1924–1956

Missionário · Mártir

Roger Youderian

Resumo
Ex-paraquedista americano da Segunda Guerra Mundial, tornou-se missionário entre os povos jivaro e achuar no Equador. Em janeiro de 1956, foi um dos cinco missionários mortos a lança pelos huaorani na tentativa de primeiro contato pacífico conhecida como Operação Auca.
Quem foi
Biografia

Roger Youderian nasceu em 21 de janeiro de 1924, em Sumatra, no estado americano de Montana, filho de um fazendeiro de ascendência armênia. Aos nove anos teve poliomielite, que lhe deixou sequelas leves, mas conseguiu superá-las a ponto de jogar basquete no colégio.

Em 1943 alistou-se no Exército dos Estados Unidos e tornou-se paraquedista, servindo na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. Participou da Batalha das Ardenas e do salto sobre o Reno, na Operação Varsity. Ainda soldado, converteu-se ao evangelho com a ajuda de um capelão militar.

De volta aos Estados Unidos, formou-se em educação cristã pelo Northwestern College, em Minnesota, em 1950. No ano seguinte casou-se com Barbara Orton, colega de faculdade, e o casal decidiu servir como missionários enviados pela agência evangélica Gospel Missionary Union.

Em 1953, Roger, Barbara e a filha pequena, Beth, embarcaram para o Equador. Depois de estudar espanhol em Quito, a família se estabeleceu em Macuma, na selva amazônica, para trabalhar ao lado dos veteranos Frank e Marie Drown entre o povo jivaro.

Os primeiros anos foram marcados por dificuldade com a língua e por desânimo. Cerca de um ano depois, estendeu o trabalho ao povo achuar, mas teve dificuldade em ver fruto espiritual: perto do Natal de 1955 chegou a escrever no diário que estava quase desistindo, que não via futuro naquele trabalho e que o mais sensato seria ir embora.

Dias depois, ainda em dezembro de 1955, registrou no mesmo diário uma renovação de entrega, decidindo morrer para si mesmo para viver para Deus. Foi nesse período que o piloto missionário Nate Saint o convidou para integrar a equipe que tentaria o primeiro contato pacífico com os huaorani, então chamados de auca, povo isolado e temido por ataques a estranhos. Youderian aceitou, mesmo ciente dos riscos.

Em 3 de janeiro de 1956, ele se juntou a Jim Elliot, Ed McCully, Nate Saint e Pete Fleming em um acampamento à beira do rio Curaray, no local batizado de Palm Beach. Depois de contatos iniciais aparentemente amistosos em 6 de janeiro, os cinco foram atacados e mortos a lança por guerreiros huaorani em 8 de janeiro, quando Youderian, o último dos cinco a ser atingido, tentava usar o rádio para pedir socorro.

A notícia, ilustrada pelas fotos do fotógrafo Cornell Capa na revista Life, correu o mundo e impulsionou uma nova geração de missionários. Anos depois, huaoranis envolvidos no ataque se converteram ao evangelho, e parentes dos cinco mártires voltaram a viver entre o povo que os havia matado.

“Vou morrer para mim mesmo. Vou pedir a Deus que me coloque em um serviço de circunstâncias constantes, em que, para viver Cristo, eu precise morrer para mim mesmo. Estarei vivo para Deus, para aprender a amá-lo de todo o coração, mente, alma e corpo.”
Roger Youderian · Diário pessoal, 19 de dezembro de 1955, citado em "Through Gates of Splendor", de Elisabeth Elliot
Linha do tempo
1924

Nascimento em Montana

Nasce em Sumatra, Montana, filho de um fazendeiro de ascendência armênia.

1943

Alistamento no Exército

Torna-se paraquedista e é enviado para servir na Europa.

1944-1945

Combate e conversão

Participa da Batalha das Ardenas e da Operação Varsity; converte-se ao evangelho durante o serviço militar.

1950

Formatura no Northwestern College

Conclui os estudos em educação cristã em Minnesota.

1951

Casamento com Barbara Orton

O casal se prepara para servir como missionários no exterior.

1953

Chegada ao Equador

Instala-se com a família em Macuma para trabalhar entre o povo jivaro.

dezembro de 1955

Crise de desânimo e convite para a Operação Auca

Chega a cogitar deixar o campo missionário; decide continuar e é convidado por Nate Saint a integrar a equipe de contato com os huaorani.

8 de janeiro de 1956

Martírio no rio Curaray

É morto a lança junto com Jim Elliot, Ed McCully, Nate Saint e Pete Fleming.

Obras e marcos

Conversão ao evangelho

1944-1945

Ainda paraquedista na Europa, converteu-se ao cristianismo com a ajuda de um capelão militar do Exército.

Formação em educação cristã

1950

Formou-se no Northwestern College, em Minnesota, preparando-se para o trabalho missionário.

Envio ao Equador

1953

Partiu com a esposa Barbara e a filha Beth para servir como missionário da Gospel Missionary Union.

Trabalho entre os jivaro em Macuma

1953-1955

Ao lado de Frank e Marie Drown, dedicou-se ao aprendizado da língua e à alfabetização do povo jivaro.

Ministério entre os achuar e crise de desânimo

1955

Estendeu o trabalho ao povo achuar, mas chegou a cogitar deixar o campo missionário por falta de resultados visíveis, antes de se reconsagrar à obra.

Adesão à Operação Auca

dezembro de 1955

Aceitou o convite de Nate Saint para integrar a equipe que buscaria o primeiro contato pacífico com os huaorani.

Martírio no rio Curaray

8 de janeiro de 1956

Foi morto a lança junto com quatro colegas missionários ao tentar o contato com os huaorani, episódio que ficou mundialmente conhecido como Operação Auca.

Contribuições
1

Perseverança em meio ao desânimo

Mesmo tendo escrito no diário que pensava em desistir da missão por falta de resultados visíveis, optou por continuar e se reconsagrar à obra.

2

Trabalho de língua e alfabetização

Dedicou-se ao aprendizado do idioma jivaro e a iniciativas de alfabetização na missão de Macuma, no Equador.

3

Repercussão mundial da história

O fotógrafo Cornell Capa registrou o desfecho da Operação Auca para a revista Life, levando o episódio a milhões de leitores.

4

Ponte entre vida militar e fé

Sua trajetória de paraquedista de guerra a missionário tornou-se um exemplo citado de coragem colocada a serviço do evangelho.

Legado missionário

O relato da Operação Auca, narrado no livro "Through Gates of Splendor", de Elisabeth Elliot, inspirou gerações de missionários ao redor do mundo.

Anos depois do ataque, huaoranis envolvidos na morte dos cinco missionários se converteram ao evangelho, e familiares das vítimas voltaram a viver entre o povo.

A história segue sendo recontada em livros e documentários, lembrando que o alcance de povos isolados pode custar a vida, mas também gerar fruto duradouro.

Outras pessoas