Povo
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Cem Ahiska - Wikimedia, CC BY-SA 4.0, via Joshua Project
Povo não alcançado Fronteira
Os turcos meskhetianos são um povo turco originário da região da Meskétia, no sudoeste da Geórgia, hoje espalhado por diversos países da antiga União Soviética, além da Turquia e de outras nações para onde emigraram. Ligados pela língua e pela fé muçulmana, mantêm um forte senso de identidade coletiva mesmo vivendo como minoria distante de sua terra ancestral.
Historicamente um povo rural, são conhecidos pela dedicação à agricultura e pela capacidade de recomeçar a vida onde quer que se estabeleçam. Essa resiliência nasceu da própria trajetória do povo, marcada por deslocamentos forçados que os espalharam por lugares muito distantes uns dos outros.
Apesar da dispersão geográfica, os turcos meskhetianos preservam um desejo forte de reencontro e de renascimento cultural. Os laços familiares e o sentimento de pertencimento a uma mesma origem seguem sendo o elo que os une, ainda que vivam em países e sob línguas cotidianas diferentes.
A identidade turco meskhetiana se formou na região da Meskétia, no sul da Geórgia, onde o povo viveu por gerações sob forte influência turca, o que moldou sua língua e sua fé muçulmana em meio a uma população majoritariamente georgiana. Em novembro de 1944, sob ordens de Stálin, o regime soviético deportou à força toda a população da região, cerca de cem mil pessoas, para a Ásia Central, acusando o povo de deslealdade por seus laços com a Turquia.
Reassentados sobretudo no Uzbequistão, viveram décadas de exílio até que, em 1989, uma onda de violência na região de Fergana os forçou a fugir novamente, desta vez para o Azerbaijão, a Rússia e outras repúblicas vizinhas. Esse segundo deslocamento consolidou a atual dispersão do povo por diversos países, sem que jamais lhes fosse permitido retornar em massa à terra de origem.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Rússia Não alcançado
|
35%
|
70.000 |
Cazaquistão Não alcançado
|
26,5%
|
53.000 |
Quirguistão Não alcançado
|
13%
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26.000 |
Turquia Não alcançado
|
11,5%
|
23.000 |
Estados Unidos Não alcançado
|
8,5%
|
17.000 |
Azerbaijão Não alcançado
|
2,5%
|
5.000 |
Ucrânia Não alcançado
|
1,6%
|
3.200 |
Geórgia Não alcançado
|
0,7%
|
1.400 |
Uzbequistão Não alcançado
|
0,7%
|
1.300 |
Tradicionalmente um povo de agricultores, os turcos meskhetianos são reconhecidos onde quer que se estabeleçam pela dedicação ao cultivo da terra e pela habilidade de prosperar mesmo em condições adversas. Essa vocação rural sobreviveu a décadas de deslocamento forçado e recomeço em terras novas, de repúblicas da Ásia Central à Rússia e à Turquia.
A família estendida é o centro da vida social: são os laços familiares que sustentam a identidade e transmitem costumes, língua e memória de geração em geração, especialmente importantes para um povo que viveu sucessivos exílios. A coesão social é muito valorizada, e o cuidado mútuo dentro da rede familiar funciona como rede de proteção diante da instabilidade.
Os turcos meskhetianos são muçulmanos sunitas, e essa fé está entrelaçada com a própria sobrevivência do povo: foi em parte por causa dela, e dos laços que ela representava com a Turquia, que sofreram a deportação de 1944. Professar o islã tornou-se, assim, também uma forma de honrar a memória dos antepassados e resistir ao apagamento cultural.
A prática da fé segue de perto os costumes islâmicos tradicionais da região de origem, reforçados pela vida em comunidades fechadas e pela necessidade histórica de manter viva uma identidade ameaçada. Entre um povo disperso por tantos países, o islã funciona como um dos poucos elos que ainda os une a despeito da distância geográfica.
Os turcos meskhetianos falam um dialeto do turco de origem anatólia, próximo ao turco padrão, no qual existe Bíblia completa; muitos, sobretudo na Rússia, adotaram o russo como língua do dia a dia, idioma que também tem tradução bíblica integral há mais de um século. Ainda assim, o texto sagrado que de fato molda a vida desse povo é o Alcorão, e praticamente ninguém entre eles teve contato real com as Escrituras cristãs. A barreira não é a falta de tradução, mas a distância espiritual e cultural que os separa do evangelho.
A identidade turco meskhetiana está profundamente ligada ao islã sunita, de modo que abraçar o evangelho é sentido como abandonar o próprio povo. O trauma da deportação e do pogrom de Fergana deixou uma desconfiança arraigada em relação a tudo que vem de fora, e o cristianismo que conhecem é o da Igreja Ortodoxa Russa, associada aos próprios responsáveis por seu sofrimento histórico, o que fecha portas para qualquer mensagem percebida como estrangeira. Vivendo espalhados como minoria em nove países diferentes, sem comunidade cristã própria por perto, muitos jamais tiveram contato real com um seguidor de Jesus.
Depois de duas grandes ondas de deslocamento forçado, o povo turco meskhetiano carrega a necessidade profunda de estabilidade, de reconhecimento e de um lugar que possa verdadeiramente chamar de lar. Vivendo como minoria em meio a maiorias que falam outras línguas, muitos enfrentam também dificuldades de documentação e de plena integração social nos países onde se refugiaram. Por trás dessas necessidades concretas está a ausência quase total de qualquer testemunho cristão vivido entre eles, algo que só pode ser suprido por quem se dispuser a caminhar ao lado desse povo com paciência e amor genuíno.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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