Povo
Ramesh Lalwani - Flickr, CC BY 2.0, via Joshua Project
Povo não alcançado
Os Gond Ghotul Muria são um povo indígena das florestas do estado de Chhattisgarh, no centro da Índia. Pertencem à grande família dos gonds, considerada a maior tribo de origem dravidiana do subcontinente, e carregam no nome a marca de uma instituição que molda a vida dos jovens: o ghotul, a casa comunitária onde meninos e meninas crescem aprendendo juntos.
Também são conhecidos como Gond Chifre de Bisão. Vivem em aldeias próximas à mata, junto a margens de rio, e mantêm uma identidade própria dentro do mundo gond, com costumes, canções e formas de convivência que passam de geração em geração.
Sua língua do coração é o gondi, de raiz dravidiana, mas convivem diariamente com outras línguas da região, como o hindi, o chhattisgarhi e o halbi. Essa vida entre idiomas reflete um povo pequeno diante de vizinhos numerosos, que preserva sua herança enquanto dialoga com o mundo ao redor.
Os próprios estudiosos admitem que não se sabe com certeza de onde os gonds vieram. O que se vê é um povo antigo, de língua dravidiana, que ocupou por séculos as regiões florestais do centro da Índia e ali formou clãs e tradições próprias. Reis gonds governaram no século XVI, e algumas propriedades da nobreza gond sobreviveram até a independência da Índia.
Os Ghotul Muria vivem em Chhattisgarh, onde a vida ao redor da floresta definiu seu modo de viver. A tradição gond liga a origem do ghotul a Lingo, figura ancestral e divina do imaginário tribal, o que mostra como a instituição é antiga e entrelaçada com a memória do povo. Hoje, mudanças sociais e a influência das cidades pressionam essas tradições, e em muitas comunidades o ghotul está se transformando.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Índia Não alcançado
|
100%
|
22.000 |
A maioria vive da agricultura, em terras próprias perto da mata. As famílias mais abastadas cultivam arroz, outros grãos e lentilhas verdes, e criam cabras e gado. Os mais pobres trabalham como diaristas nas lavouras, sobretudo no plantio e na colheita. A vida se organiza em aldeias, com laços de parentesco fortes, e o casamento entre primos é comum.
O ghotul ocupa lugar central na formação dos jovens. Ali, meninos e meninas, chamados de cheliks e motiaris, convivem sob a liderança de jovens mais velhos, aprendem canções, danças, trabalho e regras de convivência. É uma escola comunitária de valores, ofícios e pertencimento, e um espaço de alegria e festa compartilhada com a aldeia.
A maior parte do povo é registrada como hindu, mas o hinduísmo que praticam está misturado com a religiosidade tribal herdada dos antepassados. A vida espiritual gira em torno de divindades de família e de clã, de espíritos e da figura ancestral de Lingo, que a tradição gond associa à origem do ghotul.
Muitos entendem que doenças e infortúnios vêm de feitiçaria e de espíritos maus. Para se proteger, recorrem a sacrifícios de sangue conduzidos por um sacerdote que serve a algumas aldeias, e o animal precisa dar sinal de consentimento diante de todos. A fé não é uma escolha individual isolada: faz parte do que significa ser gond, ligada à terra, aos ancestrais e às festas que unem a comunidade.
Há porções das Escrituras em gondi do norte desde o século XIX, e o Novo Testamento foi publicado no fim do século XX, mas a Bíblia completa ainda não existe nessa língua. Como muitos vivem em aldeias de tradição oral e convivem com outras línguas, o texto escrito alcança poucos. Um filme sobre a vida de Jesus, gravações de áudio e materiais ilustrados já existem em gondi e abrem caminho para que a Palavra chegue pela escuta e pela imagem.
Um povo só entende o evangelho de verdade quando o ouve na língua do seu coração. Veja em que estágio está a tradução.
Dados de tradução: Joshua Project.
Para os Ghotul Muria, ser gond é estar ligado aos ancestrais, aos espíritos e às festas comuns, de modo que seguir a Jesus pode ser visto como romper com a comunidade. A presença cristã entre eles é muito pequena, e poucos conhecem alguém que siga Cristo. Somam-se a falta da Bíblia completa na língua e a pressão religiosa do ambiente indiano, que torna a mudança de fé socialmente custosa.
Há necessidade de melhores oportunidades de educação e de acesso à saúde. Quando a doença é entendida como obra de espíritos, o cuidado médico e o cuidado espiritual se confundem, e a comunidade precisa de esclarecimento e de apoio fraterno.
Espiritualmente, falta ao povo ouvir o evangelho em sua língua, de pessoas que o vivam com respeito pela cultura. Eles precisam de comunidades de fé que nasçam de dentro, valorizando as canções, a convivência e os vínculos do povo, e de discípulos que anunciem a libertação em Cristo sem desprezar o que há de bom na herança gond.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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