Há quem meça a vida pelo que constrói: uma carreira, uma cidade, um nome que os outros lembram muito depois da morte. Onri conquistou tudo isso, mas a Bíblia resume o seu reinado numa única frase severa.
Onri era comandante do exército de Israel, acampado em Gibetom, quando o rei Zinri assassinou o rei Elá, tomou o trono e reinou apenas sete dias em Tirza. Assim que os soldados souberam da conspiração, proclamaram Onri rei ali mesmo, no meio do acampamento (1 Reis 16:15-16).
Seguiu-se uma guerra civil. Onri sitiou Tirza, a capital, e Zinri, vendo a cidade cair, incendiou o próprio palácio ao seu redor e morreu nas chamas. Metade do povo ainda apoiava outro candidato ao trono, Tibni, mas os seguidores de Onri prevaleceram (1 Reis 16:17-22).
Com o trono assegurado, Onri comprou uma colina de um homem chamado Sêmer, por dois talentos de prata, e ali construiu Samaria. A nova capital resistiria por mais de cento e cinquenta anos, até a queda do reino do norte (1 Reis 16:23-24).
Politicamente, foi um rei hábil: estabilizou o reino, fez alianças e deixou um legado tão forte que a Assíria continuou chamando Israel de casa de Onri gerações depois de sua morte. O texto sagrado, porém, julga por outro critério.
Onri fez o que era mau aos olhos do Senhor e pecou mais do que todos os reis que o precederam, andando nos caminhos idólatras de Jeroboão (1 Reis 16:25-26). Séculos depois, o profeta Miqueias ainda citaria o nome de Onri como sinônimo de corrupção institucionalizada, ao lado do de seu filho Acabe (Miqueias 6:16).
A história de Onri incomoda porque separa duas coisas que gostamos de juntar: sucesso e aprovação de Deus. Ele venceu uma guerra civil, fundou uma cidade que durou gerações, construiu um nome que os historiadores lembrariam. Nada disso apareceu no veredito bíblico sobre a sua vida.
O que ficou registrado não foi o que impressionou os contemporâneos de Onri, mas o que ele ensinou o seu povo a idolatrar. Vale perguntar o que os nossos próprios êxitos estão ensinando a quem vem depois de nós.
