Povo
Steve Evans - Wikimedia, Creative Commons, via Joshua Project
Povo não alcançado Fronteira
Os chamares muçulmanos são uma comunidade do Paquistão ligada, por origem, ao trabalho tradicional com couro: o próprio nome vem de uma palavra que significa “quem trabalha o couro”. Estão presentes principalmente na província de Sindh, onde se concentra a maior parte do grupo, além de comunidades também em Punjab, perto de Lahore, e no Khyber-Pakhtunkhwa. Vivem lado a lado com parentes hindus que carregam o mesmo sobrenome de casta em outras partes do subcontinente indiano.
Mesmo tendo adotado o islã, o povo carrega até hoje o peso de uma hierarquia social herdada: o ofício do couro, que envolve lidar com peles e carcaças de animais, ainda é visto por muitos vizinhos como impróprio e mal cheiroso, e isso marca a posição da comunidade mesmo dentro de uma sociedade majoritariamente muçulmana.
Apesar do estigma herdado, os chamares muçulmanos mantêm um forte senso de identidade própria, organizada em clãs e sustentada por laços de parentesco e casamento que atravessam gerações.
A origem dos chamares remonta a comunidades de trabalhadores do couro do subcontinente indiano, cujo nome deriva do termo em hindi para couro. Por séculos, esse ofício foi reservado a grupos colocados na base da hierarquia social da região, uma posição que sobreviveu a mudanças de religião e de fronteira.
Com a divisão do subcontinente e a formação do Paquistão, parte dos chamares que haviam se convertido ao islã permaneceu no território paquistanês, sobretudo em Sindh e Punjab, enquanto parentes de tradição hindu seguiram vivendo do outro lado da fronteira, na Índia. Assim, um mesmo povo de origem acabou dividido por religião e por país, mas conservando o nome e boa parte dos costumes.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Paquistão Não alcançado
|
100%
|
213.000 |
O trabalho com couro, calçados e artigos de couro segue presente na vida de muitas famílias, ao lado de trabalho diarista e pequenos negócios que complementam a renda. A vida social gira em torno do clã, que orienta desde a criação dos filhos até a escolha de cônjuge: os casamentos costumam ser arranjados entre adultos, fora do próprio clã, mas dentro da comunidade chamar.
A honra da família e a solidariedade entre parentes têm peso grande nas decisões do dia a dia, e é comum que gerações de uma mesma família morem próximas, ajudando-se mutuamente diante das dificuldades econômicas e do preconceito social que ainda enfrentam.
Os chamares muçulmanos seguem o islã sunita, e desde cedo as crianças aprendem que essa é a religião perfeita e que o Alcorão é a palavra de Deus sem mistura. Essa formação religiosa é transmitida com firmeza dentro da família e reforçada pela comunidade ao redor, com a oração, o jejum e a leitura do Alcorão marcando o ritmo espiritual do lar.
A fé islâmica caminha lado a lado com a identidade de casta: ser chamar e ser muçulmano se tornaram, para a maioria, partes inseparáveis de quem são, o que reforça a resistência a qualquer mensagem religiosa vista como estranha ao grupo e ajuda a explicar por que tão poucos, entre eles, já consideraram outra fé.
A Bíblia completa está disponível há décadas no sindi, língua falada por parte significativa dos chamares muçulmanos, e o Novo Testamento também existe em urdu e em punjabi ocidental, idiomas usados por outros tantos no grupo. A limitação não está, portanto, na falta de um texto acessível, mas na formação islâmica recebida desde a infância, que funciona como barreira à leitura ou à consideração de qualquer escrito cristão, tornando rara a circulação da Palavra entre famílias chamar.
Praticamente nenhum chamar muçulmano já abraçou a fé em Jesus. Desde cedo, as crianças são ensinadas que o islã é a religião perfeita e que o Alcorão é a palavra de Deus sem mistura, uma convicção que fecha a mente à possibilidade de salvação pela fé em Cristo. A isso soma-se o peso da posição social herdada da casta, que aumenta a resistência a qualquer mudança percebida como abandono da comunidade.
O estigma ligado ao trabalho tradicional com couro ainda pesa sobre a comunidade, mesmo entre muçulmanos, e se traduz em discriminação social e em oportunidades mais limitadas de trabalho e ascensão. Há necessidade real de dignidade reconhecida e de melhores condições de vida para famílias que seguem, geração após geração, presas a um lugar social que não escolheram.
No campo espiritual, a comunidade carece quase por completo de qualquer contato com a fé cristã: não há igreja local nem presença de crentes conhecidos entre os chamares muçulmanos, o que torna o primeiro encontro com o evangelho algo raro.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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