1840–1908

Cantor · Compositor de hinos

Ira D. Sankey

Resumo
Cantor e compositor norte-americano, parceiro musical de Dwight L. Moody nas grandes cruzadas evangelísticas do final do século 19. Consolidou o hino congregacional como parte central da pregação pública em cruzadas urbanas.
Quem foi
Biografia

Um jovem de coro numa igreja metodista da Pensilvânia dificilmente imaginaria que sua voz se tornaria a trilha sonora de um dos maiores avivamentos urbanos do século 19. Ira David Sankey nasceu em 28 de agosto de 1840, em Edinburg, Pensilvânia, filho de um banqueiro e pregador leigo metodista.

Ainda jovem, serviu no exército da União durante a Guerra Civil americana, entre 1861 e 1863, mantendo cultos e organizando corais mesmo em meio ao conflito. De volta à Pensilvânia, tornou-se superintendente de escola dominical e regente de coro em New Castle, além de funcionário da receita federal ao lado do pai.

Em 1870, numa convenção da Associação Cristã de Moços em Indianápolis, cantou o hino “There Is a Fountain Filled with Blood” e chamou a atenção do pregador Dwight L. Moody. Moody o convidou a deixar o cargo público e servir com ele em Chicago, dizendo que o procurava havia oito anos.

A partir de 1871, Sankey tornou-se o cantor oficial das cruzadas de Moody, unindo prédica e música de um jeito então incomum nas igrejas urbanas. Nas campanhas pela Grã-Bretanha, entre 1873 e 1875, e depois pelos Estados Unidos, Canadá e México, sua voz e seu órgão portátil tornaram-se parte essencial do culto de massas.

Sankey compilou e editou coletâneas como Sacred Songs and Solos e Gospel Hymns, que venderam dezenas de milhões de exemplares e difundiram hinos de autores como Fanny Crosby e Philip Bliss. Compôs também melodias próprias, entre elas “The Ninety and Nine”, nascida de um poema que encontrou por acaso num jornal, num trem na Escócia.

Nem tudo em seu ministério resiste sem ressalvas ao olhar de hoje: em campanhas pelo sul dos Estados Unidos, os cultos seguiam a segregação racial então vigente, com assentos e corais separados para negros e brancos, e o próprio Sankey chegou a registrar que o coral negro era colocado para cantar sozinho, às vezes só para mostrar aos brancos como se cantava. O esforço vocal constante também cobrou seu preço, forçando pausas nas turnês de 1881, 1891 e 1893.

Nos últimos anos, já sem a companhia de Moody, morto em 1899, Sankey perdeu a visão por glaucoma em 1903 e viveu cego até o fim. Escreveu suas memórias, My Life and Sacred Songs, publicadas em 1906, e faleceu em 13 de agosto de 1908, em Brooklyn, Nova York.

O legado de Sankey ultrapassou sua própria voz: consolidou o modelo de intercalar canto e pregação, prática hoje comum em igrejas e cruzadas ao redor do mundo. Seu exemplo mostra que a música, usada com humildade, pode preparar corações antes mesmo da primeira palavra do sermão.

“Antes de cantar, preciso sentir, e o hino deve ser de tal natureza que eu saiba que posso levar aos corações dos que ouvem o que eu mesmo sinto.”
Ira D. Sankey · My Life and Sacred Songs (1906), memórias de Ira D. Sankey
Linha do tempo
1840

Nascimento em Edinburg, Pensilvânia

Filho de David Sankey, banqueiro e pregador leigo metodista.

1861

Serviço no exército da União

Alistou-se na Guerra Civil americana e manteve cultos e corais durante o serviço militar.

1870

Encontro com Dwight L. Moody

Cantou numa convenção da ACM em Indianápolis e foi convidado por Moody para servir em Chicago.

1871

Início da parceria com Moody

Deixou o cargo público em New Castle para se tornar cantor oficial das cruzadas de Moody.

1873-1875

Primeira turnê pela Grã-Bretanha

Durante a viagem, compôs em 1874 a melodia de The Ninety and Nine em Edimburgo.

1885

Doação da sede da ACM em New Castle

Financiou a compra de um prédio para a associação em sua cidade natal.

1899

Morte de Dwight L. Moody

Encerrou-se a parceria de quase três décadas entre os dois.

1903

Perda da visão por glaucoma

Passou a viver cego, limitando sua atividade pública nos últimos anos.

1908

Morte em Brooklyn, Nova York

Faleceu em 13 de agosto, poucos dias antes de completar 68 anos.

Obras e marcos

Sacred Songs and Solos

1873

Coletânea de hinos organizada por Sankey para difundir na Grã-Bretanha as canções de Fanny Crosby, Philip Bliss e outros; chegou a reunir 1.200 peças em edições posteriores.

The Ninety and Nine (composição)

1874

Melodia composta de improviso, ao órgão, para um poema sobre a ovelha perdida que Sankey encontrou num jornal, num trem na Escócia.

Primeira turnê evangelística pela Grã-Bretanha

1873-1875

Ao lado de Moody, percorreu Inglaterra, Escócia e Irlanda em campanhas que lotaram salões e tabernáculos por dois anos.

Gospel Hymns and Sacred Songs

1875-1894

Série de hinários organizada com Philip Bliss, ampliada em sucessivos volumes até reunir 794 números na edição completa.

Doação da sede da ACM em New Castle

1885

Sankey financiou a compra de um prédio para a Associação Cristã de Moços de sua cidade natal, com parte da renda de suas obras musicais.

My Life and Sacred Songs

1906

Memórias em que narra sua trajetória ao lado de Moody e a história por trás de seus principais hinos.

Contribuições
1

Consolidação do canto congregacional em cruzadas

Ao lado de Moody, estabeleceu o modelo de intercalar hinos e pregação, hoje padrão em cultos evangelísticos ao redor do mundo.

2

Difusão de hinos e hinários

Por meio de Sacred Songs and Solos e Gospel Hymns, levou hinos de autores como Fanny Crosby e Philip Bliss a milhões de pessoas em várias línguas.

3

Filantropia com os recursos da música

Destinou parte da renda das vendas de hinários a obras cristãs, como a sede da Associação Cristã de Moços em New Castle.

4

Profissionalização da música evangelística

Seu uso do órgão portátil e de arranjos simples tornou o canto solo um instrumento reconhecido de evangelização em massa.

Legado missionário

O padrão de unir música e pregação que consolidou ao lado de Moody segue presente em cruzadas e conferências evangelísticas no mundo todo.

Hinos que ajudou a compor e popularizar, como The Ninety and Nine, continuam traduzidos e cantados em igrejas de diferentes tradições e países.

Seu modelo de cantor itinerante abriu caminho para gerações de músicos que hoje acompanham pregadores em campanhas transculturais.

A prática de destinar recursos das próprias obras a instituições cristãs inspira até hoje projetos de sustento financeiro do trabalho missionário.

Outras pessoas