Carl Henry passou a juventude nas redações de jornal, não nos bancos da igreja. Filho de imigrantes alemães, cresceu em Long Island, Nova York, e chegou a ser, por volta dos vinte anos, editor de jornal local, muito antes de qualquer sinal de vocação teológica.
Em 1933, um jovem evangelista lhe falou de Cristo enquanto dirigiam por Long Island em seu velho Chevrolet. Henry ajoelhou-se no banco de trás do carro e entregou a vida a Jesus, decisão que o levou a trocar o jornalismo pelo Wheaton College.
Em Wheaton conheceu a colega Helga Bender, com quem se casaria em agosto de 1940, e somou depois um doutorado em teologia pelo Northern Baptist Theological Seminary e um doutorado em filosofia pela Boston University. Em 1947 publicou The Uneasy Conscience of Modern Fundamentalism, cobrando do fundamentalismo americano engajamento social sem abrir mão da fé histórica.
O livro tornou-se manifesto de um movimento novo, batizado de neoevangelicalismo. No mesmo ano, Henry ajudou a fundar o Seminário Fuller, servindo como seu primeiro decano no ano de abertura e formando pastores dispostos ao rigor intelectual sem perder a ortodoxia bíblica.
Em 1956, a convite de Billy Graham, tornou-se o primeiro editor-chefe de Christianity Today, dando ao evangelicalismo americano uma voz teológica de alcance nacional. Em 1966, já como editor, presidiu o Congresso de Berlim sobre Evangelização Mundial, reunindo líderes cristãos de dezenas de países.
Deixou a revista em 1968, depois de anos de atrito com conselheiros e financiadores mais conservadores da publicação, que pressionavam por um tom editorial politicamente mais à direita e que acabaram custando a Henry o cargo de editor-chefe. Henry nunca foi consenso: fundamentalistas separatistas o acusavam de ceder à cultura, e teólogos liberais o viam como rígido demais na defesa da inerrância bíblica.
Depois estudou um ano em Cambridge e lecionou em seminários como Eastern Baptist e Trinity Evangelical Divinity School, concluindo entre 1976 e 1983 os seis volumes de God, Revelation and Authority, sua defesa mais ampla da autoridade das Escrituras. Morreu em 2003, aos 90 anos, reconhecido como um dos principais arquitetos do evangelicalismo americano.