Religião

Cristianismo (Ortodoxo)

Livro sagradoBíblia (cânon da Septuaginta)
OrigemIgreja indivisa dos primeiros séculos, Grande Cisma de 1054
FundadorSem fundador único, tradição apostólica oriental
263,6 mi
Fiéis estimados
59
Países com presença
Rússia
Onde mais vivem
Onde mais vivem
263,6 miFiéis estimados
59Países com presença

Estimativa: percentual da religião em cada país multiplicado pela população do país.

O que é
Visão geral

O cristianismo ortodoxo é um dos ramos mais antigos da fé cristã, formado a partir da igreja indivisa dos primeiros séculos e separado oficialmente da igreja de Roma em 1054, no episódio conhecido como Grande Cisma. É marcado por forte apego à liturgia, aos ícones sagrados, à tradição dos concílios antigos e à liderança de patriarcas, sem um único líder central como o papa católico.

Hoje o cristianismo ortodoxo tem 263.603.000 fiéis em 59 países. A Rússia concentra a maior comunidade, com 101.530.000 ortodoxos, seguida pela Etiópia, com 57.407.000, um dos países cristãos mais antigos do mundo. Ucrânia, Romênia, Egito, Grécia, Sérvia e Bielorrússia também têm grandes populações ortodoxas, refletindo a força histórica dessa tradição no Leste Europeu, nos Bálcãs e em partes da África.

Por ser um dos ramos mais antigos do cristianismo, o diálogo com a ortodoxia não é sobre apresentar Jesus como algo novo, mas sobre reencontrar juntos, ortodoxos e outras tradições cristãs, a unidade que existiu antes das divisões históricas. Há muito em comum na fé central em Cristo, mesmo com diferenças de prática e liturgia.

É uma tradição de profunda devoção e memória histórica, com séculos de fidelidade mesmo sob perseguição em vários desses países.

