Um vigário de paróquia comum raramente abre as portas da igreja para um avivamento que muda o mapa do cristianismo mundial. Foi o que fez Alexander Boddy em Sunderland, no norte da Inglaterra, e o gesto ainda ecoa entre os pentecostais e carismáticos espalhados pelo mundo hoje.
Nascido em Manchester, Inglaterra, em 1854, filho de um pastor anglicano, Boddy trabalhou alguns anos como advogado antes de sentir o chamado ao ministério. Uma experiência espiritual na Convenção de Keswick, em 1876, o convenceu a buscar a ordenação na Igreja da Inglaterra.
Em 1884 tornou-se vigário da Igreja de Todos os Santos, em Monkwearmouth, Sunderland, onde ficaria por quase quarenta anos. Em 1891 casou-se com Mary Pollock, que se tornaria sua principal parceira de oração e no ministério de cura.
Em 1904 viajou ao País de Gales para acompanhar de perto o avivamento liderado por Evan Roberts. Convencido de que Deus agia de modo semelhante em outros lugares, visitou a Noruega em 1907 e testemunhou o ministério pentecostal do norueguês T. B. Barratt.
De volta a Sunderland, convidou Barratt para uma série de reuniões em setembro de 1907. Os cultos se estenderam noite adentro, com relatos de cura e do que os presentes descreveram como batismo no Espírito Santo acompanhado de línguas.
A partir de 1908, Boddy passou a presidir convenções anuais de Pentecostes em sua igreja, que reuniram líderes de diferentes tradições até 1914. No mesmo período fundou a revista Confidence e ajudou Cecil Polhill a criar a União Missionária Pentecostal.
Boddy insistia que o Espírito Santo existe para exaltar Cristo, não para promover fenômenos, e pregava unidade entre denominações sem exigir uniformidade. Ainda assim, seu apoio ao esforço britânico na Primeira Guerra Mundial e sua fidelidade ao batismo infantil o afastaram de líderes pentecostais mais jovens. O próprio avivamento em Sunderland atraiu pessoas de motivações e comportamentos bem diversos, o que levou Boddy a restringir a entrada às convenções por convite e a exigir submissão às decisões do presidente, política que alguns dentro do movimento viram como um freio indevido ao mover do Espírito.
Deixou Sunderland em 1922, por causa da saúde de Mary, e serviu numa pequena paróquia em Pittington, perto de Durham, até morrer em 1930. O historiador pentecostal Donald Gee observou que sua fidelidade à Igreja Anglicana talvez tenha limitado seu papel de líder do movimento, mas seu gesto de abrir uma igreja tradicional ao avivamento segue inspirando a busca por unidade entre tradições diferentes.