Quem nunca sentiu que carrega sujeira demais para se apresentar diante de alguém importante? Roupa errada, currículo manchado, um passado que pesa. É exatamente nesse lugar, vestido de roupas sujas diante do próprio Deus, que a Bíblia coloca Josué, o sumo sacerdote.
Josué, filho de Jeozadaque, herdou um cargo sem herdar honra. Seu povo voltava do exílio na Babilônia (hoje Iraque) depois de setenta anos de castigo, e o templo de Jerusalém estava em ruínas. Junto com o governador Zorobabel, ele lidera a reconstrução do altar e, depois, do próprio templo (Esdras 3:2; 5:2).
A obra para logo. O medo dos vizinhos e o desânimo do povo travam o projeto por anos, até que os profetas Ageu e Zacarias sacodem a nação. Josué obedece ao chamado e volta ao trabalho (Ageu 1:12), mas antes disso Deus lhe dá uma visão que expõe o que ele realmente é.
Na visão, Josué está diante do anjo do Senhor vestido de roupas impuras, com Satanás ao seu lado para acusá-lo (Zacarias 3:1-3). Não é uma acusação injusta: como sumo sacerdote, ele representa um povo pecador e talvez traga culpa própria. A cena é de tribunal, e ele perde por definição.
Então vem a virada. O anjo repreende o acusador, manda tirar as roupas sujas e veste Josué com trajes nobres (Zacarias 3:4). Depois, uma coroa é posta em sua cabeça, símbolo do Renovo que viria a construir o verdadeiro templo de Deus (Zacarias 6:11-13).
Josué não conquista a roupa limpa com boas obras. Ela chega como presente, no meio da acusação, antes de qualquer prova de melhora. Ele apenas está lá, exposto, quando a graça age por ele.
Essa é a notícia que atravessa os séculos até o leitor de hoje. Diante de Deus, ninguém se apresenta com currículo limpo, mas há um Sumo Sacerdote maior que troca a roupa suja antes de qualquer palavra de defesa ser dita.
