Povo
Povo não alcançado Fronteira
Os dom murdafarash formam um subgrupo do povo dom, tradicionalmente ligado a ofícios humildes como a música de rua, o trabalho diarista e os cuidados com os mortos. Vivem principalmente nos estados de Odisha, Bengala Ocidental e no leste de Madhya Pradesh, no leste da Índia, onde constroem sua vida em comunidades muitas vezes à margem da sociedade mais ampla.
O nome murdafarash remete justamente a esse ofício ligado à passagem da morte, um trabalho que poucos aceitam realizar e que, ao longo de gerações, tornou-se parte da identidade do grupo. Falam majoritariamente o odia, língua que também os liga à cultura mais ampla da região onde vivem.
Apesar das dificuldades impostas por sua posição social, os dom murdafarash mantêm vínculos familiares fortes e uma vida comunitária organizada em torno do clã, preservando costumes e papéis sociais bem definidos entre homens e mulheres.
O povo dom está entre as comunidades mais antigas do subcontinente indiano, historicamente associado à confecção de cestos, cordas e instrumentos de percussão, e também a serviços considerados impuros pela sociedade hindu tradicional, como a cremação e o manuseio de corpos. Essa associação rendeu ao grupo o status de intocável dentro do sistema de castas, uma posição que moldou séculos de exclusão social.
Durante o período colonial britânico, os dom chegaram a ser classificados sob leis que os tratavam como tribos criminosas, um estigma que aprofundou ainda mais o isolamento da comunidade. Os murdafarash, um dos subgrupos regionais do povo dom, fixaram-se ao longo do tempo em Odisha, Bengala Ocidental e no leste de Madhya Pradesh, mantendo até hoje muitas das ocupações e da posição social herdadas de seus antepassados.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Índia Não alcançado
|
100%
|
186.000 |
A vida gira em torno do trabalho manual e de ofícios historicamente ligados à casta, como o cuidado com os mortos, a confecção de cestos, cordas e instrumentos de percussão, e o trabalho como diaristas ou músicos de rua. São ocupações transmitidas de geração em geração, que garantem sustento modesto e ao mesmo tempo perpetuam a posição social que a comunidade ocupa há séculos.
A família e o clã organizam a vida social, e os papéis são bem definidos: aos homens cabe a autoridade doméstica, enquanto as mulheres, mesmo subordinadas nas decisões cotidianas, têm papel ativo nos ritos e nas celebrações religiosas. A educação formal costuma ser reservada aos meninos, e as meninas crescem voltadas ao cuidado do lar desde cedo.
Os dom murdafarash são hindus, e sua fé se expressa em devoções bastante próprias dentro da tradição hindu mais ampla, com destaque para divindades populares como Baba Ramdeo e Bhainro, cultuadas com rituais, ofertas e, em algumas famílias, sacrifícios de animais para afastar a má sorte. Essa religiosidade se mistura à vida cotidiana e à identidade de casta, reforçando o lugar que o grupo ocupa dentro da sociedade hindu mais ampla.
As mulheres têm papel ativo nessa dimensão ritual, conduzindo práticas devocionais e transmitindo crenças aos filhos, o que faz da religião um elo importante entre gerações e um dos pilares da coesão comunitária diante da exclusão social enfrentada pelo povo.
A língua do coração da maioria dos dom murdafarash é o odia, um idioma que já recebeu tradução completa da Bíblia há mais de dois séculos e conta hoje com aplicativos, gravações em áudio e vídeo. A existência desses recursos, porém, não significa que cheguem às mãos e à vida cotidiana de um povo que vive à margem: o analfabetismo e o isolamento social limitam o acesso direto às Escrituras, tornando a oralidade e a mediação pessoal caminhos ainda mais necessários.
Ser dom murdafarash é carregar, além da pobreza, o peso de uma posição social que a sociedade indiana lhes atribuiu havia gerações: a de intocáveis. Essa marca de casta molda quase todo contato com o mundo exterior, inclusive o religioso, e mantém o povo isolado nas margens da vida social e econômica. Sem cristãos conhecidos entre eles e poucas pontes de confiança com outras comunidades, o caminho do evangelho até essas famílias ainda não foi aberto.
Décadas de estigma social deixaram marcas profundas: acesso limitado à educação, sobretudo para as meninas, oportunidades de trabalho restritas a ofícios de baixo prestígio e pouca mobilidade social. Há grande necessidade de dignidade, de oportunidades justas de sustento e de valorização como comunidade.
No campo espiritual, a carência é igualmente grande: não há igreja nem comunidade cristã conhecida entre os dom murdafarash, o que significa que quem viesse a crer em Jesus não encontraria hoje nenhum apoio local para caminhar na fé.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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