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Povo não alcançado
Os Asheninka do Ucayali-Yurua são um subgrupo dos povos Asháninka e Ashéninka, pertencentes à grande família linguística Aruak (Arawak), uma das mais extensas da Amazônia. Sua região de origem e ocupação tradicional se estende pela fronteira entre o Peru e o Brasil, abrangendo bacias de rios como o Ucayali e o Yurua. No território brasileiro, vivem sobretudo no Estado do Acre, em terras indígenas situadas no alto rio Juruá e seus afluentes, próximas à divisa com o Peru. Estima-se que cerca de mil pessoas desse grupo vivam em território brasileiro, parte de uma população maior espalhada pelos dois países.
Muitos dos Asheninka que hoje estão no Brasil descendem de famílias que migraram do lado peruano ao longo do último século, em parte por causa das pressões e violências do período da exploração da borracha. Apesar dessa história de deslocamentos, mantêm forte identidade étnica, transmitida pela língua materna, pelos cantos, pelos saberes da floresta e pela memória dos antepassados. A língua asheninka continua viva no dia a dia das aldeias e é elemento central de sua identidade.
Vivendo às margens dos rios e no interior da mata, organizam-se em comunidades ligadas por laços de parentesco. São conhecidos pela resistência cultural e pelo cuidado com o território, defendendo suas terras de invasões e da degradação ambiental, ao mesmo tempo em que buscam meios de sustentar suas famílias e preservar seu modo de vida diante das transformações do mundo ao redor.
O sustento dos Asheninka vem principalmente da floresta e dos rios. Praticam a agricultura de pequenas roças, onde cultivam mandioca, banana, milho e outras plantas, além de viverem da pesca, da caça e da coleta de frutos e produtos da mata. O conhecimento profundo do ambiente é passado de geração em geração e orienta o calendário de plantio, de pesca e de uso dos recursos naturais. O artesanato, feito com fibras, sementes e materiais da floresta, tem importância tanto cultural quanto, em algumas comunidades, como fonte de renda.
A organização social é flexível e tem como base a família nuclear, ligada a outras famílias por relações de parentesco e cooperação. As decisões costumam ser tomadas no coletivo, valorizando a palavra dos mais velhos e dos líderes reconhecidos pela comunidade. Entre os principais desafios atuais estão a pressão sobre seus territórios, a presença de atividades ilegais nas regiões de fronteira, o acesso limitado a serviços de saúde e educação e a busca por autonomia econômica sem perder a identidade e o vínculo com a terra.
A grande maioria dos Asheninka do Ucayali-Yurua segue religiões étnicas tradicionais, segundo os dados disponíveis. Sua cosmovisão é marcada por uma compreensão integrada entre os seres humanos, os animais, as plantas e o mundo invisível dos espíritos. A floresta, os rios e os seres que neles habitam são percebidos como dotados de força e sentido, e o equilíbrio entre as pessoas e esse mundo é cuidado por meio de práticas, cantos e do saber de figuras respeitadas que medeiam a relação com o sagrado.
A proporção de cristãos entre eles é muito pequena, em torno de um por cento, sendo ainda menor o número dos que se identificam como evangélicos. O Novo Testamento já foi traduzido para a língua do grupo, o que abre caminho para que a mensagem do evangelho possa ser compreendida no idioma do coração. Ainda assim, a maior parte do povo permanece sem um conhecimento vivo e pessoal de Jesus Cristo, e o testemunho cristão entre eles é incipiente.
Os Asheninka do Ucayali-Yurua carregam necessidades espirituais profundas: a maior parte ainda não conhece o evangelho de forma viva e pessoal, mesmo havendo o Novo Testamento em sua língua. Há necessidade de que essa Palavra seja compartilhada com respeito e amor, em formas acessíveis a uma cultura de forte tradição oral, e de que surjam testemunhas cristãs dentro do próprio povo. No campo prático, enfrentam a defesa de seus territórios, ameaças ambientais na região de fronteira, carências de saúde e de educação e a busca por um sustento digno que não comprometa sua identidade. Interceder por eles é pedir que conheçam a esperança em Cristo sem perder o que Deus já lhes deu de bom em sua cultura e em sua relação com a terra.
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