1519–1605

Reformador · Teólogo · Erudito bíblico

Theodore Beza

Resumo
Teólogo e erudito francês, sucessor de Calvino à frente da Igreja de Genebra. Suas edições do Novo Testamento grego e traduções latinas tornaram-se fontes decisivas para as Bíblias protestantes, incluindo a Bíblia do Rei Jaime, moldando por séculos o texto usado pelas igrejas de língua inglesa.
Quem foi
Biografia

Quem nunca lamentou um erro cometido na juventude, que insiste em voltar à memória anos depois? Theodore Beza, um dos maiores eruditos da Reforma Protestante, carregou por décadas o peso de versos escritos antes de sua conversão, versos que ele mesmo reprovaria pelo resto da vida.

Nascido em 24 de junho de 1519, em Vézelay, na Borgonha francesa, Beza estudou direito em Orléans e viveu anos como jurista e poeta em Paris. Em 1548, publicou Juvenilia, coletânea de poemas latinos elogiada pela elegância, mas marcada por versos indecorosos que adversários usariam contra ele mais tarde.

Uma doença grave o levou a repensar o rumo de sua vida. Ainda em 1548, converteu-se à fé reformada, abriu mão de benefícios eclesiásticos que possuía desde criança e mudou-se para Genebra, onde se aproximou de João Calvino, tornando-se, com os anos, seu colaborador mais próximo. Antes disso, em 1544, ele já havia se comprometido em segredo com Claudine Denosse, mulher de origem humilde, sem tornar a união pública, justamente para não perder os benefícios e a reputação literária que possuía; só em Genebra, em 1548, o casamento foi celebrado publicamente por Calvino.

Entre 1549 e 1558, lecionou grego na Academia de Lausanne; nesse período, exerceu também a reitoria da escola, entre 1552 e 1554. Em 1559, já em Genebra, fundou com Calvino a Academia da cidade, escola que formaria pastores reformados para toda a Europa; Beza foi seu primeiro reitor.

Em 1554, Beza publicou um tratado defendendo a execução do teólogo Miguel Servet, condenado à fogueira em Genebra por negar a doutrina da Trindade. A posição, rígida mesmo para os padrões da época, revela os limites de sua compreensão sobre liberdade de consciência.

Quando Calvino morreu, em 1564, Beza o sucedeu como pastor principal de Genebra e escreveu a primeira biografia do reformador, Vida e morte de Calvino. No mesmo período, concluiu, com Clément Marot, a tradução métrica completa dos Salmos ao francês, publicada em 1562.

Sua obra mais duradoura foi a erudição bíblica: entre 1565 e 1604, publicou sucessivas edições do Novo Testamento grego, cotejando manuscritos antigos. Essas edições alimentaram traduções protestantes decisivas, entre elas a Bíblia do Rei Jaime, de 1611. Em 1581, doou à Universidade de Cambridge o manuscrito hoje chamado Codex Bezae.

Beza morreu em Genebra em 13 de outubro de 1605, aos 86 anos. Seu rigor com o texto bíblico grego lembra que a fidelidade às Escrituras exige trabalho paciente, o tipo de serviço que raramente aparece em manchetes, mas sustenta gerações de leitores da Bíblia até hoje.

Linha do tempo
1519

Nascimento em Vézelay

Nasce em 24 de junho, na região da Borgonha, na França.

1548

Conversão e mudança para Genebra

Após doença grave, converte-se à fé reformada, publica Juvenilia e parte para Genebra, onde se une a Calvino.

1549

Professor de grego em Lausanne

Assume a cátedra de grego na Academia de Lausanne; entre 1552 e 1554, exerce também a reitoria da escola.

1554

Publica De haereticis a civili magistratu puniendis

Defende, em tratado, a execução de Miguel Servet pelas autoridades de Genebra.

1559

Fundação da Academia de Genebra

Cofunda com Calvino a escola que formaria líderes reformados para toda a Europa.

1562

Conclusão do Saltério genebrino

Termina, com Clément Marot, a versão métrica francesa completa dos Salmos.

1564

Sucede Calvino em Genebra

Assume a liderança da igreja genebrina após a morte de Calvino e escreve sua biografia.

1581

Doa o Codex Bezae a Cambridge

Envia à Universidade de Cambridge um manuscrito grego-latino dos Evangelhos e Atos, do século 5.

1605

Morte em Genebra

Falece em 13 de outubro, aos 86 anos, após décadas como pastor principal da cidade.

Obras e marcos

Juvenilia

1548

Coletânea de poemas latinos elogiada por sua elegância, mas cujos versos indecorosos marcariam sua reputação para o resto da vida.

De haereticis a civili magistratu puniendis

1554

Tratado que defendeu a execução de Miguel Servet por heresia, expondo os limites de sua visão sobre liberdade de consciência.

Cofundação da Academia de Genebra

1559

Ao lado de Calvino, criou a escola que formaria pastores reformados para toda a Europa; foi seu primeiro reitor.

Saltério genebrino

1562

Concluiu, com Clément Marot, a tradução métrica completa dos Salmos ao francês, cantada em cultos reformados por gerações.

Vida e morte de Calvino

1564

Escreveu a primeira biografia de João Calvino logo após a morte do reformador, registro histórico ainda consultado hoje.

Edições do Novo Testamento grego

1565-1604

Publicou sucessivas edições críticas do texto grego, cotejando manuscritos antigos; base para traduções protestantes como a Bíblia do Rei Jaime.

Doação do Codex Bezae

1581

Entregou à Universidade de Cambridge um raro manuscrito grego-latino do século 5, garantindo sua preservação.

Contribuições
1

Erudição bíblica

Suas edições do Novo Testamento grego, publicadas entre 1565 e 1604, tornaram-se fonte para traduções protestantes decisivas, entre elas a Bíblia do Rei Jaime.

2

Formação de pastores

Como primeiro reitor da Academia de Genebra, ajudou a formar gerações de pastores reformados que levaram a doutrina calvinista a vários países da Europa.

3

Preservação de manuscritos antigos

Ao doar o Codex Bezae à Universidade de Cambridge, garantiu a sobrevivência de um dos mais importantes manuscritos gregos e latinos do Novo Testamento.

4

Hinódia reformada

Concluiu a versão métrica francesa dos Salmos, que passou a ser cantada nos cultos das igrejas reformadas por séculos.

Legado missionário

O texto grego que ajudou a fixar chegou, pela Bíblia do Rei Jaime e por traduções posteriores, às mãos de missionários que levaram as Escrituras a povos de vários continentes.

A Academia de Genebra, que cofundou, tornou-se modelo para escolas de formação teológica que hoje preparam obreiros para o campo missionário em diferentes países.

Seu cuidado com a fidelidade dos manuscritos bíblicos inspira o trabalho atual de tradução das Escrituras em línguas que ainda não têm a Bíblia completa.

A tradição reformada que ajudou a consolidar em Genebra segue gerando igrejas, seminários e agências de missão em várias partes do mundo.

Outras pessoas