Estêvão

Diácono · Primeiro mártir

Estêvão

PeríodoIgreja primitiva em Jerusalém (~34 d.C.)

Domínio público, via Wikimedia Commons · fonte

Resumo
Um dos sete diáconos escolhidos pela igreja de Jerusalém para servir as viúvas, Estêvão era cheio de fé, do Espírito Santo e do poder de Deus. Acusado de blasfêmia diante do Sinédrio, tornou-se o primeiro mártir cristão, apedrejado enquanto orava por seu espírito e perdoando seus algozes, diante do jovem Saulo de Tarso.
Quem foi Estêvão
Biografia

Poucas coisas doem tanto quanto ser punido por fazer o bem. Estêvão viveu essa dor no grau mais extremo: foi apedrejado até a morte por anunciar a verdade com uma paz que seus próprios acusadores não conseguiam explicar.

Ele aparece na Bíblia como um dos sete homens escolhidos pela igreja de Jerusalém para cuidar da distribuição diária de alimentos às viúvas, um serviço prático que exigia sabedoria e caráter (Atos 6:1-5). Estêvão era descrito como cheio de fé e do Espírito Santo, cheio da graça e do poder de Deus, e realizava sinais e maravilhas entre o povo (Atos 6:5,8).

Esse mesmo poder despertou oposição. Líderes religiosos discutiram com ele e, não conseguindo vencê-lo, levantaram falsas testemunhas que o acusaram de blasfêmia contra Moisés e contra Deus diante do Sinédrio (Atos 6:9-13). Ainda assim, quando olharam para o rosto de Estêvão, viram algo que parecia o rosto de um anjo (Atos 6:15).

Diante do tribunal, Estêvão não se defendeu com medo. Percorreu toda a história de Israel, de Abraão a Salomão, mostrando como o povo sempre resistiu ao Espírito Santo e agora fazia o mesmo com o Messias anunciado pelos profetas (Atos 7:2-53). A resposta foi fúria: os líderes rangeram os dentes contra ele (Atos 7:54).

No momento mais tenso, Estêvão levantou os olhos para o céu e viu a glória de Deus, e Jesus em pé à direita do Pai (Atos 7:55-56). A multidão o arrastou para fora da cidade e começou a apedrejá-lo. Enquanto as pedras caíam, ele orava: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito.” Depois, caiu de joelhos e pediu: “Senhor, não os consideres culpados deste pecado” (Atos 7:59-60).

Entre os que guardavam as roupas dos que apedrejavam estava um jovem chamado Saulo (Atos 7:58; 8:1). Anos depois, aquele mesmo Saulo se tornaria o apóstolo Paulo, e é difícil não imaginar que a cena da morte de Estêvão tenha ficado gravada em sua memória até o encontro com Cristo na estrada de Damasco.

A morte de Estêvão lembra ao leitor de hoje que anunciar a Cristo com fidelidade pode custar caro, e que o mesmo Espírito que dá coragem para testemunhar também dá graça para perdoar quem faz mal. Sua última oração ecoa a de Jesus na cruz, prova de que o Evangelho havia mesmo transformado seu coração.

Versículos marcantes

Enquanto apedrejavam Estêvão, este orava: "Senhor Jesus, recebe o meu espírito."

Atos 7:59

Então, caiu de joelhos e bradou: "Senhor, não os consideres culpados deste pecado." Tendo dito isso, adormeceu.

Atos 7:60

Estêvão, porém, cheio do Espírito Santo, levantou os olhos para o céu e viu a glória de Deus, e Jesus em pé, à direita de Deus.

Atos 7:55

Visões, profecias e feitos

Escolhido um dos sete diáconos

A igreja de Jerusalém escolheu Estêvão, cheio de fé e do Espírito Santo, para cuidar da distribuição diária de alimentos às viúvas.

Atos 6:1-5

Realizava sinais e maravilhas

Cheio da graça e do poder de Deus, Estêvão fazia grandes sinais entre o povo de Jerusalém.

Atos 6:8

Acusado de blasfêmia diante do Sinédrio

Falsas testemunhas o acusaram de falar contra o templo e a lei de Moisés, e ele foi levado ao tribunal religioso.

