É difícil confiar numa promessa quando ela parece impossível de se cumprir, como um exílio que já dura décadas sem nenhum sinal de fim. Foi exatamente essa espera que o povo de Judá vivia na Babilônia: sem rei, sem templo, sem terra. Deus, porém, já havia levantado um rei estrangeiro para abrir a porta que os próprios judeus não conseguiam abrir.
Ciro nasceu na Pérsia por volta de 600 a.C. e assumiu o trono do pequeno reino de Anshã em 559 a.C. Em poucas décadas uniu medos e persas e conquistou os reinos vizinhos, até tomar Babilônia em 539 a.C., a capital do império que havia destruído Jerusalém.
O mais surpreendente é que o profeta Isaías já falava de Ciro pelo nome mais de cem anos antes de ele nascer. Isaías o chamou de pastor do Senhor e de seu ungido, alguém que ordenaria a reconstrução de Jerusalém mesmo sem conhecer o Deus de Israel.
No primeiro ano de seu reinado sobre Babilônia, Ciro cumpriu exatamente essa palavra. Decretou que os judeus exilados podiam voltar à sua terra e reconstruir o templo, e ainda devolveu os utensílios sagrados que Nabucodonosor havia levado.
A Bíblia não mostra Ciro como um convertido ao Senhor. Ele reconheceu, em seu próprio decreto, que o Deus dos céus lhe dera os reinos da terra, mas continuou sendo um rei pagão, cercado por seus próprios deuses e por interesses políticos de estabilidade em seu vasto império.
Ainda assim, Deus o usou como instrumento de libertação. A história de Ciro mostra que nenhum império é páreo para uma promessa antiga de Deus. Se ele moveu o coração de um rei persa que nunca leu as Escrituras para libertar um povo inteiro, também pode abrir hoje os caminhos que parecem definitivamente trancados na vida de quem confia nele e na expansão do evangelho entre as nações.
