Quem nunca discordou de um líder que admirava, convencido de que a verdade pedia mais coragem do que ele estava disposto a dar? Foi o dilema de um jovem suíço que amou a Reforma antes de rompê-la, e cujo nome quase ninguém lembra fora dos círculos batistas e menonitas.
Conrad Grebel nasceu por volta de 1498, provavelmente em Grüningen, no cantão de Zurique, filho de Jakob Grebel, magistrado local que mais tarde se tornaria conselheiro e embaixador de Zurique. Estudou em Basileia, Viena e Paris, mas levou anos irrequietos, marcados por brigas de estudante e dependência financeira do pai, sem nunca concluir um grau.
De volta a Zurique, aproximou-se do reformador Huldrych Zuínglio e, ao lado de Félix Manz, passou a estudar o Novo Testamento em grego. Casou-se com Barbara em fevereiro de 1522 contra a vontade da família, que via a união abaixo da posição social dos Grebel, gesto que já revelava sua impaciência com autoridades, sagradas ou domésticas.
Em outubro de 1523, na Segunda Disputa de Zurique, Grebel viu Zuínglio ceder ao conselho da cidade em vez de reformar de imediato a Missa e o uso de imagens. Sentiu-se traído e passou a defender que a igreja não devia esperar autorização do poder civil para obedecer às Escrituras.
Em setembro de 1524 escreveu, com outros líderes suíços, uma carta ao reformador radical alemão Thomas Müntzer. Nela recusou o uso da espada mesmo em defesa do evangelho, citando as palavras de Jesus sobre ovelhas em meio a lobos.
Em janeiro de 1525, desafiando a proibição do conselho de Zurique, batizou Jorge Blaurock mediante confissão pessoal de fé, ato que os historiadores consideram o início do anabatismo. Meses depois pregou e batizou em São Galo, até ser preso em outubro daquele ano.
Fugiu da prisão em março de 1526 e morreu poucos meses depois em Maienfeld, provavelmente de peste, antes de completar trinta anos. Seu ministério durou menos de quatro anos, mas o batismo de crentes que ele reacendeu atravessou séculos e continentes.