Poucas tradições cristãs carregam o nome de um único fundador como a Presbiteriana carrega o de John Knox: um padre católico escocês que se tornou reformador inflexível, e cuja ideia de um governo eclesiástico por conselhos ainda organiza igrejas reformadas em dezenas de países.
Nascido por volta de 1514 em Haddington, no leste da Escócia, Knox foi ordenado sacerdote católico e trabalhou como notário antes de se aproximar da pregação reformada de George Wishart. Tornou-se seu guarda-costas nos últimos meses de vida do pregador.
Depois do assassinato do cardeal Beaton, em 1546, Knox se juntou aos protestantes refugiados no castelo de St Andrews e foi chamado a pregar ali. Quando o castelo caiu para as tropas francesas, em 1547, ele foi capturado e passou dezenove meses como remador escravo nas galés.
Libertado em 1549, ministrou na Inglaterra sob o rei Eduardo VI, mas o retorno católico com Maria Tudor o empurrou para o exílio no continente europeu. Em Genebra, conviveu com João Calvino e pastoreou a congregação inglesa da cidade, que descreveu como a mais perfeita escola de Cristo desde os apóstolos.
Em 1558 publicou O Primeiro Toque de Trombeta contra o Monstruoso Governo das Mulheres, panfleto duro contra rainhas católicas. O texto acabou por irritar também a protestante Isabel I e prejudicou, mais tarde, sua causa junto à coroa inglesa: um episódio que a história registra sem meias palavras.
De volta à Escócia em maio de 1559, Knox pregou em Perth um sermão contra a idolatria que precedeu um motim popular: a multidão saqueou a igreja e destruiu conventos dominicanos e franciscanos da cidade nos dois dias seguintes. O episódio se repetiu em outras cidades escocesas e mostra o lado mais violento da Reforma que ele ajudou a liderar, ainda que o próprio Knox tenha atribuído os excessos à turba, e não à sua pregação.
Liderou, ainda assim, a Reforma que o Parlamento escocês aprovou no ano seguinte. Em 1560, ajudou a redigir, com outros cinco ministros, a Confissão Escocesa e, logo depois, o Primeiro Livro de Disciplina, que organizava a igreja em conselhos representativos, da paróquia à assembleia geral.
Como pregador em St. Giles, em Edimburgo, entrou em confronto repetido com a rainha Maria Stuart, defendendo que a autoridade civil também respondia à lei de Deus; os relatos do próprio Knox descrevem a rainha às lágrimas em mais de um desses encontros. Em 1564, já viúvo de Marjorie Bowes, casou-se, aos cinquenta anos, com Margaret Stewart, de dezessete, união que gerou críticas na corte por ter sido feita sem o consentimento real.
Morreu em 1572, deixando inacabada a História da Reforma na Escócia, seu relato em primeira mão dos anos que ajudou a transformar.
O modelo de governo eclesiástico por conselhos, e não por um único bispo, que Knox ajudou a estruturar viajou depois com missionários escoceses, irlandeses e norte-americanos para a África, a Ásia e as Américas. Hoje ele ainda sustenta igrejas presbiterianas e reformadas em dezenas de países.