Povo
Povo não alcançado Fronteira
Os pashtuns dilazak são um ramo do grande povo pashtun, pertencente à divisão karlani dos afegãos, que hoje vive disperso entre o Paquistão e a Índia. Foram, séculos atrás, os senhores do vale de Peshawar e de vastas terras entre o Afeganistão oriental e as montanhas de Hazara, mas hoje formam uma minoria dentro de sua própria história.
Muitos se estabeleceram em Khyber Pakhtunkhwa, no Punjab e em Sindh, enquanto outros vivem entre falantes de urdu na Índia. Em algumas regiões, esqueceram até o próprio pashto, adotando o hindko como língua do dia a dia, um sinal de quanto sua identidade foi remodelada pelo tempo e pela convivência com outros povos. Ainda assim, carregam o nome de uma tribo que já governou onde hoje são hóspedes.
No século XI, os dilazaks cruzaram o desfiladeiro de Khyber vindos do leste afegão e da região de Bajaur, ocupando o vale de Peshawar então habitado por povos locais. Tornaram-se, por gerações, a força pashtun dominante entre Nangarhar e Hazara, e um de seus chefes chegou a se aliar a Mahmud de Ghazni em uma expedição militar.
A situação mudou no século XVI, quando os yousafzais, expulsos de Cabul, buscaram refúgio entre os dilazaks e depois se voltaram contra eles. Derrotados na batalha de Katlang, os dilazaks foram empurrados para além do rio Indo, perdendo o domínio da terra que antes era sua.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Paquistão Não alcançado
|
70,3%
|
149.000 |
Índia Não alcançado
|
29,7%
|
63.000 |
Hoje os dilazaks vivem principalmente da agricultura e do trabalho local, muito diferente do tempo em que dominavam grandes territórios. Estão espalhados por cidades e vilarejos de Peshawar, Haripur e da região de Chach, onde se misturaram a outros grupos étnicos e, em alguns casos, trocaram o pashto pelo hindko no cotidiano. Alguns cultivam a terra da família, enquanto outros buscam empregos assalariados nas cidades vizinhas para sustentar a casa.
Mesmo dispersos, muitos ainda se orientam pelo pashtunwali, o código pashtun de honra, hospitalidade e resolução de conflitos pelos anciãos da família. A palavra empenhada, o acolhimento ao hóspede e a defesa da honra do clã continuam moldando decisões que vão muito além da religião.
Praticamente todos os dilazaks são muçulmanos sunitas, e o islã é vivido como parte inseparável do ser pashtun. A oração, o jejum e a vida ao redor da mesquita se entrelaçam com o pashtunwali, o código de honra da tribo, de modo que abandonar a fé é entendido como abandonar a própria família e o próprio clã.
Os líderes religiosos locais têm papel central na vida comunitária, orientando desde disputas de terra até decisões familiares e casamentos. Essa fusão entre religião, código de honra e identidade étnica torna a fé pessoal quase inseparável da pertença ao grupo, deixando pouco espaço para escolhas individuais em matéria de crença.
Entre os dilazaks do Paquistão, que falam sobretudo pashto central, já existem o Novo Testamento e porções bíblicas traduzidas, mas a Bíblia completa ainda não chegou a essa língua, e poucos tiveram contato mesmo com o que já foi traduzido. Já entre os que vivem na Índia e falam urdu, a Bíblia completa está disponível há muito tempo, embora isso não signifique que as famílias dilazaks a conheçam ou a tenham em mãos.
Para um dilazak, ser pashtun é ser muçulmano, e essa identidade dupla, reforçada pelo pashtunwali, faz da conversão algo visto como traição à família e ao clã, não apenas mudança de religião. A dispersão do povo, hoje minoria em terras que antes governava e muitas vezes absorvida por outros grupos linguísticos, dificulta ainda mais que alguém os reconheça como um povo distinto a ser alcançado, deixando-os praticamente invisíveis mesmo entre os próprios pashtuns.
Muitos dilazaks vivem hoje a experiência de ver sua língua e sua história se diluírem diante de povos vizinhos mais numerosos, o que aumenta a necessidade de dignidade e de reconhecimento como povo com identidade própria. Espiritualmente, precisam da Palavra de Deus em uma língua e de um jeito que realmente alcance o coração pashtun, e de irmãos que caminhem ao lado de quem, um dia, decidir seguir Jesus em meio a uma família e um clã que podem não compreender essa escolha.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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