Asa

Rei de Judá · Reformador

Asa

Período~911 a.C. – ~870 a.C.

Domínio público, via Wikimedia Commons · fonte

Resumo
Terceiro rei de Judá depois da divisão do reino, Asa começou removendo ídolos e buscando o Senhor com todo o coração, e venceu um exército muito maior confiando só em Deus. Nos últimos anos, porém, trocou a oração por uma aliança política, e pagou caro pela mudança de rumo.
Quem foi Asa
Biografia

É comum começar bem e terminar mal. Muita gente vive fiel a Deus por anos, sofre uma crise, cede num detalhe, e o pequeno deslize vira hábito até que a pessoa nem se reconhece mais. A vida do rei Asa de Judá ilustra bem esse risco: um começo brilhante, seguido por um final marcado por decisões tomadas sem Deus.

Asa era filho de Abias e neto de Roboão, e foi o terceiro rei de Judá depois da divisão do reino. Logo que assumiu o trono, ele fez o que nenhum antecessor seu tinha feito: removeu os altares pagãos e destruiu os ídolos por todo o país. Até sua avó Maaca, que ocupava a posição de rainha-mãe, foi destituída por causa da idolatria dela.

Judá viveu anos de paz sob esse governo fiel. A fé de Asa foi testada quando Zerá, o etíope, avançou contra o reino com um exército muito maior. Em vez de contar soldados, Asa clamou ao Senhor, pedindo ajuda a quem não distingue entre poucos e muitos. A vitória veio, e o profeta Azarias confirmou ao rei que Deus está com aqueles que o buscam.

Anos depois, outro conflito surgiu, agora contra Baasa, rei de Israel. Dessa vez Asa não orou: usou prata e ouro do templo para comprar a ajuda do rei da Síria. O plano funcionou no curto prazo, mas o profeta Hanani foi enviado para lembrar o rei do que ele já sabia.

Os olhos do Senhor percorrem toda a terra para fortalecer quem tem o coração inteiramente voltado para ele. Em vez de se arrepender, Asa reagiu com ira: prendeu Hanani e oprimiu parte do povo. Mais tarde, já doente nos pés, buscou médicos, mas não buscou a Deus.

A história de Asa não cabe no rótulo simples de bom rei ou mau rei: ele foi as duas coisas, em fases diferentes da mesma vida. É por isso que sua trajetória fala tão de perto a quem já viveu esse mesmo padrão: temporadas de intimidade real com Deus, seguidas por temporadas de autossuficiência silenciosa.

Nenhuma vitória do passado garante a fidelidade do presente. A pergunta que Asa deixa para quem lê sua história não é como ele começou, mas onde ele parou de confiar, e essa pergunta continua atual.

Versículos marcantes

Então Asa clamou ao Senhor, o seu Deus, e disse: Senhor, não há ninguém como tu para ajudar os fracos contra os poderosos. Ajuda-nos, Senhor, nosso Deus, pois em ti nos apoiamos, e em teu nome viemos contra este imenso exército.

2 Crônicas 14:11

Pois os olhos do Senhor percorrem toda a terra, para fortalecer aqueles cujo coração é totalmente dele.

2 Crônicas 16:9

Ouçam-me, Asa e todo o Judá e Benjamim: o Senhor está com vocês quando vocês estão com ele. Se o buscarem, ele se deixará achar por vocês, mas, se o abandonarem, ele os abandonará.

2 Crônicas 15:2

Visões, profecias e feitos

Remoção dos ídolos

Logo no início do reinado, Asa destruiu os altares pagãos, quebrou os pilares sagrados e derrubou os ídolos por toda a Judá.

2 Crônicas 14:2-5

Vitória sobre Zerá, o etíope

Diante de um exército imenso, Asa clamou ao Senhor em vez de confiar no tamanho de suas tropas, e Judá venceu.

2 Crônicas 14:9-13

Renovação da aliança

Depois da vitória, o profeta Azarias exortou o povo, e Asa liderou uma cerimônia solene de compromisso com o Senhor em Jerusalém.

2 Crônicas 15:1-15

Destituição da rainha-mãe Maaca

Asa retirou de sua avó Maaca a posição de rainha-mãe por causa da idolatria dela, e destruiu o ídolo que ela mantinha.

2 Crônicas 15:16

Aliança com a Síria

Ameaçado por Baasa, rei de Israel, Asa usou prata e ouro do templo para comprar o apoio do rei de Damasco, em vez de buscar o Senhor.

