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Povo não alcançado
Os Papavo são um povo indígena isolado que vive na região das cabeceiras dos rios do alto Envira, no estado do Acre, próximo à fronteira com o Peru. O nome Papavo é uma das denominações atribuídas de fora para identificar grupos sem contato permanente com a sociedade envolvente, pois esses povos não revelaram publicamente como chamam a si mesmos. Por isso, muito do que se sabe vem de avistamentos a distância e de registros indiretos, e não de convivência próxima.
São um grupo muito pequeno, estimado em cerca de 200 pessoas, vivendo em uma das áreas de maior concentração de povos isolados do mundo. Acredita-se que falem uma língua ainda não identificada com segurança, possivelmente aparentada às línguas da grande família que predomina naquela região amazônica. A escolha pelo isolamento costuma estar ligada à memória de violências sofridas no passado, levando esses povos a se manterem afastados para preservar suas vidas e seu modo de existir.
Viver em isolamento não significa ausência de história ou de cultura: trata-se de uma decisão de manter distância para sobreviver. Os Papavo seguem habitando suas matas, transmitindo sua língua, suas memórias e seus costumes de geração em geração, à margem das cidades e do alcance da maior parte das informações disponíveis sobre os demais povos do Brasil.
Pelo que indicam os registros feitos a distância, os Papavo combinam o cultivo da terra com a caça, a pesca e a coleta na floresta. Cultivam roças com alimentos como milho, mandioca, banana, batata-doce e amendoim, além de plantas usadas para tingir e confeccionar adornos e vestimentas, o que revela uma vida organizada e enraizada no território. Vivem em pequenos conjuntos de habitações coletivas, reunidos em grupos familiares que partilham o trabalho e o sustento.
A principal ameaça à sua vida é a pressão sobre suas terras: a presença de atividades ilegais na floresta, como a extração de madeira, a garimpagem e a invasão de seus territórios, expõe esse povo frágil a doenças para as quais não têm defesa e a conflitos que podem ser fatais. Por serem tão poucos e tão vulneráveis, qualquer contato precipitado ou hostil representa risco real à sua sobrevivência como povo.
A grande maioria dos Papavo segue crenças étnicas tradicionais, próprias dos povos da floresta. Nessa visão de mundo, a vida humana está profundamente entrelaçada com a mata, os rios, os animais e os espíritos, e os acontecimentos do dia a dia costumam ser compreendidos por meio dessa relação com o mundo invisível e com a natureza ao redor.
Praticamente não há, entre eles, conhecimento do evangelho de Jesus Cristo. As Escrituras não estão disponíveis em sua língua, e o nome de Cristo é, muito provavelmente, totalmente desconhecido por esse povo. Vivem sem ter ouvido a mensagem do amor e da salvação que há em Jesus.
A primeira e mais urgente necessidade dos Papavo é a proteção de suas vidas e de seu território, para que possam existir em paz e livres de violência e de doenças trazidas de fora. No plano espiritual, são um povo que ainda não teve qualquer oportunidade de conhecer a Jesus Cristo, sem Escrituras em sua língua e sem quem lhes anuncie o evangelho de forma que respeite plenamente sua dignidade, seu tempo e sua segurança. É um povo que precisa ser levado diante de Deus em oração, confiando que o Senhor que conhece cada coração saberá alcançá-los.
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