Povo
Christopher Michel - Flickr, CC BY-NC 2.0, via Joshua Project
Povo não alcançado Fronteira
Os hawawir são um povo árabe do norte do Sudão, um dos cerca de dezenove grupos que compõem a confederação Dar Hamid, todos reconhecendo a autoridade de um mesmo chefe e compartilhando uma cultura comum, ainda que suas origens não sejam idênticas. Vivem espalhados ao longo do deserto de Bayuda, entre a estrada que liga Debba a Cartum e áreas próximas a El Obeid, num território árido onde a água é o bem mais precioso.
A identidade hawawir é a de um povo do deserto: pastores de camelos, cabras e gado que organizam toda a vida em torno da busca por pasto e poços. Falam árabe sudanês, língua que também é ponte de comunicação entre dezenas de outros povos do país, e mantêm um forte senso de pertencimento tribal transmitido de geração em geração.
A tradição dos hawawir aponta suas raízes para a Arábia, de onde vieram seus ancestrais numa migração antiga rumo ao vale do Nilo e ao interior do Sudão. Um relato sobre os habassab, um dos ramos do povo, conta que chegaram do norte há treze ou catorze gerações e, encontrando a terra desabitada, fixaram-se ao redor de poços que deram origem aos povoados mantidos até hoje.
Ao se estabelecerem no deserto de Bayuda, os hawawir não adotaram costumes das populações africanas vizinhas, preservando antes os traços árabes de origem. Com o tempo, tornaram-se um dos subgrupos reconhecidos da confederação Dar Hamid, e ao menos um de seus membros, um erudito islâmico do século XIX, deixou marca duradoura ao fundar uma importante mesquita em El Obeid.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Sudão Não alcançado
|
100%
|
299.000 |
A vida hawawir gira em torno dos rebanhos. Criam camelos, cabras e outros animais que trocam por grãos, sal, chá, açúcar, tecido, tâmaras, temperos e utensílios de metal nas feiras e povoados próximos. O camelo ocupa lugar central: fornece leite, que é base da dieta diária, ocasionalmente carne, material para as tendas e o transporte que torna possível atravessar longas distâncias de deserto.
Como outros povos árabes nômades da região, os hawawir seguem um calendário de deslocamento que leva partes da família a diferentes lugares em certas épocas do ano, sempre em busca da vegetação que brota depois das raras chuvas do deserto. Essa mobilidade constante molda tanto a organização familiar quanto o ritmo das relações sociais.
Os hawawir se identificam tradicionalmente como muçulmanos sunitas, e essa identidade religiosa está entrelaçada à própria noção de pertencer ao povo. Ainda assim, boa parte vive a fé de modo mais cultural do que instruído, com conhecimento limitado dos ensinos formais do islã.
Os anciãos, figuras de maior respeito na estrutura social hawawir, são também os mais fiéis guardiões do sistema religioso islâmico, e é por meio deles que as normas de conduta e a lealdade à tradição se perpetuam entre as gerações mais jovens.
Os hawawir falam árabe sudanês, uma das línguas gateway do continente africano e idioma materno de dezenas de outros povos do Sudão. Nessa língua já existe um Novo Testamento completo, com uma versão publicada em 2005, além de porções bíblicas mais antigas e gravações em áudio hoje disponíveis em aplicativos e plataformas digitais. Falta ainda a tradução do Antigo Testamento, mas o maior desafio não é a falta de Escritura, e sim a distância entre esses recursos e o cotidiano de um povo nômade, disperso pelo deserto.
Entre os hawawir, ser muçulmano é parte inseparável de ser hawawir, e os anciãos mais respeitados são também os mais comprometidos com essa tradição religiosa, o que torna qualquer mudança de fé um risco à posição da pessoa dentro do clã. A vida nômade no deserto de Bayuda soma-se a isso como barreira prática: comunidades dispersas e em constante deslocamento dificultam qualquer contato sustentado, mesmo havendo recursos cristãos disponíveis em árabe sudanês.
A vida no deserto de Bayuda impõe aos hawawir a busca constante por água e pasto, e anos de seca mais severa podem comprometer os rebanhos dos quais toda a subsistência depende. Junto às necessidades materiais está a espiritual: há Novo Testamento e material em áudio em árabe sudanês, mas praticamente nenhum sinal de que esse povo tenha acesso a uma comunidade de fé cristã ou a alguém que compartilhe essas Escrituras com eles em sua própria língua e contexto.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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