Poucos hinos atravessaram tantas fronteiras quanto “Quão Grande És Tu”. Por trás dele está um pregador leigo sueco que, numa tarde de verão, viu uma tempestade dar lugar à calmaria sobre uma baía e não conseguiu guardar para si o que sentiu diante da criação.
Carl Gustav Boberg nasceu em 16 de agosto de 1859, em Mönsterås, no sul da Suécia, filho de um carpinteiro. Ainda jovem, trabalhou como marinheiro e foi tocado pelos movimentos de despertamento espiritual que percorriam o país naquela época.
Estudou na escola da Aliança Missionária Sueca em Kristinehamn e, entre 1882 e 1889, pregou para a Associação Missionária de Mönsterås. Sustentava-se, porém, como professor de trabalhos manuais, ofício comum entre pregadores leigos que não recebiam salário fixo das igrejas.
Em 1885, ao voltar de um culto perto de Kronobäck, foi surpreendido por uma tempestade repentina sobre a baía de Mönsterås. Quando o céu clareou e os sinos de uma igreja próxima badalaram ao longe, escreveu naquela mesma noite o poema “O Store Gud”, publicado no jornal local em março de 1886.
O texto, uma espécie de paráfrase do Salmo 8 sobre a grandeza de Deus na criação, ganhou aos poucos uma melodia folclórica sueca e passou a circular em hinários locais. A partir de 1889, Boberg tornou-se editor da revista Sanningsvittnet, onde publicou boa parte de seus mais de sessenta poemas e hinos.
De 1912 a 1931, ocupou uma cadeira na Câmara Alta do Parlamento sueco, atuando também, a partir de 1921, como auditor de Estado. Nessa fase pública, filiado a um partido conservador, posicionou-se contra o direito de voto das mulheres, chegando a argumentar que os chapéus de abas largas das parlamentares atrapalhariam a visão nas sessões. A história registra esse traço sem apagar o valor do restante de sua obra.
O poema sueco ganhou tradução alemã em 1907, pelas mãos do nobre batista Manfred von Glehn, e tradução russa em 1912. Décadas depois, o missionário inglês Stuart Hine produziu a versão que correu o mundo sob o título “How Great Thou Art”.
Boberg morreu em 7 de janeiro de 1940, em Kalmar, sem imaginar que o poema escrito numa única noite se tornaria um dos cânticos mais amados da história cristã, repetido até hoje por quem também se rende diante da grandeza de Deus.