Religiões

Judaísmo

יהדות (Yahadut) · Religião do povo judeu

15,8 miFiéis no mundo
0,2%Da população mundial
IsraelOnde mais vivem
56Não alcançados
Maurycy Gottlieb · Domínio público, Wikimedia Commons
Livro sagradoTanakh (Bíblia hebraica: Torá, Profetas e Escritos), interpretado à luz do Talmude (compilação de discussões e interpretações rabínicas).
OrigemCerca de 2000 a.C., com a aliança de Deus com Abraão, formalizada como lei nacional com Moisés no Sinai, por volta de 1446 a.C. segundo a cronologia bíblica (1Rs 6:1).
FundadorAbraão (patriarca da aliança) e Moisés (mediador da lei), sem fundador único no sentido de uma pessoa que criou a religião.
O que é

O judaísmo é a mais antiga das religiões monoteístas e a raiz histórica da fé cristã. Nasceu da aliança de Deus com Abraão, foi moldado pela lei entregue a Moisés e pelos profetas de Israel, e é hoje professado por cerca de 15,8 milhões de pessoas no mundo, perto de 0,2% da população mundial.

Israel, com cerca de 7,2 milhões de judeus, e os Estados Unidos, com cerca de 6,3 milhões, concentram a grande maioria dos judeus do planeta. O restante vive espalhado por comunidades na Europa, nas Américas e em outras partes do mundo, fruto de séculos de diáspora, migração e, em muitos casos, perseguição.

Para o cristianismo, o judaísmo ocupa um lugar único: as Escrituras hebraicas são parte do próprio cânon bíblico, e Jesus, seus apóstolos e a igreja primitiva eram todos judeus. Ainda assim, séculos de história trouxeram distância e, por vezes, hostilidade entre as duas comunidades de fé.

Hoje, comunidades judaicas messiânicas existem em várias partes do mundo, incluindo Israel, onde judeus creem em Jesus como o Messias prometido sem abandonar sua identidade judaica. É um movimento pequeno, mas significativo, num diálogo que atravessa milênios.

Pilares e práticas
1

Guarda do Shabat

O dia de descanso semanal, do pôr do sol de sexta-feira ao pôr do sol de sábado, dedicado ao repouso das atividades cotidianas, à oração e à reunião familiar em memória da criação e da libertação do Egito.

2

Leis alimentares kosher

Um conjunto de regras (kashrut) que define quais alimentos podem ser consumidos e como devem ser preparados, incluindo a proibição da carne de porco e de todos os frutos do mar (dos animais aquáticos, só são permitidos peixes com barbatanas e escamas) e a separação entre carne e leite.

3

Oração diária

Em tradições observantes, a oração é feita três vezes ao dia (manhã, tarde e noite), muitas vezes seguindo liturgias fixas reunidas no livro de orações (sidur).

4

Estudo contínuo da Torá

O estudo dos textos sagrados e das interpretações rabínicas é visto como um dever espiritual permanente, praticado ao longo de toda a vida, individualmente ou em estudo com outros (chevruta).

5

Bar e bat mitzvá

O rito de passagem que marca a maioridade religiosa, aos 13 anos para meninos (bar mitzvá) e aos 12 ou 13 para meninas (bat mitzvá), quando passam a ser responsáveis pelo cumprimento pessoal dos mandamentos.

O que se crê

Monoteísmo estrito e exclusivo

A crença em um único Deus, incorpóreo e indivisível, é o núcleo central da fé judaica, expresso classicamente na oração Shemá Israel: "Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor" (Dt 6:4).

A aliança (brit) entre Deus e o povo de Israel

Os judeus creem terem sido escolhidos por Deus para uma relação de aliança que envolve tanto eleição quanto responsabilidade de viver segundo a lei divina e ser um testemunho entre as nações.

A Torá como lei viva

A lei dada a Moisés no Sinai não é vista como abolida, mas como um caminho a ser continuamente estudado, interpretado e vivido na prática cotidiana, adaptando-se a cada geração por meio da tradição rabínica.

A espera pelo Messias ainda não vindo

Na visão judaica tradicional, o Messias é um libertador humano ainda esperado, que trará paz universal e restauração para Israel, uma crença que difere diretamente da fé cristã de que Jesus já é o Messias prometido.

Responsabilidade ética e reparo do mundo

O conceito de tikun olam, reparo do mundo, expressa o dever judaico de agir com justiça social e cuidado pelo próximo como parte prática da vida de fé.

Diversidade de correntes dentro do judaísmo

Existem hoje diferentes correntes, como o judaísmo ortodoxo, conservador e reformista, que diferem no grau de observância da lei tradicional, mas compartilham a mesma raiz histórica e textual.

Datas e práticas

Shabat

O dia de descanso semanal, do pôr do sol de sexta-feira ao pôr do sol de sábado, o momento sagrado mais recorrente do calendário judaico.

Rosh Hashaná

O ano-novo judaico, marcado pelo som do shofar (chifre de carneiro) e por um período de 10 dias de reflexão e arrependimento que leva ao Yom Kipur.

Yom Kipur

O dia do perdão, considerado o mais sagrado do calendário judaico, dedicado ao jejum, à oração e ao arrependimento pelos pecados do ano que passou.

Pessach

A Páscoa judaica, que recorda o êxodo do povo hebreu da escravidão no Egito, celebrada com o sêder, uma refeição ritual que narra a história da libertação.