2 Crônicas 16:1-6

A prisão do profeta Hanani

Repreendido por confiar em aliança humana, Asa reagiu com ira, prendeu o vidente Hanani e oprimiu parte do povo.

2 Crônicas 16:7-10
Linha do tempo
~911 a.C.

Torna-se rei de Judá

Sucede seu pai Abias no trono (1 Reis 15:9-10).

~911-901 a.C.

Dez anos de paz e reformas

Remove ídolos e altares pagãos, e Judá vive tranquilidade (2 Crônicas 14:1-7).

~897 a.C.

Vitória sobre Zerá, o etíope

Judá vence um exército muito maior depois que Asa clama ao Senhor (2 Crônicas 14:9-13).

~896 a.C.

Renovação da aliança em Jerusalém

No décimo quinto ano do reinado, o povo se compromete de novo com o Senhor (2 Crônicas 15:10-15).

36º ano do reinado

Aliança com o rei da Síria

Diante da ameaça de Baasa, rei de Israel, Asa recorre a uma aliança política em vez de orar (2 Crônicas 16:1-6).

~870 a.C.

Morte de Asa

Depois de uma doença nos pés em que buscou médicos e não o Senhor, Asa morre e é sepultado com grandes honras (2 Crônicas 16:12-14).

Retrato

Removeu os altares pagãos e os ídolos que gerações anteriores haviam tolerado em Judá

Buscou o Senhor com sinceridade e trouxe anos de paz e reformas ao reino

Confiou em Deus, e não no tamanho do exército inimigo, na guerra contra Zerá, o etíope

Teve coragem de destituir a própria avó da posição de rainha-mãe por causa da idolatria dela

Liderou o povo numa renovação pública e solene da aliança com o Senhor

Recorreu a uma aliança política com o rei da Síria em vez de confiar em Deus na guerra contra Baasa

Usou prata e ouro do templo para comprar apoio humano

Reagiu com ira à repreensão do profeta Hanani e o colocou na prisão

Na doença que teve nos pés, buscou apenas os médicos e não buscou o Senhor

Lições e legado
Lições de vida

Um bom começo não garante um bom final; a fidelidade precisa ser cultivada até o fim da vida

Recorrer a soluções humanas no lugar de Deus tem um preço, mesmo quando parece funcionar no momento

Repreensão bem-intencionada deve ser recebida com humildade, não com ira

Os olhos do Senhor buscam corações inteiramente voltados para ele, não apenas boas obras isoladas no passado

Buscar ajuda médica não é errado, mas nunca deve substituir a busca por Deus

Legado missionário

Suas reformas mostram que remover barreiras à fé, como ídolos e sincretismo, é um passo necessário antes de qualquer avanço espiritual duradouro

A vitória sobre um exército muito maior ensina que alcançar as nações depende da dependência de Deus, não do tamanho dos recursos disponíveis

A aliança de Asa com a Síria adverte sobre o risco de buscar atalhos políticos ou financeiros no lugar de confiar a Deus a expansão do seu Reino entre os povos

A renovação pública da aliança sob o profeta Azarias mostra o valor de recomprometer comunidades inteiras, não apenas indivíduos, com a missão de Deus

Família e contexto
Família e relações
Pai Abias (1 Reis 15:8)
Avô Roboão
Avó (rainha-mãe destituída) Maaca (2 Crônicas 15:16)
Filho e sucessor Josafá (2 Crônicas 17:1)
Contemporâneo (rei rival) Baasa, rei de Israel (2 Crônicas 16:1)
Nações mencionadas

Etiópia (Cuxe)

2 Crônicas 14:9-13

Síria (Arã)

2 Crônicas 16:1-4

Israel (reino do norte)

2 Crônicas 16:1

Locais relacionados

Jerusalém

Capital de Judá, onde Asa governou e liderou a renovação da aliança com o Senhor

Vale de Sefatá, perto de Maressa

Onde Asa venceu o exército de Zerá, o etíope

Ramá

Cidade que Baasa, rei de Israel, fortificava para bloquear Judá; depois que Baasa recuou, Asa tomou o material de construção de lá

Geba e Mispa

Cidades fortificadas por Asa com o material tomado de Ramá

Onde encontrar na Bíblia
Onde encontrar na Bíblia

A história de Asa é relatada em 1 Reis 15:9-24 e, com muito mais detalhes, em 2 Crônicas 14 a 16. Ele também aparece na genealogia de Jesus, em Mateus 1:8.

Outras pessoas