Povo
Todd Huffman - Wikimedia, CC BY 2.0, via Joshua Project
Povo não alcançado Fronteira
Os pashayi do sudeste vivem nos vales estreitos do Hindu Kush, no leste do Afeganistão, entre as províncias de Nangarhar e Laghman. Ali, em lugares como o vale de Alingar e as regiões de Darrai Nur, Damench e Shale, mantêm um dialeto próprio da língua pashayi, incompreensível para os falantes de outras variantes do mesmo idioma.
Poucos se apresentam a estranhos como “pashayi”: preferem se identificar como safi, kohistani ou nuristani, nomes ligados à região e ao clã de origem. São um povo tribal, organizado em torno da aldeia e da família extensa, e valorizam acima de tudo a masculinidade e a honra. O guerreiro leal à família, corajoso diante do inimigo e sempre pronto para defender o nome do clã é, para eles, a imagem do homem ideal.
Antes de se fixarem nas montanhas, os pashayi habitavam as planícies do nordeste afegão. A pressão de povos vizinhos, sobretudo o avanço pashtun sobre suas terras, empurrou-os gradualmente para os vales mais altos e isolados do Hindu Kush, onde a geografia difícil passou a protegê-los de novas invasões e também a isolá-los do resto do país.
No final do século dezesseis, converteram-se ao islã, processo que na região vizinha de Nuristão só se completaria séculos depois. Desde então, a identidade pashayi passou a se confundir com a identidade muçulmana sunita, e o isolamento geográfico ajudou a preservar tanto a língua quanto os costumes tribais até os dias de hoje.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Afeganistão Não alcançado
|
100%
|
179.000 |
A vida gira em torno da aldeia e da terra: como o espaço plano é raro nas encostas do Hindu Kush, o trigo e o milho são cultivados em terraços erguidos ao longo dos vales, irrigados por canais que aproveitam a água das montanhas. Famílias também criam animais em pastagens de altitude, cujo uso é direito hereditário dos homens da aldeia.
Não existe uma autoridade central acima da aldeia: um conselho formado por representantes das famílias extensas decide as questões que afetam a todos, enquanto disputas pessoais costumam ser resolvidas pelo próprio ofendido, o que às vezes dá origem a rivalidades de longa duração entre famílias.
Os pashayi são muçulmanos sunitas da escola hanafita, fé que abraçaram no final do século dezesseis e que hoje é inseparável de sua identidade tribal. Ser pashayi, na prática, é ser muçulmano: a religião organiza o calendário, os ritos de passagem e as normas de convivência da aldeia.
A prática cotidiana mescla o islã formal a elementos do islã popular, como a veneração de santuários de santos locais, muito presente entre os povos dos vales do Hindu Kush. A autoridade religiosa se mistura à autoridade do conselho de aldeia, e questões de fé e de honra familiar costumam andar juntas nas decisões cotidianas. Abandonar o islã seria interpretado não apenas como erro religioso, mas como ruptura com a própria família e o próprio clã.
O dialeto do sudeste faz parte do grupo de línguas pashayi, que não teve forma escrita registrada antes do início dos anos 2000, quando um comitê local do vale de Darrai Nur ajudou a fixar as primeiras convenções de escrita. Isso significa que, mesmo onde existem esforços de tradução e gravações em áudio em variantes próximas do pashayi, o alcance dessas iniciativas até a comunidade do sudeste, majoritariamente oral e afastada dos centros urbanos, permanece incerto.
Um povo só entende o evangelho de verdade quando o ouve na língua do seu coração. Veja em que estágio está a tradução.
Dados de tradução: Joshua Project.
Entre os pashayi, seguir a Cristo é visto como abandonar a própria família e o próprio clã, algo que ameaça o lugar da pessoa na comunidade que sustenta sua vida. A isso somam-se o isolamento dos vales de difícil acesso no Hindu Kush, a ausência de igrejas na região e uma cultura de honra em que romper com o grupo pode custar caro.
A vida nos vales do Hindu Kush depende inteiramente da terra estreita dos terraços e da água que desce das montanhas, o que torna qualquer família vulnerável a uma colheita ruim ou a um inverno mais severo. Faltam também estradas e serviços básicos que aproximem esses vales isolados do restante do país.
Falta ainda presença cristã na região: não há relatos de comunidade de seguidores de Jesus entre os pashayi do sudeste, o que significa que quem viesse a crer não teria hoje com quem caminhar na fé, nem uma igreja local para reunir-se e crescer.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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