Balaque

Rei de Moabe

Balaque

Período~1406 a.C. (véspera da entrada de Israel em Canaã)

Philip De Vere, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons · fonte

Resumo
Balaque foi o rei de Moabe que, tomado pelo medo do povo de Israel acampado em suas fronteiras, contratou o profeta Balaão para maldizê-lo. Por três vezes ouviu bênçãos em vez de maldições e acabou expulsando o profeta com ira, sem conseguir deter o que Deus tinha decidido bendizer.
Quem foi Balaque
Biografia

Quem nunca sentiu que uma mudança fora do seu controle ameaçava tudo o que tinha, a ponto de considerar qualquer meio para detê-la? Foi esse medo que moveu o rei Balaque quando viu Israel acampado nas fronteiras de Moabe.

Balaque, filho de Zipor, reinava em Moabe quando soube que os israelitas tinham derrotado os poderosos amorreus. O texto registra que Moabe “teve muito medo do povo” e “teve pavor dos israelitas” (Nm 22:3). O medo levou o rei a buscar aliados em Midiã e a procurar uma solução espiritual para um problema que a força militar não resolveria.

Ele enviou mensageiros até a distante Petor, onde vivia Balaão, um profeta de renome, com uma proposta direta: maldizer Israel em troca de honra e riquezas (Nm 22:5-7). Quando Balaão hesitou depois de ouvir de Deus que não deveria ir, Balaque não desistiu. Enviou uma segunda delegação, ainda mais nobre, prometendo honrá-lo “com muita glória” (Nm 22:15-17).

Balaão finalmente foi, mas deixou claro que só diria o que Deus pusesse em sua boca (Nm 22:38). Balaque então o levou a três montes diferentes, Bamote-Baal, o Pisga e o Peor, erguendo altares e oferecendo sacrifícios em cada um, como se a mudança de cenário pudesse mudar a resposta de Deus (Nm 22:41; 23:14,28-30).

Por três vezes, em vez de maldição, saiu da boca de Balaão uma bênção sobre Israel. À terceira, a paciência de Balaque se esgotou: sua ira se acendeu, e ele expulsou o profeta, dizendo que o Senhor o tinha impedido de receber a honra prometida (Nm 24:10-11). Balaque partiu vencido pelo seu próprio caminho (Nm 24:25).

Gerações depois, o profeta Miqueias ainda lembraria ao povo o que “Balaque, rei de Moabe, tramou”, como prova de que o Senhor guarda os seus mesmo quando reis poderosos conspiram contra eles (Mq 6:5).

A história de Balaque expõe algo que ainda se repete hoje: trocar de estratégia, de lugar ou de método na esperança de dobrar a vontade de Deus aos próprios planos. Mas a bênção que Deus decide dar não se compra, não se manipula e não se detém, nem com altares, nem com ira, nem com o rei mais poderoso de Moabe.

Versículos marcantes

Balaque, filho de Zipor, viu tudo o que Israel tinha feito aos amorreus, e Moabe teve muito medo do povo, porque era muita gente. Moabe teve pavor dos israelitas.

Números 22:2-3

Venha agora lançar uma maldição contra ele, pois é forte demais para mim. Talvez, então, eu tenha condições de derrotá-lo e de expulsá-lo da terra.

Números 22:6

Meu povo, lembre-se do que Balaque, rei de Moabe, tramou e do que Balaão, filho de Beor, respondeu.

Miquéias 6:5

Visões, profecias e feitos

Vê Israel derrotar os amorreus e teme

Ao saber da vitória de Israel contra os poderosos reis amorreus, Balaque e todo o Moabe são tomados de pavor e buscam aliados em Midiã.

Números 22:2-4

Contrata Balaão para maldizer Israel

Envia mensageiros à distante Petor com a promessa de recompensa em troca de uma maldição sobre o povo de Deus.

Números 22:5-7

Insiste com uma segunda delegação

Depois que Deus impede Balaão de ir, Balaque envia oficiais ainda mais nobres, prometendo honrá-lo com muita glória.

Números 22:15-17

Constrói altares em Bamote-Baal

Recebe Balaão na fronteira, sacrifica bois e ovelhas e o leva ao alto de Bamote-Baal para avistar o acampamento de Israel.

Números 22:36-41

Muda de monte na esperança de mudar a resposta

Após ouvir a primeira bênção em vez da maldição, leva Balaão ao Pisga e depois ao Peor, repetindo sacrifícios em busca de um resultado diferente.

Números 23:13-14,27-30

Explode de ira contra Balaão

Ao ouvir pela terceira vez uma bênção sobre Israel, perde a paciência, bate as palmas e expulsa o profeta sem a honra prometida.

