As missões modernas são um movimento de expansão do anúncio do evangelho que ganhou força entre os protestantes a partir do século XVIII. Igrejas e grupos de cristãos passaram a organizar de modo mais amplo a oração, o sustento e o envio de missionários para servir entre outros povos, aprender suas línguas e formar comunidades de seguidores de Jesus.
A palavra “modernas” identifica uma etapa da história, não o começo da missão cristã. Desde os tempos dos apóstolos, cristãos atravessaram fronteiras para anunciar Cristo, e comunidades católicas, ortodoxas e protestantes participaram dessa história em épocas e lugares diferentes. A novidade desse período foi a ampliação de formas organizadas de participação missionária entre igrejas protestantes.
Como esse movimento ganhou força
No século XVIII, movimentos de renovação espiritual despertaram em muitos cristãos o desejo de compartilhar a fé além de sua própria região. Entre eles estavam os morávios, uma comunidade protestante que unia vida comunitária, oração e envio de missionários. A partir de 1732, seus enviados começaram a atuar no Caribe, tornando-se uma referência importante para o movimento missionário protestante.
No fim daquele século, William Carey, um cristão batista inglês, defendeu que a ordem de Jesus para fazer discípulos continuava sendo responsabilidade da igreja. Em 1793, ele chegou à Índia, onde participou de trabalhos de tradução bíblica, educação e anúncio do evangelho. Sua atuação ajudou a estimular outras iniciativas de envio e cooperação entre cristãos.
Carey ocupa um lugar importante nessa história, mas não trabalhou sozinho nem inaugurou toda a atividade missionária. Houve predecessores, companheiros e colaboradores locais indispensáveis. Recordar isso ajuda a enxergar a missão como obra compartilhada pelo povo de Deus, sem reduzir sua história à trajetória de alguns nomes conhecidos.
A missão nasce da ordem de Jesus
O fundamento das missões modernas não é uma descoberta do século XVIII. Em Mateus 28:18-20, Jesus ressuscitado envia seus discípulos a fazer discípulos de todas as nações, batizando e ensinando a obedecer ao que ele ordenou. Essa passagem é chamada de Grande Comissão, isto é, a tarefa confiada por Cristo aos seus seguidores.
Fazer discípulos envolve anunciar quem Jesus é e acompanhar pessoas no aprendizado de uma vida de fé e obediência. A missão não se encerra com uma decisão inicial nem se resume a transmitir costumes religiosos. Seu centro é a reconciliação com Deus por meio de Cristo e a formação de comunidades que vivam segundo sua palavra.
A oração também pertence ao centro dessa tarefa. Diante de pessoas aflitas e desamparadas, Jesus demonstrou compaixão e orientou seus discípulos a pedir trabalhadores a Deus, conforme Mateus 9:36-38. A imagem da colheita, um campo pronto para a colheita, ensina que o trabalho pertence ao Senhor e depende dele.
“Peçam, pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para a sua colheita.”
Mateus 9:38
O que mudou na participação das igrejas
O movimento aproximou a responsabilidade de enviar missionários da vida cotidiana de muitas comunidades. As sociedades missionárias, associações criadas para organizar esse serviço, reuniam ofertas, preparavam enviados e compartilhavam notícias do trabalho. Assim, pessoas que permaneciam em sua cidade podiam participar por meio da oração, da contribuição e do cuidado com quem partia.
Aprender línguas e traduzir a Bíblia tornaram-se atividades importantes em muitos lugares. Para compreender as Escrituras, uma pessoa precisa entender suas palavras e seu sentido, e não apenas ouvir expressões estrangeiras. Esse trabalho exigiu a colaboração de falantes locais, cuja participação foi essencial para comunicar a mensagem com clareza.
Ao longo do tempo, igrejas locais passaram também a enviar seus próprios missionários. O anúncio do evangelho não ficou restrito a um movimento da Europa ou da América do Norte para outras regiões. Cristãos da África, da Ásia e da América Latina tornaram-se participantes importantes do envio para outros povos, inclusive a partir do Brasil.
Frutos e erros que exigem discernimento
Essa história inclui traduções das Escrituras, formação de igrejas, escolas e serviços de cuidado. Inclui também perdas, conflitos e atitudes que precisam ser reconhecidas com honestidade. Em alguns contextos, a atividade missionária se aproximou de interesses coloniais ou confundiu a fé cristã com a adoção de costumes estrangeiros.
O evangelho exige arrependimento e transforma a vida, mas não autoriza desprezar um povo. Aprender sua língua, ouvir sua história e reconhecer a responsabilidade dos cristãos locais são expressões de respeito. O missionário serve melhor quando coopera com a igreja que está nascendo ou já existe, sem tratar seus membros como dependentes permanentes.
Uma responsabilidade por todas as nações
Na missão cristã, olhar para as nações envolve mais do que observar fronteiras políticas. Dentro de um mesmo país podem existir povos com línguas e histórias distintas. Povos não alcançados são grupos étnicos em que a comunidade cristã local, quando existe, ainda é pequena demais para levar o evangelho a todo o seu povo sem ajuda de fora.
Conhecer a história das missões modernas pode tornar nossa oração mais concreta. Podemos pedir que pessoas tenham acesso às Escrituras em sua língua, que igrejas locais sejam fortalecidas e que missionários aprendam a servir com humildade. Também podemos acompanhar um povo específico, conhecer suas necessidades e perseverar em oração por ele.
