1498–1526

Reformador · Fundador do anabatismo

Conrad Grebel

Resumo
Cofundador do movimento anabatista na Suíça do século 16. Rompeu com o reformador Huldrych Zuínglio por defender a separação entre Igreja e Estado e o batismo somente de quem professa fé, dando origem ao batismo de crentes e à Irmandade Suíça.
Quem foi
Biografia

Quem nunca discordou de um líder que admirava, convencido de que a verdade pedia mais coragem do que ele estava disposto a dar? Foi o dilema de um jovem suíço que amou a Reforma antes de rompê-la, e cujo nome quase ninguém lembra fora dos círculos batistas e menonitas.

Conrad Grebel nasceu por volta de 1498, provavelmente em Grüningen, no cantão de Zurique, filho de Jakob Grebel, magistrado local que mais tarde se tornaria conselheiro e embaixador de Zurique. Estudou em Basileia, Viena e Paris, mas levou anos irrequietos, marcados por brigas de estudante e dependência financeira do pai, sem nunca concluir um grau.

De volta a Zurique, aproximou-se do reformador Huldrych Zuínglio e, ao lado de Félix Manz, passou a estudar o Novo Testamento em grego. Casou-se com Barbara em fevereiro de 1522 contra a vontade da família, que via a união abaixo da posição social dos Grebel, gesto que já revelava sua impaciência com autoridades, sagradas ou domésticas.

Em outubro de 1523, na Segunda Disputa de Zurique, Grebel viu Zuínglio ceder ao conselho da cidade em vez de reformar de imediato a Missa e o uso de imagens. Sentiu-se traído e passou a defender que a igreja não devia esperar autorização do poder civil para obedecer às Escrituras.

Em setembro de 1524 escreveu, com outros líderes suíços, uma carta ao reformador radical alemão Thomas Müntzer. Nela recusou o uso da espada mesmo em defesa do evangelho, citando as palavras de Jesus sobre ovelhas em meio a lobos.

Em janeiro de 1525, desafiando a proibição do conselho de Zurique, batizou Jorge Blaurock mediante confissão pessoal de fé, ato que os historiadores consideram o início do anabatismo. Meses depois pregou e batizou em São Galo, até ser preso em outubro daquele ano.

Fugiu da prisão em março de 1526 e morreu poucos meses depois em Maienfeld, provavelmente de peste, antes de completar trinta anos. Seu ministério durou menos de quatro anos, mas o batismo de crentes que ele reacendeu atravessou séculos e continentes.

“Os verdadeiros crentes cristãos são ovelhas em meio a lobos, ovelhas para o abate.”
Conrad Grebel · Carta a Thomas Müntzer, 5 de setembro de 1524
Linha do tempo
c. 1498

Nascimento, provavelmente em Grüningen

Filho de Jakob Grebel, magistrado local e depois conselheiro e embaixador de Zurique, cresce em família patrícia.

1514-1520

Estudos humanistas

Estuda nas universidades de Basileia, Viena e Paris, sem concluir um grau.

1521-1522

Ingressa no círculo bíblico de Zuínglio

Une-se a um grupo de estudo do Novo Testamento grego ao lado de Félix Manz.

outubro de 1523

Ruptura com Zuínglio

Na Segunda Disputa de Zurique, discorda do reformador ao vê-lo ceder ao conselho da cidade.

5 de setembro de 1524

Carta a Thomas Müntzer

Defende a não violência e a separação entre Igreja e Estado.

21 de janeiro de 1525

Primeiro batismo de crentes

Batiza Jorge Blaurock na casa de Félix Manz, ato considerado o nascimento do anabatismo.

outubro de 1525

Prisão em Zurique

É preso pelas autoridades por desobedecer à proibição do batismo de crentes.

março de 1526

Fuga da prisão

Escapa com ajuda de amigos e refugia-se na região de Grisões.

julho ou agosto de 1526

Morte em Maienfeld

Morre provavelmente de peste, com menos de 30 anos, pouco mais de um ano após seu primeiro batismo de crente.

Obras e marcos

Carta a Thomas Müntzer

5 de setembro de 1524

Carta programática, escrita com outros líderes suíços, que expôs os princípios de separação entre Igreja e Estado e recusa da violência.

Primeiro batismo de crentes da era moderna

21 de janeiro de 1525

Batizou Jorge Blaurock na casa de Félix Manz mediante confissão pessoal de fé, ato considerado o início do anabatismo.

Fundação da Irmandade Suíça (Swiss Brethren)

1525

Grupo de crentes rebatizados organizado em Zurique após a ruptura com Zuínglio, origem das futuras igrejas menonitas.

Batismo de Wolfgang Ulimann no rio Reno

fevereiro de 1525

Batizou por imersão um dos primeiros convertidos perto de Schaffhausen, levando o movimento até São Galo.

Missão itinerante em São Galo e Grüningen

1525

Pregou e batizou por vários meses com grande adesão popular, o que provocou a reação das autoridades de Zurique.

Defesa escrita do batismo de crentes na prisão

1525-1526

Redigiu, já encarcerado em Zurique, um pequeno tratado com argumentos bíblicos em defesa do batismo somente de quem professa fé. O texto original se perdeu e só é conhecido por citações feitas por Zuínglio ao refutá-lo.

Contribuições
1

Batismo de crentes

Consolidou a prática do batismo mediante confissão pessoal de fé, hoje seguida por batistas, menonitas e diversas igrejas evangélicas.

2

Separação entre Igreja e Estado

Defendeu que a igreja não deveria depender do poder civil para se reformar, princípio que influenciaria noções posteriores de liberdade religiosa.

3

Não violência como testemunho cristão

Na carta a Müntzer, recusou o uso da espada em nome do evangelho, lançando uma das bases do pacifismo anabatista.

4

Origem do movimento suíço-alemão

Sua liderança inicial deu forma à Irmandade Suíça, da qual descendem menonitas, huteritas e amish nos séculos seguintes.

Legado missionário

O compromisso com o batismo voluntário segue inspirando o movimento missionário batista e evangélico ao redor do mundo.

A defesa de uma igreja livre do controle estatal ajudou a moldar a noção de liberdade religiosa que sustenta a obra missionária transcultural.

O pacifismo herdado do anabatismo deu origem a organizações menonitas de ajuda humanitária que hoje atuam entre povos pouco alcançados.

Comunidades menonitas e irmãos suíços descendentes de seu movimento mantêm, até hoje, obras missionárias em dezenas de países.

Outras pessoas