Toda pessoa já ouviu, em algum momento, uma voz interna perguntando se vale a pena confiar em Deus, se a obediência não é exagero e se o pecado, afinal, traz alguma consequência real. A Bíblia dá nome a essa voz: Satanás, o acusador e tentador que aparece do início ao fim da Escritura.
No jardim do Éden, a serpente, descrita como mais astuta que qualquer animal selvagem, pergunta a Eva se foi mesmo isso que Deus disse (Gênesis 3:1). Ela distorce o mandamento, promete que os olhos dela se abririam e planta dúvida onde havia clareza. Adão e Eva comem do fruto proibido, e o mundo muda.
Séculos depois, no livro de Jó, Satanás aparece entre os anjos diante do Senhor e acusa Jó de só servir a Deus por interesse (Jó 1:9-11). Deus permite que ele o teste, mas dentro de limites que o próprio Satanás não pode ultrapassar (Jó 1:12; 2:6). Ele precisa de permissão, não age livre.
Na visão de Zacarias, Satanás está de pé ao lado direito do sumo sacerdote Josué, pronto para acusá-lo (Zacarias 3:1). O Senhor o repreende e veste Josué com roupas limpas, trocando a acusação por graça. Mais tarde, ele também incita Davi a um recenseamento que traz juízo sobre Israel (1 Crônicas 21:1).
No deserto, Satanás tenta o próprio Jesus três vezes, oferecendo pão, poder e os reinos do mundo (Mateus 4:1-11). Jesus responde citando a Escritura, e o tentador se retira até outra oportunidade (Lucas 4:13). Depois, ele entra em Judas para armar a traição e pede para peneirar Pedro como trigo (Lucas 22:3,31).
O Apocalipse mostra o fim dessa história: o antigo dragão é vencido pelo sangue do Cordeiro e, por fim, lançado no lago de fogo para sempre (Apocalipse 12:9-11; 20:10). Ele é real, mas não é páreo para Deus, precisa de licença até para acusar.
Para quem ouve hoje aquela voz de dúvida ou carrega a vergonha de um pecado antigo, a história de Satanás traz um contraponto firme. O acusador já foi julgado, sua sentença está escrita, e a ordem para o crente é simples: resistir, submetendo-se a Deus, e ele foge (Tiago 4:7).
