Povo
Povo não alcançado Fronteira
Os madaris de tradição hindu são uma comunidade dálit espalhada por vários estados do sul e do centro da Índia, com maior concentração em Tamil Nadu e presença também em Kerala, Puducherry, Telangana, Karnataka, Andhra Pradesh, Delhi e Goa. Falam majoritariamente o tâmil, além de télugo, canarês, malaiala, hindi e guzerate, conforme a região onde vivem.
Historicamente reconhecidos por sua arte de encantar serpentes e apresentar espetáculos com macacos e ursos, os madaris carregam um nome que se tornou sinônimo, na Índia, da figura itinerante do domador de animais. Essa vocação artística, transmitida de geração em geração, moldou por séculos sua relação com o restante da sociedade indiana, quase sempre como um povo à margem, presente nas festas e feiras das aldeias, mas raramente integrado à vida social ao redor.
Existe também um ramo muçulmano dessa mesma linhagem, mas os madaris de tradição hindu mantêm firme sua própria identidade religiosa e seus próprios costumes.
Os madaris descendem de comunidades nômades de artistas populares que, como os nats e os bazigares, percorriam vilarejo após vilarejo com serpentes amestradas, macacos e ursos treinados, vivendo do que recebiam em troca dos espetáculos. Com o tempo, essa itinerância e a proximidade com animais considerados impuros pelos costumes hindus tradicionais empurraram o povo para o degrau mais baixo da hierarquia de castas, e hoje são reconhecidos oficialmente como casta agendada em vários estados indianos. Nas últimas décadas, leis de proteção à vida selvagem proibiram a captura e a exibição de serpentes e ursos, forçando muitas famílias madari a abandonar o ofício que definia sua identidade e a buscar novos meios de sustento, muitas vezes sem preparo para a mudança.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Índia Não alcançado
|
100%
|
274.000 |
Com a proibição da captura de animais selvagens, muitos madaris trocaram o palco itinerante por outras formas de sustento, como o comércio informal de rua e o trabalho diarista em obras e serviços gerais. Outros se fixaram em bairros populares de cidades de Tamil Nadu e de outros estados, buscando emprego no dia a dia, deixando para trás a vida nômade que por gerações definiu a família madari.
A vida social gira em torno do conselho de casta, que aprova casamentos, acompanha nascimentos e resolve disputas internas, e as celebrações familiares reúnem a comunidade em festas simples, com comida e bebida compartilhadas entre vizinhos e os mais velhos.
Os madaris são hindus, devotos de diferentes divindades e participantes fiéis do calendário de festas que marca o ano na Índia, como Diwali, Holi e Navratri, celebradas em casa e nos templos do bairro. Pequenos altares domésticos, orações diante das imagens dos deuses e rituais de purificação que acompanham nascimentos e casamentos fazem parte da rotina de fé de cada família.
Como casta historicamente tratada como intocável dentro da hierarquia tradicional, porém, sua religiosidade convive com uma exclusão social que os mantém à margem dos espaços de culto e da vida comunitária de hindus de castas superiores, uma ferida que atravessa gerações e molda a forma como enxergam a si mesmos diante do sagrado.
O tâmil, língua da maioria dos madaris, tem uma das traduções bíblicas mais antigas da Índia, completa desde o século dezoito e hoje disponível também em áudio e em aplicativos digitais. Essa riqueza de recursos, porém, raramente chega às famílias madari: a distância social imposta pela casta e a vida dispersa por bairros populares afastam a comunidade dos círculos onde a Escritura circula, deixando a Palavra tecnicamente acessível, mas praticamente distante do seu dia a dia.
Ser madari na Índia é carregar o peso de uma casta historicamente tratada como intocável, o que já isola a comunidade do convívio com outros grupos, inclusive cristãos. A perda do ofício tradicional após as leis de proteção à vida selvagem aprofundou a pobreza e a instabilidade, e a dispersão das famílias por vários estados dificulta qualquer testemunho contínuo. Some-se a isso a identidade hindu popular, vivida por meio de festas e devoções cotidianas, que funciona como um forte laço social que poucos se arriscam a romper.
Além do sustento diário, agora mais incerto com o fim da arte que os identificava, os madaris precisam de acesso a educação e saúde, ainda escassos entre famílias de casta tão marginalizada. A transição para novos ofícios exige capacitação e oportunidades que raramente chegam a essa comunidade.
No campo espiritual, falta quase por completo uma presença cristã que conheça de perto sua realidade: não há comunidade de fé nem discipulado que acompanhe os poucos passos que alguém dessa origem possa dar rumo a Jesus.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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