Números 24:10-11

É lembrado como quem tramou contra Israel

Gerações depois, o profeta Miqueias cita o plano de Balaque como exemplo da fidelidade do Senhor em guardar o seu povo.

Miquéias 6:5
Linha do tempo
~1406 a.C.

Vê o acampamento de Israel e teme

Moabe se aterroriza depois da vitória israelita sobre os amorreus (Nm 22:2-4).

~1406 a.C.

Envia a primeira delegação a Balaão

Pede que o profeta venha de Petor para maldizer Israel (Nm 22:5-7).

~1406 a.C.

Envia a segunda delegação, mais honrada

Insiste após a primeira recusa, oferecendo mais glória a Balaão (Nm 22:15-17).

~1406 a.C.

Recebe Balaão na fronteira de Moabe

Sacrifica animais e o leva ao alto de Bamote-Baal (Nm 22:36-41).

~1406 a.C.

Ouve o primeiro oráculo de bênção

Em vez da maldição pedida, Balaão pronuncia bênção sobre Israel (Nm 23:7-10).

~1406 a.C.

Leva Balaão ao Pisga e ao Peor

Repete sacrifícios em dois outros montes, buscando uma maldição que nunca vem (Nm 23:13-30).

~1406 a.C.

Expulsa Balaão com ira

Após o terceiro oráculo de bênção, rompe com o profeta sem lhe dar a honra prometida (Nm 24:10-13).

data desconhecida

É citado por Miqueias como aviso ao povo

O profeta lembra o plano de Balaque como prova da justiça do Senhor (Mq 6:5).

Retrato

Agiu com rapidez diplomática diante de uma ameaça real, buscando aliados em Midiã logo que viu Israel se aproximar (Nm 22:4)

Demonstrou persistência, enviando uma segunda delegação mais honrada depois que Balaão recusou o primeiro convite (Nm 22:15-17)

Cumpriu à risca todas as instruções rituais de Balaão, erguendo altares e oferecendo sacrifícios em três montes diferentes (Nm 23:1-2,14,29-30)

Tentou comprar uma maldição sobre o povo de Deus em vez de buscar a paz com Israel (Nm 22:6)

Insistiu em manipular a vontade de Deus mudando de monte e repetindo sacrifícios quando não gostou da resposta (Nm 23:13,27-29)

Reagiu com ira e expulsou Balaão ao ouvir a bênção que não queria, em vez de reconhecer a soberania do Senhor (Nm 24:10-11)

Lições e legado
Lições de vida

O medo do que Deus está fazendo pode levar alguém a lutar contra o próprio Deus em vez de se render a ele

Trocar de estratégia, de lugar ou de método não muda a vontade de Deus, que permanece a mesma em qualquer altar

A bênção que Deus decide dar sobre seu povo não depende da boa vontade de quem a ouve (Nm 22:6, cf. 23:20)

É possível parecer religioso, com altares e sacrifícios, e ainda assim estar se opondo aos propósitos de Deus

Legado missionário

Sua história mostra que nações vizinhas já reagiam, com medo ou hostilidade, ao avanço do povo de Deus, um padrão que ainda se repete quando o evangelho chega a novos lugares

A recusa obstinada de Balaque em aceitar a bênção sobre um povo que não era o seu lembra a igreja a torcer pela bênção de Deus sobre toda nação, não só a própria

O episódio de Balaque e Balaão alerta contra tentar usar religião, ritual ou influência para controlar ou deter a obra de Deus entre as nações

Miqueias 6:5 transforma a trama de Balaque em lembrete de que o Senhor guarda e conduz seu povo mesmo através da oposição de reis e nações, esperança para quem hoje leva o evangelho a lugares hostis

Família e contexto
Família e relações
Pai Zipor (Nm 22:2)
Contemporâneo Balaão, filho de Beor (Nm 22:5)
Aliados Líderes de Midiã (Nm 22:4,7)
Nações mencionadas

Moabe

Números 22:1-4

Midiã

Números 22:4,7

Israel

Números 22:2-3

Locais relacionados

Planícies de Moabe

Jordânia atual, onde Balaque via o acampamento de Israel

Petor, junto ao Eufrates

região da atual Síria, terra natal de Balaão

Bamote-Baal

alto de Moabe onde Balaque construiu os primeiros altares

Pisga

monte de Moabe usado no segundo oráculo

Peor

monte voltado para o deserto, local do terceiro oráculo

Onde encontrar na Bíblia
Onde encontrar na Bíblia

A história de Balaque é relatada em Números 22 a 24, quando ele contrata o profeta Balaão para maldizer Israel e ouve três bênçãos em vez disso. Ele também é mencionado em Josué 24:9 e em Miqueias 6:5, sempre como o rei que tentou destruir o povo de Deus.

Outras pessoas