1873–1929

Evangelista · Teólogo

Charles Parham

Resumo
Evangelista e teólogo norte-americano que, no Kansas, formulou a doutrina de que falar em línguas é a evidência bíblica do batismo no Espírito Santo, lançando as bases doutrinárias do pentecostalismo moderno.
Quem foi
Biografia

Charles Parham cresceu no Kansas em meio a doenças graves na infância. Anos depois, já adulto, uma cura que atribuiu à oração, a sua e a de seu filho pequeno, o levou a abandonar a medicina convencional e dedicar-se à pregação da cura divina. Foi pregador leigo metodista, mas rompeu com a denominação em 1895, buscando uma fé de inspiração mais direta.

Em Topeka, no Kansas, abriu a Bethel Healing Home, uma casa de cura pela fé, e fundou em outubro de 1900 a Bethel Bible College, onde ensinava dezenas de alunos a partir da Bíblia e de doutrinas do movimento de santidade.

Em janeiro de 1901, orientou os alunos a buscar nas Escrituras uma evidência concreta do batismo no Espírito Santo. A aluna Agnes Ozman foi a primeira a falar em línguas após a oração, e Parham concluiu que a glossolalia era essa evidência bíblica que procurava.

Entre 1903 e 1904, seus cultos de cura em Galena, no Kansas, reuniram multidões, com jornais da época relatando cerca de mil curas e oitocentas conversões, consolidando sua liderança regional. Em dezembro de 1905, abriu uma escola bíblica em Houston, no Texas, onde William Seymour, futuro líder do avivamento de Azusa Street, foi obrigado a acompanhar as aulas do corredor, por causa da segregação racial da época.

Quando visitou Azusa Street em outubro de 1906, Parham reprovou publicamente os cultos interraciais e emotivos conduzidos por Seymour, e foi informado pelos próprios líderes do avivamento de que não era mais bem-vindo ali, rompendo com o movimento que sua própria doutrina havia ajudado a gerar. Em 1907, foi preso em San Antonio, no Texas, sob acusação de crime moral; o promotor arquivou o caso, mas sua reputação nunca se recuperou entre boa parte do pentecostalismo nascente.

Nos anos seguintes, Parham manteve discurso segregacionista e chegou a pregar para a Ku Klux Klan, uma mancha grave numa trajetória que, apesar disso, deixou como legado involuntário um dos maiores movimentos cristãos do século vinte.

“Conhecendo todas as línguas, ele poderia falar por nós tão facilmente numa quanto noutra, bastando que nossas línguas e cordas vocais estivessem plenamente entregues ao seu domínio.”
Charles Parham · Escrito de Parham sobre línguas e missões, reproduzido em The Topeka Outpouring of 1901 (org. Larry Martin), p. 71-72
Linha do tempo
1873

Nascimento em Muscatine, Iowa

A família se mudaria para o Kansas ainda em sua infância.

1896

Casamento com Sarah Thistlethwaite

A esposa se tornaria depois sua biógrafa.

1898

Fundação da Bethel Healing Home

Casa de cura pela fé aberta em Topeka, Kansas.

1900

Abertura da Bethel Bible College

Escola bíblica onde formulou a doutrina da evidência das línguas.

1901

Experiência de Agnes Ozman

Aluna fala em línguas em 1º de janeiro, episódio considerado o marco inicial do pentecostalismo moderno.

1903-1904

Avivamento de cura em Galena, Kansas

Jornais da época relatam cerca de mil curas e oitocentas conversões, ampliando sua liderança regional.

1906

Ruptura com o avivamento de Azusa Street

Reprova os cultos interraciais liderados por seu ex-aluno William Seymour e é informado de que não é mais bem-vindo ali.

1907

Prisão sob acusação de crime moral

Preso em San Antonio, Texas; caso arquivado pelo promotor, mas reputação abalada de forma permanente.

1929

Morte em Baxter Springs, Kansas

Falece aos 55 anos, após um colapso de saúde durante uma viagem de pregação no Texas.

Obras e marcos

Bethel Healing Home

1898

Casa de cura pela fé fundada em Topeka, Kansas, base de seu ministério de cura divina.

Bethel Bible College

outubro de 1900

Escola bíblica de curta duração em Topeka onde formulou e ensinou a doutrina da evidência das línguas.

A Voice Crying in the Wilderness

1902

Coletânea de sermões sobre salvação, cura e santificação, um dos poucos livros publicados por Parham.

Jornal Apostolic Faith

a partir de 1899

Periódico que Parham editou para divulgar testemunhos e ensinos do movimento nascente.

Escola bíblica de Houston

dezembro de 1905

Escola no Texas onde ensinou William Seymour, que levaria a doutrina a Los Angeles.

The Everlasting Gospel

1911

Obra posterior de Parham reunindo seus ensinos doutrinários.

Contribuições
1

Doutrina da evidência inicial

Formulou a tese de que a glossolalia é a evidência bíblica do batismo no Espírito Santo, pilar doutrinário que se tornaria distintivo do pentecostalismo.

2

Escola bíblica como método

Usou o formato de escola bíblica de curta duração, centrada no estudo direto das Escrituras, como caminho para formar pregadores fora dos seminários tradicionais.

3

Publicação e difusão

Editou o jornal Apostolic Faith, um dos primeiros periódicos a divulgar experiências e testemunhos do movimento pentecostal nascente.

4

Falha documentada: segregação e Klan

Praticou e defendeu a segregação racial, obrigou William Seymour a assistir suas aulas do corredor em Houston, rompeu com ele por causa da integração racial em Azusa Street e chegou a pregar para a Ku Klux Klan, uma contradição grave com o próprio avivamento que ajudou a originar.

5

Falha documentada: escândalo moral

Foi preso em 1907 sob acusação de crime moral em San Antonio, Texas; o caso foi arquivado pelo promotor, mas o episódio abalou de forma permanente sua credibilidade e liderança no movimento.

Legado missionário

A doutrina da evidência inicial de línguas, formulada por Parham, tornou-se marca distintiva das igrejas pentecostais e neopentecostais que hoje somam centenas de milhões de fiéis em todos os continentes.

O formato de escola bíblica curta que ele criou influenciou o modelo de treinamento rápido de obreiros ainda usado por muitos movimentos missionários pentecostais.

Sua crença inicial de que as línguas seriam idiomas reais para o campo missionário, embora não confirmada na prática, impulsionou o entusiasmo missionário dos primeiros pentecostais rumo a nações desconhecidas.

Sua ruptura com William Seymour por causa da integração racial em Azusa Street deixou um alerta permanente sobre o custo de misturar zelo doutrinário com preconceito, um ponto de vigilância para o movimento missionário até hoje.

Outras pessoas