Quem nunca tomou uma decisão importante sob a pressão do momento, ou por vaidade, e só depois percebeu o tamanho do estrago? Xerxes, o homem mais poderoso da terra em seu tempo, viveu isso mais de uma vez, e quase pagou um preço terrível por causa disso.
Ele governava o Império Persa, cento e vinte e sete províncias que iam da Índia até Cuxe (Ester 1:1). Depois de exibir sua riqueza por cento e oitenta dias, ofereceu um banquete de sete dias para o povo de Susã e, no último dia, já alegre pelo vinho, mandou chamar a rainha Vasti para ostentar sua beleza diante de todos. Ela se recusou, e ele a destituiu no mesmo dia, em fúria (Ester 1:4-19).
Anos depois, uma jovem judia chamada Ester entrou no palácio e conquistou o coração do rei mais do que qualquer outra mulher (Ester 2:17). Xerxes a coroou rainha sem saber que ela escondia sua origem, nem que aquela escolha um dia salvaria o povo dela da destruição.
O rei confiava demais em quem estava por perto. Promoveu Hamã ao mais alto posto do reino e, sem investigar, autorizou um decreto para exterminar todos os judeus do império, só porque Hamã odiava um deles (Ester 3:1,10-13).
Um decreto selado com o anel do rei não podia ser revogado (Ester 1:19), então Ester arriscou a vida para pedir: “poupe a minha vida e a vida do meu povo” (Ester 7:3). Antes desse pedido, numa noite de insônia, Xerxes já tinha lido o registro que provava a lealdade esquecida de Mardoqueu, primo de Ester.
Diante do apelo dela, o rei se voltou contra o próprio conselheiro, mandou executar Hamã e emitiu um segundo decreto, permitindo que os judeus se defendessem (Ester 7-8). O mesmo homem que autorizara a morte de um povo virou o instrumento da sua salvação.
A história de Xerxes incomoda porque ele nunca parece ter procurado a Deus, e ainda assim Deus usou seu trono, seu vinho e sua insônia para proteger o povo escolhido. Quem já se arrependeu de uma decisão tomada sob pressão sabe como é fácil assinar algo grave sem medir o alcance.
O livro de Ester nunca menciona o nome de Deus, e talvez seja esse o ponto: ele continua no comando mesmo nos bastidores dos impérios mais poderosos, movendo até reis que não o conhecem para cumprir seus propósitos.