Como vivem

Observância do Shabat

A família se reúne para uma refeição especial na sexta à noite, com o acender de velas e bênçãos tradicionais, e se abstém de trabalho até o pôr do sol de sábado.

Alimentação kosher

Envolve a separação rigorosa entre utensílios e alimentos de carne e de leite, e a proibição de porco e de frutos do mar (só se comem peixes com barbatanas e escamas), seguida com diferentes níveis de rigor conforme a tradição da família.

Uso do kipá e outros símbolos

Muitos homens judeus usam o kipá, um pequeno solidéu, como sinal de reverência a Deus, e alguns utilizam o talit (xale de oração) e os tefilin (pequenas caixas com trechos da Torá) durante a oração.

Papel central da sinagoga e da comunidade

A sinagoga é o local de oração coletiva, estudo e vida comunitária, liderada por um rabino, que atua como guia espiritual e intérprete da lei, mais do que como sacerdote no sentido clássico.

Ênfase na educação e no estudo

A educação religiosa começa cedo na infância, com aprendizado do hebraico e dos textos sagrados, e o estudo continua sendo valorizado como prática espiritual ao longo de toda a vida adulta.

Breve história
  1. Cerca de 2000 a.C. Deus faz aliança com Abraão, prometendo torná-lo pai de uma grande nação, marco considerado a origem do povo e da fé judaica.
  2. Cerca de 1446 a.C. O êxodo do Egito e a entrega da lei a Moisés no monte Sinai, formalizando a aliança como lei nacional para o povo de Israel. A data segue a cronologia bíblica (1Rs 6:1); muitos estudiosos propõem o século XIII a.C.
  3. Cerca de 960 a.C. O rei Salomão constrói o Primeiro Templo em Jerusalém, centralizando o culto e os sacrifícios do povo de Israel.
  4. 586 a.C. Destruição do Primeiro Templo pelos babilônios e início do exílio judaico na Babilônia, que também marca o começo da diáspora (a dispersão dos judeus fora da sua terra).
  5. 516 a.C. Conclusão e dedicação do templo reconstruído pelos que voltaram do exílio, dando início ao período do Segundo Templo.
  6. 70 d.C. Destruição do Segundo Templo pelos romanos após a revolta judaica, evento que transforma profundamente a prática religiosa judaica, deslocando o centro da vida de fé do templo para a sinagoga e o estudo da lei.
  7. Séculos I a XIX d.C. A diáspora judaica, que já existia desde o exílio na Babilônia, se amplia e se espalha pela Europa, Oriente Médio e norte da África, com comunidades enfrentando períodos de tolerância e períodos de perseguição ao longo dos séculos.
  8. 1939 a 1945 O Holocausto, a perseguição e o extermínio sistemático de cerca de 6 milhões de judeus pelo regime nazista, uma das tragédias mais marcantes da história judaica moderna.
  9. 1948 Criação do Estado de Israel, evento de grande significado histórico e religioso para o povo judeu após quase 2 mil anos de diáspora.
Como dialogar

Ponto de contato

Cristãos e judeus compartilham as escrituras do Antigo Testamento (Tanakh), a crença em um único Deus criador e a reverência a figuras como Abraão, Moisés e os profetas, uma base rica para um diálogo respeitoso.

O valor dado ao Shabat, ao estudo contínuo das escrituras e à vida em comunidade são práticas que podem gerar identificação e admiração mútua com disciplinas espirituais também valorizadas na vida cristã.

O que evitar

Evite qualquer discurso ou insinuação antissemita; a história de perseguição ao povo judeu, incluindo o Holocausto, exige sensibilidade e memória respeitosa, nunca minimização.

Ao mencionar o conflito entre Israel e a Palestina, trate o tema com sobriedade factual e sem tomar partido político, focando no aspecto religioso e histórico quando for relevante para a conversa, sem generalizações.

O que perguntar

Perguntar como a família da pessoa vive o Shabat pode abrir uma conversa genuína sobre descanso, família e a presença de Deus no cotidiano.

Perguntar o que ela entende sobre a figura do Messias esperado pode abrir espaço natural, sem pressa e sem forçar, para compartilhar com respeito a compreensão cristã de que Jesus é o Messias prometido.

Onde mais vivem
Povos não alcançados desta religião 56 no total
Judeus israelenses +1

Judeus israelenses

4,9 milhões pessoas4 locais não alcançados

+2

Judeu Russo

1,6 milhão pessoas5 locais não alcançados

Judeu hassídico +5

Judeu hassídico

1,1 milhão pessoas8 locais não alcançados

+6

Judeu litvish

795 mil pessoas9 locais não alcançados

+1

Judeu Francês

352 mil pessoas4 locais não alcançados

+7

Judeu

244 mil pessoas10 locais não alcançados

Ver todos os 56 povos não alcançados desta religião

Pelo que orar
  • Pelo povo judeu ao redor do mundo, para que reconheça em Jesus o Messias prometido nas Escrituras que já possui.
  • Pelas comunidades judaico-messiânicas, por coragem e por unidade em meio ao isolamento que muitas vezes enfrentam.
  • Por Israel, por paz numa região marcada por conflito, e por famílias judias e palestinas atingidas pela guerra.
  • Por cristãos que se relacionam com comunidades judaicas, por sensibilidade, respeito e amor genuíno.
  • Por reconciliação entre judeus e cristãos, superando séculos de distância e desconfiança mútua.

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