Povo
Povo não alcançado
Os orok, que também se chamam uilta, são um pequeno povo tungúsico da ilha de Sacalina, no extremo oriente da Rússia. O nome com que se identificam é geralmente ligado à palavra para a rena doméstica, e por isso são lembrados como o “povo das renas”. É essa criação que, durante séculos, os distinguiu dos vizinhos de línguas aparentadas.
Vivem sobretudo no leste da ilha, entre florestas, rios e a costa do mar de Okhotsk, numa terra de invernos longos e rigorosos. Sua língua pertence ao ramo meridional das línguas tungúsicas e hoje é falada por pouquíssimas pessoas, quase todas também fluentes em russo.
Há ainda uma pequena comunidade uilta no Japão, na região de Abashiri, fruto das mudanças que o século XX trouxe à ilha. Muitos orok vivem hoje em vilas e cidades, mas guardam com carinho a memória dos antepassados, dos rebanhos e dos caminhos de migração, e se esforçam para que a identidade uilta não desapareça.
A tradição oral liga os orok aos ulcha e a antigas migrações vindas da região do rio Amgun, provavelmente por volta do século XVII. Por muito tempo viveram em pequenos grupos nômades, seguindo a caça, a pesca e as pastagens das renas, sem fronteiras que dividissem seu território.
No século XIX, a Rússia passou a controlar a ilha, e uma colônia penal trouxe novos habitantes e novos contatos. Depois da guerra russo-japonesa, o sul de Sacalina ficou sob administração japonesa, e o povo acabou dividido entre dois países e dois sistemas. No período soviético, parte dos rebanhos foi reunida em fazendas coletivas. Esses cortes deixaram marcas profundas na língua, na vida nômade e na unidade do povo.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Ucrânia Não alcançado
|
72,7%
|
800 |
Rússia Não alcançado
|
27,3%
|
300 |
Antes, a rena era o centro da vida: servia de alimento, de vestuário e de transporte, sobretudo no norte da ilha. Os orok também pescavam, caçavam e colhiam plantas silvestres, e se deslocavam conforme as estações. Hoje a maioria vive em moradias fixas. No norte, alguns seguem criando renas de forma seminômade e cultivam hortas, enquanto no sul muitos trabalham com pesca e em ocupações assalariadas.
A língua e as tradições passam, cada vez mais, por esforços conscientes de preservação. Existem associações, materiais escritos em alfabeto próprio e aulas da língua numa escola da ilha. Muitos orok vivem entre dois mundos, o russo do dia a dia e a herança uilta cultivada em família, em encontros e em festas que recordam o modo de vida dos antigos.
A religião tradicional dos orok é de natureza xamânica: o mundo é visto como habitado por espíritos da floresta, das águas, dos animais e dos antepassados, com quem é preciso manter boas relações. O xamã tinha o papel de mediar entre as pessoas e esse mundo invisível, em momentos de doença, caça e passagem de uma fase da vida a outra.
Com o contato russo, parte do povo também foi tocada pelo cristianismo ortodoxo, e hoje as influências se misturam em graus diversos. Para muitos, as práticas dos antepassados fazem parte da identidade uilta e da memória de quem eles são, de modo que falar de fé é falar também de família, de terra e de pertencimento.
Não temos notícia de Escrituras publicadas na língua orok, que hoje está gravemente ameaçada e é falada por pouquíssimas pessoas. A língua do coração está desaparecendo, e quase todos os orok leem e falam russo, idioma em que a Bíblia está plenamente disponível. Por isso, o caminho da Palavra tende a passar pelo russo, mas há um valor especial em qualquer porção, gravação ou história bíblica que possa chegar ao povo na língua dos seus antepassados, antes que ela se cale.
Um povo só entende o evangelho de verdade quando o ouve na língua do seu coração. Veja em que estágio está a tradução.
Dados de tradução: Joshua Project.
O povo é muito pequeno e vive disperso entre cidades e vilas, o que torna difícil a formação de comunidades de fé que sejam deles. Com o avanço do russo, a língua materna perde espaço, e o evangelho raramente é apresentado de maneira que dialogue com a cultura uilta. Além disso, as tradições dos antepassados estão ligadas à identidade e à memória do povo, e abandonar os costumes pode ser visto como afastar-se da própria gente. A distância geográfica da ilha e o baixo contato com cristãos que compreendam sua história completam o quadro.
Os orok precisam de reconhecimento e de cuidado com a própria herança: a preservação da língua, das histórias e dos saberes ligados às renas e à natureza. As rupturas do último século deixaram feridas de deslocamento e separação de famílias que pedem consolo e reconciliação.
Espiritualmente, precisam ouvir as boas-novas de Jesus de modo claro e respeitoso, por meio de relacionamentos de confiança, e encontrar irmãos que os acompanhem no discipulado. Um povo tão pequeno é tão valioso para Deus quanto qualquer outro, e merece ser conhecido pelo nome.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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