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Povo não alcançado
Os Tapuia, também conhecidos como Tapuia do Carretão, são um povo indígena do estado de Goiás, no Centro-Oeste do Brasil. Sua história remonta ao final do século XVIII, quando o aldeamento do Carretão, também chamado de Pedro III, foi fundado em 1788 na região entre o Ribeirão Carretão e a Serra Dourada, hoje nos municípios de Rubiataba e Nova América. Para ali foram levadas famílias de diferentes nações indígenas, entre elas os Xavante, os Kayapó e os Karajá/Javaé, além de pessoas negras que haviam sido escravizadas nas fazendas próximas.
Desse encontro forçado de povos distintos, somado às políticas coloniais que buscavam apagar as marcas da identidade indígena e estimular casamentos entre grupos diferentes, nasceu ao longo do tempo a identidade própria que hoje é reconhecida como o povo Tapuia. São, portanto, descendentes de uma rica e complexa origem, que reúne raízes de várias etnias e da população negra da região.
Ao longo dessa trajetória, as línguas originárias de seus ancestrais foram sendo substituídas pelo português, que se tornou a primeira língua do povo. Ainda assim, palavras de origem indígena permanecem no falar cotidiano das famílias, guardando vestígios vivos de sua ascendência. Hoje os Tapuia formam uma pequena comunidade que mantém viva a consciência de sua identidade indígena e luta pela preservação de sua memória e de seu território.
Os Tapuia vivem em comunidade no cerrado goiano, em terra reconhecida como de ocupação tradicional. O sustento das famílias está ligado principalmente à agricultura de pequena escala, à criação de animais e ao aproveitamento dos recursos da terra, em meio aos desafios próprios de uma população pequena e de um território historicamente reduzido e disputado. A organização social se apoia fortemente nos laços familiares e na vida em comunidade, que sustentam a transmissão de costumes e da memória do povo.
A religiosidade predominante entre os Tapuia tem fortes raízes nas tradições étnicas, herança das diversas origens indígenas que deram forma a este povo. Essa cosmovisão se expressa no respeito pela terra, pela natureza do cerrado e pela ligação com os antepassados, entrelaçando práticas e crenças transmitidas ao longo das gerações. Por sua história de contato e mistura, elementos de fé cristã também estão presentes em parte da comunidade, ainda que de forma minoritária. O povo precisa conhecer de modo claro e pessoal a mensagem do evangelho de Jesus Cristo.
Como povo pequeno e marcado por uma longa história de tentativas de apagamento de sua identidade, os Tapuia enfrentam necessidades tanto espirituais quanto práticas: a garantia e a segurança de seu território, oportunidades de educação e de sustento, e o fortalecimento de sua memória e cultura. No campo espiritual, há a necessidade de que cada família tenha acesso ao evangelho de forma respeitosa e compreensível, e que possam encontrar em Cristo esperança, dignidade e vida plena, sem que isso signifique a perda de sua identidade como povo.
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