Poucos hinos evangélicos emocionam tanto quanto ‘It Is Well with My Soul’. A melodia que sustenta essas palavras nasceu do talento de um homem que cresceu na pobreza e morreu jovem, num dos piores desastres ferroviários dos Estados Unidos.
Philip Paul Bliss nasceu em 9 de julho de 1838, numa cabana de tora em Hollywood, condado de Clearfield, na Pensilvânia. Filho de um pai devoto que lia a Bíblia e orava diariamente com a família, cresceu entre fazendas e acampamentos de corte de madeira, com pouca escolaridade formal.
Aos doze anos, em 1850, fez sua primeira profissão pública de fé e foi batizado por imersão na igreja batista de Cherry Flats, no condado de Tioga. Ainda menino, ouviu um piano pela primeira vez e ficou fascinado pelo som, uma lembrança que carregaria pelo resto da vida.
Em 1859 casou-se com Lucy Young, de família musical, que o incentivou a desenvolver o dom para composição. O casal se mudou para Chicago em 1864, onde Bliss passou a trabalhar na editora Root and Cady, compondo hinos e conduzindo convenções musicais pelo Centro-Oeste americano.
Em 1869 conheceu o evangelista Dwight L. Moody, que o incentivou a dedicar a música ao evangelho. Ao lado do major Daniel W. Whittle, compôs ‘Hold the Fort’ e ‘Jesus Loves Even Me’ e, em 1874, deixou o trabalho secular para cantar em tempo integral nas campanhas evangelísticas.
Em 1876 escreveu a melodia que acompanharia os versos de Horatio Spafford em ‘It Is Well with My Soul’, hino nascido da dor de um pai que perdera as filhas no mar. Bliss nunca registrou direitos autorais de suas composições e destinou a causas beneficentes o dinheiro arrecadado com seus hinários.
Em 29 de dezembro de 1876, viajando de trem para Chicago, Bliss e Lucy morreram no desastre ferroviário de Ashtabula, em Ohio: uma ponte de ferro cedeu sob o trem em meio a uma nevasca, lançando os vagões no desfiladeiro e provocando incêndio. Os corpos do casal nunca foram identificados com certeza entre os destroços. Uma versão de época, atribuída a uma única testemunha, afirmava que Bliss teria escapado das chamas e voltado para tentar libertar Lucy presa nos escombros; o próprio amigo e biógrafo D. W. Whittle registrou, no ano seguinte, que essa história não passava de conjectura e não foi confirmada por nenhum sobrevivente. O casal deixou dois filhos pequenos, Philip Paul Jr. e George Goodwin, criados depois por parentes.
A mala de Bliss chegou intacta a Chicago, com o manuscrito inédito de ‘I Will Sing of My Redeemer’, concluído por outro compositor após sua morte. Seus hinos atravessaram o Atlântico com os avivamentos de Moody e Sankey e continuam, mais de um século depois, dando voz à fé de igrejas ao redor do mundo.