Povo
Povo não alcançado Fronteira
Os khattares formam um dos grupos étnicos de destaque no norte do Punjab paquistanês, concentrados sobretudo nos distritos de Rawalpindi, Attock e Chakwal, com famílias também em Jhang e Layyah, mais ao sul. Tradicionalmente donos de terra na região conhecida como o “trato khattar”, entre a cordilheira de Kala Chitta e o rio Indo, construíram ao longo de gerações uma identidade ligada tanto à propriedade rural quanto ao prestígio de clã.
De modo geral, são um povo próspero, com exceção dos pequenos arrendatários e proprietários mais modestos. Nas últimas cinco ou seis décadas, famílias khattares de destaque passaram a se casar também com caxemiras e pachtos, ampliando as alianças familiares para além do próprio grupo. Vivem principalmente em áreas rurais, mas mantêm presença urbana relevante em Rawalpindi e Lahore.
A tradição do próprio povo khattar remonta a um suposto ancestral árabe, Abu al-Khattar, governador do al-Andalus no período omíada, cuja linhagem teria migrado após a queda do domínio muçulmano na Espanha, passando por Turquia, Irã e Afeganistão até chegar ao noroeste do subcontinente indiano. Outras tradições locais associam a origem do grupo a conversões de famílias rajputes ao islã durante as invasões muçulmanas da Idade Média, com influências turcas somadas por casamentos ao longo dos séculos.
Fixados havia gerações na região entre Rawalpindi e o rio Indo, que veio a ser chamada de território khattar, o grupo construiu ali uma identidade de clã ligada à terra, que atravessou os diferentes períodos de domínio na região e segue central até hoje.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Paquistão Não alcançado
|
100%
|
102.000 |
A maior parte dos khattares vive da terra: cerca de dois terços se dedicam à agricultura, a maioria como pequenos proprietários, ainda que também existam famílias com grandes propriedades na região entre Rawalpindi e o rio Indo. Os que deixaram o campo se estabeleceram principalmente em Rawalpindi e Lahore, onde ocupam posições comerciais e profissionais.
A vida social ainda gira em torno da família extensa e da reputação do clã, com forte senso de hospitalidade e de obrigação mútua entre parentes. Casamentos entre famílias khattares, e nas últimas décadas também com famílias caxemiras e pachtos, ajudam a manter os laços entre os diferentes ramos do grupo espalhados pelo Punjab.
Praticamente todos os khattares no Paquistão são muçulmanos sunitas, e os que vivem em áreas rurais tendem a viver essa fé com particular seriedade e dedicação, integrando a prática islâmica à rotina diária da comunidade e da família extensa. A identidade religiosa se confunde com a identidade de clã: ser khattar é, na prática, ser muçulmano, e essa sobreposição molda desde os costumes domésticos até as alianças de casamento entre famílias.
Essa identidade islâmica se consolidou ao longo de gerações mesmo em meio a tradições de origem diversas, algumas delas remontando a conversões de famílias que antes seguiam outras fés, um sinal de como o pertencimento religioso se firmou como parte inseparável da identidade do clã.
Os khattares falam principalmente dialetos do punjabi, com uso também de pahari e urdu em contextos formais. O punjabi já conta com partes das Escrituras traduzidas, mas é uma língua majoritariamente falada por muçulmanos, com pouquíssimos leitores cristãos nativos, o que limita a circulação natural da Bíblia dentro da comunidade. Para a maioria dos khattares, as Escrituras continuam sendo um livro desconhecido, associado a uma fé estrangeira.
Entre os khattares, ser muçulmano sunita e pertencer ao clã são a mesma coisa: abandonar o islã é visto como trair a família e a linhagem, algo praticamente impensável em uma sociedade onde a honra e a reputação do clã pesam mais que a escolha individual. Nas áreas rurais, onde a devoção islâmica é mais intensa e a vida gira em torno da terra e da vizinhança conhecida, qualquer aproximação com outra fé tende a ser notada e reprimida socialmente antes mesmo de virar uma questão religiosa. A ausência de igrejas locais e de contato com cristãos torna o primeiro encontro com o evangelho um evento raro.
Como pequenos agricultores e arrendatários numa economia rural sujeita a oscilações de safra e preço da terra, muitas famílias khattares enfrentam instabilidade financeira mesmo em meio à prosperidade relativa do grupo como um todo. A maior carência, porém, é espiritual: não há, até onde se sabe, comunidade cristã formada entre os khattares, o que significa que qualquer pessoa do grupo que viesse a seguir Jesus encontraria, hoje, silêncio e isolamento em vez de irmãos na fé, discipulado ou apoio para atravessar o custo social dessa decisão.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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