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Povo não alcançado Fronteira
Os Arara do Rio Branco são um povo indígena que vive no estado de Mato Grosso, na região amazônica do Brasil, junto às águas e florestas do rio Branco, afluente do rio Aripuanã. São um grupo pequeno, com população estimada em cerca de 200 pessoas, o que os coloca entre os povos mais vulneráveis e ameaçados do país. Ao longo do século passado enfrentaram o avanço de frentes de exploração, doenças trazidas de fora e a perda de grande parte de seu território tradicional, o que provocou forte redução de sua gente e a dispersão de muitas famílias.
Apesar das perdas, os Arara do Rio Branco mantêm viva sua identidade própria e o vínculo com a terra onde vivem seus antepassados. A reconquista e o reconhecimento de seu território foram passos importantes para a continuidade do povo. Sua língua própria, o Arara do Rio Branco, encontra-se em situação muito frágil, pois o convívio com a sociedade nacional e o uso crescente do português têm reduzido o número de falantes plenos.
Hoje os Arara do Rio Branco buscam fortalecer sua organização interna, garantir a saúde e a educação de suas crianças e preservar os conhecimentos, as histórias e os costumes que recebem dos mais velhos. Permanecem como um povo que luta por sua sobrevivência física e cultural em meio às pressões da fronteira amazônica.
Os Arara do Rio Branco vivem em estreita relação com a floresta e os rios da Amazônia mato-grossense. Seu sustento vem principalmente da caça, da pesca, da coleta de frutos e produtos da mata e de pequenas roças onde cultivam alimentos como a mandioca. A vida cotidiana se organiza em torno da família e da comunidade, com partilha do trabalho e dos alimentos, e com a transmissão dos saberes de geração em geração por meio da palavra falada e da convivência diária.
Como povo de população reduzida, enfrentam desafios sérios: a pressão sobre suas terras, a presença de atividades como a exploração da floresta no entorno, o acesso difícil a serviços de saúde e a ameaça constante à continuidade de sua língua e de seus costumes. A defesa de seu território e o cuidado com as novas gerações são preocupações centrais para a permanência do povo.
A cosmovisão dos Arara do Rio Branco está enraizada nas religiões étnicas tradicionais, nas quais o mundo visível e o mundo dos espíritos se encontram entrelaçados. A floresta, os rios, os animais e os antepassados são compreendidos como parte de uma realidade espiritual viva, e os ritos, as histórias e as práticas herdadas dos mais velhos orientam a relação da comunidade com essas forças.
Nesse modo de crer, os mais experientes têm papel importante na mediação com o mundo espiritual e na preservação dos saberes sagrados. Até onde se conhece, a mensagem do evangelho ainda não foi compreendida nem recebida por este povo, que permanece praticamente sem acesso às Escrituras em sua própria língua e sem testemunho cristão estabelecido entre eles.
Os Arara do Rio Branco precisam, antes de tudo, conhecer o amor de Deus revelado em Jesus Cristo, de forma que respeite e alcance o coração de sua cultura e de sua língua. Não há tradução das Escrituras em seu idioma, e o povo permanece sem testemunho cristão presente entre eles. Junto às necessidades espirituais estão também necessidades concretas e urgentes: a proteção de seu território, o cuidado com a saúde, o fortalecimento de sua língua ameaçada e a própria sobrevivência de um povo tão pequeno e vulnerável. Intercedamos para que portas se abram e para que o Senhor envie quem leve a esperança do evangelho de modo fiel e respeitoso.
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