Atos 6:9-14

O rosto como o de um anjo

Antes mesmo de falar em sua defesa, os membros do Sinédrio já notavam algo diferente em seu semblante.

Atos 6:15

O discurso diante do Sinédrio

Percorreu toda a história de Israel para mostrar que o povo sempre resistiu ao Espírito Santo, dos patriarcas aos profetas.

Atos 7:2-53

A visão da glória de Deus

No momento da condenação, viu os céus abertos e Jesus em pé à direita de Deus.

Atos 7:55-56

O primeiro mártir da igreja

Foi arrastado para fora da cidade e apedrejado, orando por seu próprio espírito e perdoando os que o matavam.

Atos 7:57-60
Linha do tempo
~34 d.C.

Escolhido diácono em Jerusalém

Um dos sete homens encarregados de servir as viúvas na igreja primitiva (Atos 6:1-5).

~34 d.C.

Realiza sinais entre o povo

Cheio da graça e do poder de Deus (Atos 6:8).

~34 d.C.

Preso e acusado de blasfêmia

Falsas testemunhas o levam ao Sinédrio (Atos 6:9-14).

~34 d.C.

Discurso diante do Sinédrio

Recapitula a história de Israel e acusa os líderes de resistirem ao Espírito Santo (Atos 7:2-53).

~34 d.C.

Apedrejado fora de Jerusalém

Morre orando por seu espírito e perdoando seus acusadores, diante do jovem Saulo (Atos 7:58-60).

Retrato

Era cheio de fé e do Espírito Santo, reconhecido pela igreja para uma função de confiança (Atos 6:5)

Realizava sinais e maravilhas entre o povo pelo poder de Deus (Atos 6:8)

Defendeu a fé com coragem diante do Sinédrio, sem recuar por medo da morte (Atos 7:2-53)

Perdoou seus algozes enquanto era apedrejado, seguindo o exemplo de Cristo na cruz (Atos 7:60)

Lições e legado
Lições de vida

Servir em tarefas simples, como distribuir alimentos, pode ser o treinamento de Deus para um chamado maior

É possível enfrentar acusação injusta com paz, porque a segurança vem do Espírito Santo, não da aprovação humana

Perdoar quem nos faz mal, mesmo em meio à dor, é seguir o exemplo mais claro de Cristo

A oposição mais forte ao Evangelho pode se tornar a semente de uma futura conversão, como aconteceu com Saulo

Legado missionário

Sua morte espalhou a igreja de Jerusalém para outras regiões, dando início à expansão missionária além da cidade (Atos 8:1)

O testemunho diante do jovem Saulo mostra como Deus pode usar até a perseguição para preparar futuros missionários

É o primeiro de uma longa linha de mártires que, ao longo da história, confirmaram o Evangelho com a própria vida em terras difíceis

Seu exemplo de perdão aos perseguidores inspira até hoje cristãos que anunciam Cristo em lugares hostis ao Evangelho

Família e contexto
Família e relações
Contemporâneo (um dos sete diáconos) Filipe, o evangelista (Atos 6:5)
Testemunha do martírio Saulo de Tarso, futuro apóstolo Paulo (Atos 7:58)
Nações mencionadas

Egito

Atos 7:9-22 (José e Moisés no Egito)

Iraque atual (Mesopotâmia e terra dos caldeus)

Atos 7:2-4 (o chamado de Abraão)

Locais relacionados

Jerusalém

Onde serviu como diácono, foi julgado e morto

Sinédrio

Tribunal religioso judeu que o julgou por blasfêmia

Fora dos muros da cidade

Local do apedrejamento, conforme a lei judaica (Atos 7:58)

Mesopotâmia (terra dos caldeus)

Iraque atual, mencionado no discurso sobre o chamado de Abraão (Atos 7:2-4)

Egito

Mencionado no discurso sobre José e Moisés (Atos 7:9-22)

Onde encontrar na Bíblia
Onde encontrar na Bíblia

A história de Estêvão é relatada em Atos 6 e 7. Ele também é mencionado em Atos 8:2 e 11:19, e sua morte é lembrada pelo apóstolo Paulo em Atos 22:20.

Outras pessoas