Charles Parham cresceu no Kansas em meio a doenças graves na infância. Anos depois, já adulto, uma cura que atribuiu à oração, a sua e a de seu filho pequeno, o levou a abandonar a medicina convencional e dedicar-se à pregação da cura divina. Foi pregador leigo metodista, mas rompeu com a denominação em 1895, buscando uma fé de inspiração mais direta.
Em Topeka, no Kansas, abriu a Bethel Healing Home, uma casa de cura pela fé, e fundou em outubro de 1900 a Bethel Bible College, onde ensinava dezenas de alunos a partir da Bíblia e de doutrinas do movimento de santidade.
Em janeiro de 1901, orientou os alunos a buscar nas Escrituras uma evidência concreta do batismo no Espírito Santo. A aluna Agnes Ozman foi a primeira a falar em línguas após a oração, e Parham concluiu que a glossolalia era essa evidência bíblica que procurava.
Entre 1903 e 1904, seus cultos de cura em Galena, no Kansas, reuniram multidões, com jornais da época relatando cerca de mil curas e oitocentas conversões, consolidando sua liderança regional. Em dezembro de 1905, abriu uma escola bíblica em Houston, no Texas, onde William Seymour, futuro líder do avivamento de Azusa Street, foi obrigado a acompanhar as aulas do corredor, por causa da segregação racial da época.
Quando visitou Azusa Street em outubro de 1906, Parham reprovou publicamente os cultos interraciais e emotivos conduzidos por Seymour, e foi informado pelos próprios líderes do avivamento de que não era mais bem-vindo ali, rompendo com o movimento que sua própria doutrina havia ajudado a gerar. Em 1907, foi preso em San Antonio, no Texas, sob acusação de crime moral; o promotor arquivou o caso, mas sua reputação nunca se recuperou entre boa parte do pentecostalismo nascente.
Nos anos seguintes, Parham manteve discurso segregacionista e chegou a pregar para a Ku Klux Klan, uma mancha grave numa trajetória que, apesar disso, deixou como legado involuntário um dos maiores movimentos cristãos do século vinte.