Pilares e práticas
1
A Liturgia Divina
A celebração litúrgica central da vida ortodoxa, geralmente mais longa e inteiramente cantada, sem instrumentos, em contraste com a Missa católica. A mais usada é a Liturgia de São João Crisóstomo, repleta de incenso, procissões e cânticos que buscam antecipar na terra o culto celestial
2
Veneração de ícones
Imagens sacras pintadas segundo regras teológicas rígidas, entendidas como janelas para o divino e não como retratos comuns. Diferem das estátuas e imagens tridimensionais mais comuns na devoção católica, e a distinção entre venerar o ícone e adorar a Deus é central para não confundir a prática com idolatria
3
Jejum litúrgico rigoroso
Várias temporadas de jejum ao longo do ano, entre elas a Quaresma antes da Páscoa, o jejum da Natividade antes do Natal e o jejum dos apóstolos, com regras alimentares mais severas e prolongadas do que as praticadas no catolicismo ocidental
4
O ano litúrgico e seus ciclos
Um calendário de festas fixas e móveis que organiza toda a vida espiritual do fiel ao longo do ano, com destaque para a Páscoa como festa maior, cercada por um ciclo extenso de preparação e celebração
5
Os sete sacramentos, chamados mistérios
Batismo por imersão tríplice, Crisma (aplicado logo após o batismo, mesmo em bebês), Eucaristia, Confissão, Ordem, Matrimônio e Unção dos enfermos, entendidos como mistérios que participam da realidade divina e não apenas como ritos simbólicos
6
O monasticismo como vocação de grande prestígio
A vida monástica ocupa lugar central e muito valorizado na espiritualidade ortodoxa, com o Monte Atos, na Grécia, como maior símbolo: uma península autônoma dedicada exclusivamente à vida monástica há mais de mil anos
Crenças e práticas
O que se crê
Theosis
A doutrina de que o ser humano é chamado a participar da natureza divina, a tornar se semelhante a Deus por graça e não por natureza, um processo de transformação que começa nesta vida e se completa na eternidade
Autoridade dos sete primeiros concílios ecumênicos
A ortodoxia reconhece como definitivos apenas os concílios realizados entre os séculos IV e VIII, e não aceita desenvolvimentos doutrinários posteriores da Igreja Católica, como o dogma da Imaculada Conceição de Maria ou a infalibilidade papal
Não reconhecimento do primado papal
O bispo de Roma é visto como primeiro entre iguais em honra, mas sem autoridade suprema sobre toda a igreja: cada patriarcado mantém sua própria autoridade final em suas questões internas
Ênfase no mistério e no apofatismo
A ideia de que Deus é mais bem descrito por aquilo que Ele não é, dada a limitação humana de compreendê Lo plenamente, o que leva a teologia ortodoxa a evitar definições excessivamente racionais sobre a natureza divina
Organização em patriarcados autocéfalos
A igreja é organizada em patriarcados e igrejas nacionais autônomas (autocéfalas), como a russa, a grega, a sérvia e a romena, unidas pela mesma fé e comunhão, mas sem uma hierarquia centralizada única como a do papado católico
Tradição como vivência contínua do Espírito na igreja
A Tradição não é vista como um conjunto fechado de regras adicionais à Bíblia, mas como a vida do Espírito Santo guiando a igreja ao longo dos séculos, expressa na liturgia, nos concílios e nos escritos dos Padres da Igreja
Datas e práticas
Páscoa Ortodoxa
Calculada por um método de calendário diferente do usado por católicos e protestantes, frequentemente cai em data distinta da Páscoa ocidental, sendo a maior festa do ano litúrgico ortodoxo
Natal
Celebrado em 25 de dezembro pela maioria das igrejas ortodoxas, mas em 6 ou 7 de janeiro pelas que ainda seguem o calendário juliano antigo para as festas fixas, como partes da igreja russa
Quaresma ortodoxa
Período de jejum mais rigoroso e mais longo do que o católico, com abstinência de carne, laticínios e, em muitos dias, também de azeite e vinho, preparando os fiéis para a Páscoa
Dormição de Maria
Celebrada em 15 de agosto, comemora a partida de Maria desta vida, precedida por duas semanas de jejum, uma das doze grandes festas do calendário ortodoxo
Como vivem
Frequência a longas liturgias
Participação em celebrações litúrgicas aos domingos e nas muitas festas do calendário, geralmente de pé por horas, num culto mais longo do que o costume ocidental
Ícones no lar
Muitas famílias mantêm um canto de oração em casa com ícones, diante dos quais rezam diariamente, acendendo velas e fazendo o sinal da cruz
Jejum frequente
Em várias tradições ortodoxas, o jejum de carne e laticínios acontece toda quarta e sexta feira, além das temporadas maiores de jejum ao longo do ano
Fé e identidade nacional entrelaçadas
Forte ligação entre a fé ortodoxa e a identidade étnica ou nacional, como na ortodoxia grega, russa e sérvia, cada uma com calendário, santos e costumes próprios profundamente ligados à história do povo
Mosteiros como centros espirituais
Os mosteiros não são apenas lugares de retiro dos monges, mas destinos de peregrinação visitados por leigos em busca de direção espiritual, confissão e oração diante de relíquias e ícones milagrosos
Breve história
325
Concílio de Niceia, que define a divindade de Cristo e lança as bases do Credo, ainda hoje recitado nas liturgias ortodoxas
451
Concílio de Calcedônia, que define a doutrina das duas naturezas de Cristo e gera uma primeira ruptura com as igrejas orientais que não aceitaram suas conclusões
988
Conversão do Príncipe Vladimir de Kiev ao cristianismo oriental, marco do início da expansão da ortodoxia entre os povos eslavos e origem da futura ortodoxia russa
1054
Grande Cisma: excomunhões mútuas entre Roma e Constantinopla selam a separação formal entre a Igreja Católica Ocidental e a Igreja Ortodoxa Oriental
1453
Queda de Constantinopla para os otomanos, fim do Império Bizantino, mas a igreja ortodoxa sobrevive e se reorganiza sob domínio islâmico
Séculos XIX e XX
Criação de diversas igrejas autocéfalas nacionais, como a grega, a sérvia, a romena e a búlgara, à medida que essas nações conquistam independência política do domínio otomano
Século XX
Perseguição soviética contra a igreja russa, com fechamento de mosteiros, execução de clérigos e décadas de restrição severa à prática religiosa
Após 1991
Reconstrução da igreja ortodoxa russa após a queda da URSS, com reabertura de milhares de igrejas e mosteiros e retomada da vida litúrgica pública
Como dialogar
Pelo que orar
Intercessão
Pelos cristãos ortodoxos da Rússia e da Ucrânia, por reconciliação em meio a conflitos que também dividem irmãos na fé.
Pela Etiópia, um dos berços mais antigos do cristianismo, por renovação espiritual e unidade entre as igrejas.
Pelos ortodoxos do Egito, minoria cristã histórica em meio à maioria muçulmana, por proteção e perseverança.
Pela Romênia, pela Grécia, pela Sérvia e pela Bielorrússia, por vivacidade espiritual além da tradição herdada.
Por unidade entre cristãos ortodoxos, católicos e protestantes, superando séculos de divisões históricas.
Pelos patriarcas e líderes ortodoxos, por sabedoria em tempos de mudança social e política.
Ore para que a fé em Cristo, guardada por tanto tempo na tradição ortodoxa, se renove em vida pessoal e comunitária.

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