1747–1814

Missionário · Bispo metodista

Thomas Coke

Resumo
Clérigo anglicano que se tornou braço direito de John Wesley e o primeiro bispo metodista fora da Grã-Bretanha. Organizou e financiou o primeiro sistema formal de missões metodistas, sobretudo no Caribe, sendo lembrado como o pai das missões metodistas.
Quem foi
Biografia

Thomas Coke nasceu em 9 de setembro de 1747 em Brecon, no País de Gales, filho de um boticário próspero. Formou-se em Oxford e seguiu a carreira eclesiástica esperada de um jovem de sua classe, tornando-se clérigo da Igreja Anglicana, sem imaginar que se tornaria um dos maiores organizadores de missões da história cristã.

Em 1776 conheceu John Wesley, fundador do metodismo, e logo se tornou um de seus colaboradores mais próximos. O envolvimento com os métodos wesleyanos, pregação ao ar livre e reuniões informais, custou-lhe a paróquia: foi afastado do cargo em 1777 por desaprovação da liderança anglicana local.

Em 1784, Wesley o consagrou superintendente para organizar o metodismo na América recém-independente. Na Conferência de Natal, em Baltimore, Coke e Francis Asbury lideraram a fundação da Igreja Metodista Episcopal, ainda que o título de bispo, adotado depois pelos americanos, tenha desagradado o próprio Wesley.

Dois anos depois, uma tempestade no Atlântico desviou seu navio, destinado à Nova Escócia, para a ilha de Antígua. Ali Coke encontrou uma comunidade metodista já formada havia décadas, iniciada pelo plantador Nathaniel Gilbert nos anos 1760 e ampliada pelo pregador John Baxter a partir de 1778. Coke decidiu apoiar esse trabalho com o primeiro envio formal de missionários e recursos organizados pelo metodismo britânico, lançando as bases do sistema missionário metodista fora da Europa e da América.

Nas décadas seguintes, cruzou o Atlântico nove vezes e visitou repetidamente as Índias Ocidentais, criando o primeiro sistema de assinatura anual para sustentar missionários enviados pelo metodismo. Financiou boa parte dessas viagens e do trabalho missionário com recursos próprios e, mais tarde, com a fortuna de sua esposa.

Sua liderança também teve tropeços. Em 1791, sem consultar Asbury ou a Conferência americana, propôs em segredo a união entre metodistas e a Igreja Episcopal Protestante; quando a correspondência veio a público, anos depois, abalou a confiança que muitos líderes americanos depositavam nele.

Aos 66 anos, já viúvo duas vezes, usou boa parte de seu patrimônio para financiar uma última expedição, rumo ao Ceilão, atual Sri Lanka. Morreu no mar em 2 de maio de 1814 e foi sepultado no oceano Índico, sem alcançar o destino.

Coke é lembrado como o pai das missões metodistas: o impulso organizacional que deu ao trabalho no Caribe se multiplicou em sociedades missionárias que hoje alcançam dezenas de países, sinal de que um chamado tardio, sustentado com sacrifício pessoal, pode gerar frutos por gerações.

Linha do tempo
1747

Nascimento em Brecon, País de Gales

Filho de um boticário próspero, formou-se depois em Oxford.

1772

Ordenado sacerdote anglicano

Assume ministério em South Petherton, na Inglaterra.

1776

Conhece John Wesley

Torna-se um de seus colaboradores mais próximos no movimento metodista.

1777

Afastado da paróquia anglicana

Perde o cargo por causa de suas ligações com o metodismo.

1784

Consagrado superintendente e funda a Igreja Metodista Episcopal

Wesley o consagra em Bristol; na Conferência de Natal, em Baltimore, organiza com Asbury o metodismo americano.

1786

Tempestade desvia seu navio para Antígua

Organiza o primeiro envio formal de missionários metodistas para apoiar a comunidade já existente na ilha, fundada décadas antes por Nathaniel Gilbert.

1791

Propõe em segredo a união com a Igreja Episcopal

A correspondência, revelada só em 1804, abala a confiança de líderes americanos nele.

1805

Casa-se com Penelope Goulding Smith

A esposa financia parte das viagens missionárias com sua fortuna pessoal.

1814

Morre a bordo de navio rumo ao Ceilão

Sepultado no oceano Índico, sem alcançar o destino da última missão que financiou.

Obras e marcos

Sunday Service for the Methodists in America

1784

Ajudou Wesley a preparar e supervisionou a impressão da liturgia para o metodismo recém-organizado nos Estados Unidos.

Fundação da Igreja Metodista Episcopal

1784

Na Conferência de Natal, em Baltimore, liderou com Francis Asbury a organização formal do metodismo americano.

Missões metodistas no Caribe

1786

Após uma tempestade desviar seu navio para Antígua, organizou o primeiro envio formal de missionários e recursos para apoiar a comunidade metodista já existente na ilha, fundada décadas antes por Nathaniel Gilbert.

Proposta de assinatura anual para missionários

1786

Publicou o primeiro plano metodista de arrecadação regular para sustentar missionários enviados ao exterior.

Commentary on the Holy Bible

1801-1803

Comentário bíblico em seis volumes, obra de referência para pregadores metodistas de sua geração.

A History of the West Indies

1808-1811

História em três volumes sobre as ilhas caribenhas e as missões metodistas ali estabelecidas.

Última expedição missionária, ao Ceilão

1813

Financiou com recursos próprios uma expedição de missionários para a Índia e o Ceilão, na qual morreu a bordo.

Contribuições
1

Pai das missões metodistas

Organizou e financiou, a partir de 1786, o primeiro sistema formal de envio e sustento de missionários metodistas fora da Europa e da América, apoiando e expandindo o trabalho que já existia no Caribe desde os anos 1760.

2

Consolidação da Igreja Metodista Episcopal

Ao lado de Francis Asbury, deu forma institucional ao metodismo americano recém-separado da Igreja Anglicana, na Conferência de Natal de 1784.

3

Produção literária e histórica

Escreveu um comentário bíblico em vários volumes e uma história das Índias Ocidentais que documentou a expansão da fé e a realidade da escravidão na região.

4

Modelo de financiamento missionário

Criou o primeiro esquema metodista de assinatura anual para sustentar missionários, prática depois adotada por outras sociedades de missão.

Legado missionário

O movimento missionário metodista mundial, hoje presente em dezenas de países, remonta ao sistema de missões formais que Coke passou a organizar e financiar a partir de 1786, com base no trabalho já iniciado no Caribe.

Seu modelo de assinatura anual para sustentar missionários antecipou práticas de arrecadação hoje comuns em agências de missão.

A prioridade dada à evangelização de escravizados e comunidades marginalizadas nas Índias Ocidentais deixou uma base eclesial que ainda hoje molda igrejas metodistas caribenhas.

Sua disposição de partir para uma última viagem missionária aos 66 anos, e morrer nela, tornou-se símbolo do chamado tardio na vida ministerial.

Outras pessoas