus discípulos, os capítulos 13 a 17, onde ele lava os pés dos discípulos, promete o Espírito Santo e ora por eles antes da cruz.
Ali se revela um Deus que serve, que consola e que deseja intimidade com quem o segue. A cruz e a ressurreição, no capítulo final da narrativa dos fatos, não são tratadas como derrota, mas como o momento em que Jesus é glorificado e vence a morte.
João escreve com um propósito declarado: que o leitor creia que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e, crendo, tenha vida em seu nome. Não é um livro para satisfazer curiosidade histórica, mas um convite direto à fé. Cada sinal, cada discurso, cada diálogo, com Nicodemos, com a samaritana, com Pilatos, empurra o leitor para essa decisão.
Ler João é caminhar ao lado de alguém que conheceu Jesus de perto e nunca se cansou de contar o que viu. Que este evangelho conduza você à mesma conclusão a que ele chegou: crer em Jesus e, nele, encontrar vida que não acaba.