Toda pessoa carrega um rótulo que gostaria de apagar: um erro do passado, uma profissão vergonhosa, uma reputação que a cidade toda conhece. Raabe viveu com um desses rótulos a vida inteira, mas descobriu que ele não precisava ser a última palavra sobre quem ela era.
Ela morava em Jericó, cidade murada de Canaã, e trabalhava como prostituta, ganhando a vida à margem da sociedade (Js 2:1). Foi em sua casa, encostada no muro da cidade, que dois espias enviados por Josué se esconderam antes de avaliar a terra prometida.
Quando o rei de Jericó mandou buscá-los, Raabe escondeu os homens sob molhos de linho no telhado e mentiu aos mensageiros, dizendo que os espias já haviam partido (Js 2:4-6). Foi um ato de coragem que colocava sua própria vida em risco.
Mais que astúcia, havia fé. Raabe declarou aos espias que já ouvira falar das obras do Senhor no Egito e no deserto, e confessou: “O Senhor, o seu Deus, é Deus em cima nos céus e embaixo na terra” (Js 2:11). Pediu apenas que poupassem sua família quando a cidade caísse.
Os espias selaram o acordo: um cordão de fio escarlate na janela marcaria a casa a ser poupada (Js 2:18-21). Quando os muros de Jericó desabaram, Josué cumpriu a promessa, e Raabe e os seus foram tirados com vida, passando a viver entre o povo de Israel (Js 6:22-25).
A história de Raabe não termina ali. Ela se tornou esposa de Salmom e mãe de Boaz, entrando na linhagem que chegaria a Davi e, séculos depois, a Jesus (Mt 1:5). O Novo Testamento ainda a celebra duas vezes: como exemplo de fé (Hb 11:31) e de fé que se prova em atos (Tg 2:25).
Deus não avalia uma pessoa pelo currículo que ela apresenta, mas pela fé que ela arrisca. Raabe não tinha herança em Israel, nem passado limpo, apenas uma decisão de confiar no Deus que ouvira falar. Foi o suficiente para mudar sua história e entrar na história de Jesus.
